domingo, 22 de novembro de 2015

Presidente Bashar Al-Assad da Síria, ENTREVISTA          


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"Al Qaeda é criação dos EUA, com ajuda do dinheiro saudita wahhabista.
Turquia, Arábia Saudita, Qatar apoiam o ISIS"
          


TV Channel RAI UNO, It., distribuído Ag. SANA, Damasco. Reproduzido in Global Research     
Tradução pelo Coletivo Vila Vudu             



Só não digam que foi por falta de aviso!


7/4/2013, Presidente Bashar al-Assad, da Síria (entrevista):
“Estamos cercados por países que estimulam o terrorismo”

26/9/2013, Presidente Bashar al-Assad (entrevista):
"Essas operações terroristas são financiadas, planejadas e instigadas por gente de fora da Síria"

22/11/2015, Presidente Bashar al-Assad (entrevista):
"Não há guerra civil na Síria. Todos os sírios estamos em guerra contra terroristas
reunidos, organizados e armados por interesses 'ocidentais'." 

(Dentre outros exemplos de aviso...)
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RAI UNO: Sr. Presidente, obrigado por nos receber. Comecemos por Paris. Como o senhor reagiu às notícias que chegavam de Paris?


Presidente Assad: Podemos começar por dizer que é crime horrível. Ao mesmo tempo é evento muito triste, sempre que se sabe de inocentes assassinados, sem qualquer motivo, mortos por nada. Os sírios conhecemos bem o significado de perder um membro amado da família, um amigo amado, alguém que você conheça só de vista, qualquer inocente, num crime tão horrível. Os sírios passamos por tudo isso, todos os dias, há cinco anos. 


Sentimos pelos franceses, como sentimos pelos libaneses alguns dias antes e pelos russos que sofreram o atentado que derrubou o avião sobre o Sinai, e também pelos iemenitas. Mas e o resto do mundo, sobretudo o 'ocidente', sente por todas essas pessoas? Ou só chora por franceses? Será que lamentam e protestam por os sírios sermos alvos, há cinco anos, do mesmo tipo de terrorismo? Não se pode politizar o sofrimento, todos são vítimas, não se trata de nacionalidades, trata-se de ataque a toda a humanidade.


RAI UNO: Há o Daesh por trás disso. Mas daqui, desse ponto de vista, visto daqui de Damasco, qual a força do Daesh? Como o senhor entende que possamos combater terroristas em solo?


Presidente Assad: Se você quer falar sobre a força do Daesh, a primeira pergunta importante é quantas incubadoras, incubadoras reais, verdadeiras estruturas de incubação, efetivas forças de incubação, dentro da sociedade que possam levar ao surgimento e a manutenção do terrorismo. Até esse momento, o que posso dizer a você é que o Daesh não tem nenhum fator, agência ou estrutura social de incubação, dentro da Síria, que assegure sobrevida ao terrorismo. É muito bom, um fato que nos tranquiliza. Mas simultaneamente, se o terrorismo vai-se tornando crônico, se a ideologia do terrorismo, mesmo chegada de fora, implanta-se aqui, é uma ideologia que pode mudar a própria sociedade.


RAI UNO: Sim, mas alguns dos terroristas foram treinados aqui, na Síria, a poucos quilômetros daqui. O que significa isso?


Presidente Assad: Mas porque os turcos, os sauditas e os qataris os apoiavam. E, claro, sempre houve, aqui e em vários lugares, a política ocidental de apoiar terroristas, dos mais diferentes modos, desde o início da crise, claro, mas a questão não é essa. A questão é que, em primeiro lugar, se você não tem num determinado local, região ou estado, os fatores e agentes que garantem uma estrutura para incubação do terrorismo, não há por que se preocupar. Mas, por outro lado, em qualquer lugar o terrorismo e os terroristas podem se tornar muito fortes, se são apoiados, armados, financiados, e por estados, sejam estados aqui no Oriente Médio, ou no ocidente.


RAI UNO: Sr. Presidente, há especulações no ocidente que dizem que o senhor foi um dos que apoiou o Daesh no início da crise, para dividir a oposição. Como o senhor vê essa questão?


Presidente Assad: A Al-Qaeda foi criada pelos norte-americanos. De fato, é também o que dizem algumas autoridades norte-americanas, dentre as quais Hillary Clinton. A Al-Qaeda foi criada pelos norte-americanos com ajuda da ideologia e do dinheiro saudita wahhabista. Não há dúvida sobre isso, e inúmeras autoridades norte-americanas disseram exatamente isso, também nos EUA. EISIS e al-Nusra, são desdobramentos, unidades que brotaram a partir da Al Qaeda. 


Quanto ao ISIS, começou no Iraque, foi fundado no Iraque em 2006, e o líder era al-Zarqawi, que os norte-americanos mataram logo depois. O que todos sabem é que foi criado sob supervisão dos norte-americanos no Iraque. E o líder do ISIS hoje, conhecido como Abu Bakr al-Baghdadi, conhece bem as prisões dos EUA. Os norte-americanos o puseram dentro de suas prisões em New York e os norte-americanos, depois, o tiraram de lá. Quero dizer: não foi na Síria, nada começou na Síria. Começou de fato no Afeganistão, antes até de recomeçar no Iraque, e isso é o que dizem as próprias autoridades ocidentais. O próprio Tony Blair disse, recentemente,  que, sim, a guerra do Iraque ajudou a criar o ISIS. Quanto ao que você pergunta, portanto, mais importante do que ouvir a minha opinião, é ouvir o que os governos ocidentais já começaram a confessar.


RAI UNO: Sr. Presidente, se se examina o mapa da Síria, tem-se a impressão de que as fronteiras entre Síria e Iraque já não existem. Que parte da Síria o senhor ainda controla?


Presidente Assad: Se você fala geograficamente, o traçado muda todos os dias. Mas o que importa é que proporção da população se reconhece sob a autoridade do governo sírio. Na verdade, praticamente toda a área em que há terroristas implantados já foi evacuada, ou pelos terroristas ou porque a população fugiu para regiões controladas pelo governo sírio. 


Militarmente, um dia se ganha outro dia se perde território, e, de qualquer modo, o exército não pode estar presente em cada palmo de território sírio. Mas, se examina o mapa, como você disse, o que se vê é que o governo controlaria 50% ou menos território, que é o que a mídia ocidental não se cansa de 'noticiar'. O que não noticiam é que 50-6-% do território sírio são áreas desertas, onde não há população. Por isso essas áreas são contadas pelos terroristas, e a mídia ocidental repete, como se estivessem sob controle dos terroristas. Não é verdade. Essas áreas são desertas, completamente desabitadas.


RAI UNO: E sobre as fronteiras entre Síria e Iraque? 


Presidente Assad: É exatamente essa área. A partir de Damasco em direção ao Iraque, é área deserta, ninguém vive ali. Quanto às fronteiras políticas, é assunto que só se pode explicar se se explica a ação dos governos que apoiam os terroristas, como, sobretudo, o governo turco; e também o governo jordaniano. São dois estados que apoiam o terrorismo. Por isso a linha da fronteira parece pouco clara. Para que uma fronteira seja válida e politicamente estável, é preciso que os dois lados a reconheçam. Nesses pontos de que você fala, só estados que apoiam o terrorismo estão implantados. Estamos em guerra. São áreas disputadas.


RAI UNO: Bem, semana passada houve duas importantes reuniões para tratar sobre a situação síria, em Viena e em Antalya. Muitos países falam sobre a transição na Síria. Há posições diferentes, mas basicamente a maioria dos países concorda com a ideia de que haja eleições dentro de 18 meses. Mas também dizem que, até lá, o senhor tem de deixar a presidência. Qual sua posição sobre isso?


Presidente Assad: Não, não é verdade. A parte realmente importante da declaração de Viena é que tudo que tenha a ver com o processo político tem de ser decidido democraticamente pelo povo sírio. Quer dizer que o que realmente importa aí é a Constituição da Síria, e o presidente – qualquer presidente – deve chegar à presidência, permanecer nela e dela sair pelos procedimentos que a Constituição defina, não porque um ou outro país ocidental ou grande potência mundial ache ou deixe de achar. Assim sendo, se você fala a favor do consenso entre os sírios, é isso que interessa do que ficou resolvido em Viena;


Quanto aos prazos, depende dos acordos que alcancemos aqui entre nós, dentro da Síria. E se não houver acordo ainda ao final de 18 meses, continuaremos a negociar, por que não? Há muitas coisas que me parecem agora triviais, ou, digamos, não são pontos essenciais. O que realmente importa é que os sírios sentaremos todos nós e nós decidiremos planos e agendas nossas, dos sírios.


RAI UNO: Entendo. Mas o senhor considera a opção, a possibilidade de deixar o poder? Quero dizer, o senhor imagina algum processo eleitoral sem o senhor?


Presidente Assad: Depende. O que você quer dizer com processo eleitoral? Para eleger o Parlamento ou o presidente?


RAI UNO: O Parlamento.


Presidente Assad: Claro, haverá eleições parlamentares porque não há outro modo para estabelecer em que direção anda o desejo político dos sírios. Só com eleições parlamentares se pode determinar qual o poder político que tem raízes legítimas dentro da população. A verdade é que qualquer um pode dizer "Sou oposição", mas ninguém sabe como isso se manifesta. Só com eleições parlamentares se pode determinar que oposição realmente existe, que 'fatia' do poder caberá a cada grupo no próximo governo. Isso, é claro, depois de aprovada uma nova constituição. O que estou dizendo a você é uma proposta, um exemplo, não estou dizendo que tudo isso já esteja aprovado.


RAI UNO: E quanto às [eleições] presidenciais?


Presidente Assad: Se os sírios, no diálogo nacional, desejarem eleições presidenciais, não haverá nenhuma linha vermelha. Mas não é decisão que eu possa tomar. Tem de ser resultado de consenso que os sírios construam.


RAI UNO: Mas pode haver outro nome, de sua confiança, que o substitua nas eleições.


Presidente Assad: Não entendi. Como assim "outro nome de minha confiança"? 


RAI UNO: Quero dizer, outra pessoa, em quem o senhor confie para presidir a Síria.


Presidente Assad: [risos] Ah, sei. Mas você falou como se se tratasse de propriedade privada, minha propriedade. Então, vou lá e trago alguém para pôr no meu lugar. Não é nada disso. Você está falando de uma questão nacional da Síria. Uma questão nacional. Só os sírios podem escolher alguém em quem eles confiem. Justamente o que mais importa é garantir as condições necessárias para que a presidência síria seja entregue a alguém escolhido pelos próprios sírios, alguém em que os sírios confiem.


RAI UNO: Deixe-me ver se entendi bem. Qual é exatamente o seu cronograma, a sua agenda, um cronograma realista para sair dessa crise?


Presidente Assad: O cronograma, a agenda, se você prefere discutir só isso, começa depois de termos derrotado o terrorismo. Antes disso, não faz sentido algum decidir sobre agendas, porque não se pode conseguir nenhum objetivo político por vias políticas constitucionais se houver terroristas tomando porções do território sírio. Porque em todos os casos, o principal obstáculo a qualquer decisão ou processo político democrático não sou eu nem o meu governo: são os terroristas. Depois de derrotados os terroristas, entendo que de um ano e meio a dois anos é prazo suficiente para qualquer transição. É suficiente. Quero dizer: se se tratar de, primeiro, redigir uma nova Constituição, organizar o referendo que aprove a nova Constituição, depois as eleições parlamentares, depois algum tipo de procedimento para organizar o governo, seja presidencial ou parlamentar, não importa. Tudo isso pode estar feito em dois anos.


RAI UNO: Há mais uma coisa sobre a oposição: em todos esses anos o senhor disse que não considera como oposição os grupos armados. O senhor mudou de posição?


Presidente Assad: Claro que não. Vale o mesmo também para o seu país. Quem aceitaria como oposição ao governo gangues armadas que atacam a população? Quem receberia no Parlamento, como oposição, representantes armados dessas gangues? Ninguém, em nenhum lugar do mundo. Quem faça oposição armada, aterrorize a população, se aproprie de bens públicos dos sírios e passe a explorá-los para seu lucro privado, protegendo com metralhadoras os bens e instalações que roubaram... e matando inocentes, isso não é oposição política, nem na Síria nem em lugar algum. 


"Oposição" é termo político. "Oposição política" não é coisa que se defina conforme alguém concorde ou não com opiniões individuais ou de grupos armados ou de grupos econômicos. Só há "oposição" se se organizar disputa política, pelas urnas eleitorais.


RAI UNO: E quem, então, hoje, o senhor considera como oposição, como oposição política? 


Presidente Assad: Mas... Que importância tem o que eu considero?! Quem tem de considerar são os sírios. Se os sírios votarem, os partidos e nomes que receberem a maioria dos votos serão a "situação". Os demais, nos termos do que a Constituição definir, serão a "oposição", quer dizer, serão os que os sírios consideraram "oposição". Só oposição eleita é oposição. Portanto, se não se respeitam eleições, não há oposição. 


Mas se você quer saber minha opinião pessoal, entendo que só há oposição se ela tiver raízes aqui mesmo, na Síria. Eu não posso ser "oposição" no país dos outros. Um espião estrangeiro não é "oposição" em lugar algum do mundo. Não há nenhum único representante de alguma "oposição" vivendo na embaixada de país estrangeiro, em país estrangeiro ou em instalações clandestinas de país estrangeiro. Para ser "oposição" ao governo da Síria, é preciso ser sírio e não mercenário, fantoche pago para trabalhar contra a democracia síria. 


RAI UNO: Hoje na Europa, na Itália, chegam muitos refugiados sírios. O que o senhor gostaria de dizer aos sírios que fogem, que tentam escapar da Síria?


Presidente Assad: Primeiro, quero dizer que cada um que deixa nosso país é uma perda para a Síria. Cada sírio obrigado a converter-se em refugiado tem longa história de sofrimento em nosso país. Essa é a questão importante: "por que eles saíram?" 


Por muitas razões. A primeira, óbvia, é a ameaça direta dos terroristas. A segunda, é a ação dos terroristas, que destruíram porções enormes da infraestrutura do país, destruição que afeta a vida diária de todas essas pessoas. 


Mas a terceira, no mínimo tão importante quanto a ação dos terroristas, é o embargo econômico que o ocidente impôs à Síria. Se você perguntar aos refugiados se desejam retornar à Síria, sim, muitos querem retornar imediatamente, mas não podem voltar enquanto todos os itens da vida mais básica, da própria sobrevivência deles e das famílias permanecerem tão dramaticamente afetados como hoje. 


Dois fatores explicam que tantos sírios sejam obrigados a escolher entre o demônio e o fundo do mar: a influência do embargo ocidental e a influência do terrorismo.


RAI UNO: Mas o senhor não sente nenhuma responsabilidade pelo que aconteceu ao seu povo?


Presidente Assad: Você diz eu, pessoalmente? 


RAI UNO: Sim.


Presidente Assad: Eu, pessoalmente, e todo o meu governo, desde o início dessa crise, só fizemos combater o terrorismo, denunciar o terrorismo e apoiar o diálogo. O que mais os sírios poderíamos ter feito? Alguém é contra o diálogo? Alguém é contra combater o terrorismo? 


Se você está querendo falar sobre detalhes e sobre propaganda para desfigurar a Síria no ocidente, não percamos nem o seu tempo nem o meu. 


O problema do ocidente é que o ocidente 'não quer', na Síria, o governo que os sírios querem. Toda a propaganda é necessária para o ocidente, na tentativa de fazer fracassar o governo que os sírios elegeram. O ocidente precisa do colapso da Síria, para tentarem fazer a 'mudança de regime' de que tanto precisam.


Não lhe digo aí qualquer novidade. Todos sabem disso. Todo o jogo do ocidente é 'mudar regimes' que não agrade ao ocidente, e não importa que regime seja. No caso da Síria, não há 'regime': a Síria é um estado. Mas para o ocidente não faz diferença alguma. 


Assim sendo, você pode culpar quem você bem entenda, e escrever o que bem entenda no seu jornal, mas a principal culpa de toda a desgraça que se abate hoje sobre a Síria é o ocidente, que apoiou aqueles terroristas que criaram o ISIS na Síria e criaram a Frente al-Nusra, todos esses terroristas protegidos sob o guarda-chuva que o ocidente criou para proteger terroristas. 


RAI UNO: O senhor então não se sente responsável por nada? 


Presidente Assad: Não, eu não disse isso. Como sírio, não estou dizendo que não cometemos erros. Todos os dias cometemos erros no plano tático, no trabalho, em casa, na vida diária. E temos estratégias. Mas no plano tático todos erramos todos os dias. Cada Sírio é responsável por tudo que aconteceu. Somos responsáveis, como sírios, quando deixamos que esses terroristas viessem e se instalassem aqui. Somos responsáveis como sírios, pelos sírios que aceitaram ser fantoches dos estados do Golfo e do ocidente. É claro que me sinto responsável por muitas coisas. Mas não vejo que importância teriam alguns detalhes. Acho difícil julgar atitudes e responsabilidades pessoais.


RAI UNO: Gostaria de perguntar-lhe: como foi sua viagem a Moscou?


Presidente Assad: Foi viagem para discutir a situação militar, porque aconteceu quase duas semanas depois de os russos começarem a atacar os terroristas, e para discutir o processo político, porque também aconteceu poucos dias antes de Viena 1. Foi viagem proveitosa, porque os russos compreendem muito bem essa nossa região, com a qual sempre tiveram relações históricas, embaixadas, todos os tipos de relações necessárias para desempenhar um papel no que acontece hoje por aqui. Sem dúvida, foi visita muito proveitosa.


RAI UNO: De Roma, do Vaticano, o Papa disse que matar em nome de Deus é blasfêmia. Mas a primeira questão é: essa guerra é realmente guerra de religião?


Presidente Assad: Não, não é. Não é guerra religiosa nem de religião. É guerra entre gente que se separou da religião real, em primeiro lugar, claro, do Islã, e abraçou o extremismo – que os muçulmanos não consideramos parte de nossa religião.


Aqui na nossa região, é guerra entre muçulmanos e terroristas. Claro que aparecem muitos nomes e títulos: guerra contra cristãos, guerra contra outras seitas. Mas não passam de fórmulas que os terroristas usam para promover a guerra que eles e o ocidente fazem contra alguns povos da nossa região. A maioria dos muçulmanos, a vasta maioria, são moderados e amantes da paz.


RAI UNO: Quem mata gritando Allah Akbar não está fazendo guerra religiosa?


Presidente Assad: É um modo de os terroristas promoverem a guerra deles. Por isso usam expressões ou palavras da religião, para impressionar outras pessoas, para 'demonstrar' que estariam lutando por Alá, por deus, o que é falso. Alguns fazem o que fazem sabendo que é falso, outros creem sinceramente que estejam fazendo guerra por Alá. [...] 


RAI UNO: Sr. Presidente, antes de encerrar, permita-me mais uma pergunta. Como o senhor vê seu próprio futuro? O que é mais importante: o futuro da Síria ou sua permanência no poder? 


Presidente Assad: A mim só o futuro da Síria preocupa. Quero dizer: claro que meu futuro pessoal está entretecido com o futuro de meu país. Se a Síria não for lugar seguro para viver, não há segurança para nenhum sírio. Isso é autoevidente.


O problema aqui é que, se você insiste em criar uma 'oposição' entre o presidente da Síria em guerra e a Síria em guerra, é como você vir até aqui só para poder 'conclui' que "se o presidente continuar presidente, o futuro da Síria é desgraça." Se o presidente deixar de ser presidente, a Síria terá futuro radioso." Isso é pura propaganda ocidental.


A verdade é que dentro da Síria há gente que quer que o presidente permaneça onde está e há gente que não votou em mim e não apoia meu governo. Por isso as eleições são novamente indispensáveis. Para que a Síria escape completamente do falso dilema que o ocidente inventou, e a propaganda ocidental reproduz todos os dias: se o presidente sai, a Síria vive; se o presidente não sai, a Síria morre. Não posso responder a você como a propaganda ocidental manda, porque é desconectada da realidade. Tenho de responder conforme nossa realidade.


RAI UNO: Obrigado, senhor presidente. Obrigado pela entrevista.


Presidente Assad: Obrigado por sua visita à Síria. [Fim da transcrição]