terça-feira, 10 de novembro de 2015

A “reservilização” dos povos ocidentais      



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por Paul Craig Roberts          

tradução mberublue 
         
Estamos testemunhando a reservilização dos povos ocidentais em vários níveis. Um deles, sobre o qual venho escrevendo há mais de uma década vem da deslocalização de empregos (no original “offshoring of Jobs – NT). (Norte)americanos, por exemplo, tem tido uma participação cada vez menor da produção de bens e serviços que são comercializadas para eles.

Um outro nível que temos experimentado é a financialização da economia ocidental, assunto sobre o qual Michael Hudson é o principal especialista Killing the Host – livro de M. Hudson sobre o assunto – NT). Financialização da economia é um processo através do qual se elimina qualquer presença do público na economia com a consequente conversão dos excedentes monetários em pagamentos para o setor financeiro.

Esses dois desenvolvimentos combinados privam o povo de qualquer perspectiva econômica. Um terceiro movimento privará o povo de seus direitos políticos. Os tratados de parceria Trans Pacífico e Trans Atlântico, eliminarão qualquer resquício de soberania política e entregarão a governança em mãos das corporações globais.

As assim chamadas “parcerias de comércio” nada tem a ver com comércio. Tais acordos, negociados em segredo, garantem imunidade para as corporações frente às leis dos países nas quais tem negócios. Consegue-se esse feito através das declarações de que qualquer interferência das leis ou regulamentos que restrinja os lucros das corporações será considerada como interferência no comércio. Isso por sua vez dá às corporações o direito de processar tais governos, desprezando sua “soberania”.  Por exemplo, a proibição que existe na França e em outros países sobre Organismos Transgênicos poderá ser simplesmente ignorada pela Parceria Transatlântica. A democracia será simplesmente colocada de lado e substituída pelo governo da corporações.

Há tempos tenho me aprofundado no assunto em meus escritos. No entanto, outros, como Chris Hedges, estão fazendo um ótimo trabalho, explicando como a tomada do poder pelas corporações eliminará o governo representativo.

As corporações estão comprando poder, e bem barato. Elas compraram todos os parlamentares da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos por menos de 200 milhões de dólares. Foi esse o valor pago ao Congresso pelas corporações para aceitarem o “Fast Track” (procedimento do Congresso dos Estados Unidos que permite aprovação de legislação em tempo muito mais rápido que o normal – NT) que permitiu que o agente das corporações, o “US Trade Representative”, negociasse o tratado em segredo, sem supervisão ou presença do Congresso.

Colocando em outros termos, um agente das corporações dos Estados Unidos, combina com agentes das corporações de outros países como comporão a “parceria”. Esse punhado de pessoas muito bem subornadas, elaboraram um acordo entre países no qual a lei local e os interesses dos cidadãos são suplantados pelos interesses das corporações. Os governantes dos países deverão assinar ou não a concordância com os termos do tratado. Estejam certos que serão regiamente pagos para assinar concordando.

Uma vez que os países assinem e as parcerias entrem em vigor, não haverá mais sentido em palavras como lei, legislatura, presidentes, primeiros ministros ou juízes. A lei e as decisões judiciais ficarão a cargo apenas dos tribunais das corporações.

Provavelmente as consequências trazidas por essas “parcerias” terão desenvolvimento ainda desconhecido. Por exemplo: a Rússia e a China, assim como o Brasil, o Irã, Índia e África do Sul não farão parte dessa “parceria”, embora, em apartado, o governo indiano aparentemente tenha se vendido ao agronegócio (norte)americano e esteja em processo de destruição de sua estrutura autossuficiente de produção de alimentos. Estes países serão o repositório da soberania nacional e do livre controle pelo público, enquanto a liberdade e a democracia serão extintos no ocidente e nos vassalos asiáticos do ocidente.

Uma revolução violenta através do ocidente e a completa eliminação do 1% também é um resultado possível de acontecer. Uma vez que, por exemplo, o povo francês descubra que perdeu o próprio controle de sua dieta alimentar para a Monsanto e o agronegócio (norte)americano, o governo francês que entregou o povo francês para uma dieta de escravidão a alimentos tóxicos provavelmente será abatido nas ruas.

Coisas como essa poderão acontecer através de todo o mundo ocidental quando o povo descobrir que perdeu o controle sobre todos os aspectos de sua própria vida e que lhes restará apenas a revolução ou a morte.


Paul Craig Roberts - (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.