terça-feira, 10 de novembro de 2015

A desprezível justificação do terrorismo pela mídia ocidental.         



Acaso tenha sido de fato um ato de terrorismo a queda de um avião de passageiros russo no Sinai, o verdadeiro regozijo com que a morte dos turistas foi recebida na mídia ocidental irá se somar a um quase interminável rosário de vergonhas.       


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por David Macilwain - ICH, RI       

tradução mberublue       

08 de novembro de 2015 - "Information Clearing House" - "RI" – Ás vezes dá vontade de rir da maneira quase hilária com que a mídia ocidental distorce a verdade, contando histórias absurdas, e fazendo verdadeiras contorções para apresentar aquilo como algo sensato. Foi assim recentemente, quando Vladimir Putin colocou o dedo na ferida ao expor, em Valdai, o “rebelde moderado”, criação da mídia ocidental e de Washington na Síria como ele é: uma piada nonsense.

Mas a leveza alegre desses momentos breves dão lugar rapidamente a sentimentos mais pesados de frustração, ira e incredulidade, somados a um ceticismo perene sobre tudo o que é dito e feito pelos que frequentam o vazio de credibilidade que agora separa o ocidente do oriente. Como faremos para obter algum bom senso de volta para a imprensa ocidental e suas narrativas sobre o conflito na Síria?

Em seguida à intervenção russa na Síria, houve uma onda de otimismo do lado oriental, que algum bom senso haveria de prevalecer nos corredores ocidentais do poder – uma esperança de que, mesmo que o pedido da Rússia de colaboração para lutar contra o terrorismo tenha sido negado, as potências ocidentais pelo menos parariam com o seu ativo incremento do conflito através do fornecimento de armas e da propaganda enganosa. Só esperança.

Nesta semana a decepção para com a narrativa da mídia ocidental voltou com cores ainda mais sombrias – a desprezível reação de alguns articulistas ocidentais sobre a trágica morte de 224 pessoas inocentes na queda do avião russo de passageiros no Sinai fez com que a frustração se tornasse ódio intenso. Em vez de refletir, dar um passo atrás e perguntar “o que fizemos para que a consequência fosse essa?” – na sequência de uma generalizada suspeição de que o acidente tenha sido provocado deliberadamente, esses articulistas e comentaristas ocidentais, já estão colocando o trágico acidente como uma resposta às ações da Rússia na Síria e na Ucrânia. Chegando a afirmar que seria uma resposta justificada.

Ao entrevistar a Ministra de Relações Exteriores da Austrália Julie Bishop no domingo, o veterano e respeitado apresentador de rádio da ABC Fran Kelly colocou assim a sua pergunta:

“É claro que o governo australiano – como você já afirmou – estende suas condolências aos países que perderam cidadãos no acidente e às famílias desses cidadãos, mas assim mesmo preciso perguntar à ministra se você não acha irônico que a Rússia quer esperar até que uma investigação completa seja efetuada, esclarecendo as causas da queda do avião, antes de fazer qualquer comentário, dada a hostilidade do Presidente Putin contra uma investigação completa quando do ocorrido com o voo MH17?”

Mesmo abdicando de especular até que se saiba mais sobre as causas reais do acidente, Bishop antecedeu desta forma seu comentário:

 “sim, eu tenho certeza de que as pessoas perceberão a ironia, mas este não é o momento adequado para que eu faça qualquer comentário... (...considerando os parente e amigos em luto...)”

Para aqueles que sabem e entendem a profundidade da fraude que rolou sobre o voo MH17, e a demorada e comprometida investigação holandesa sobre as causas da queda, a rejeição por Kelly da conduta de Putin é extremamente ofensiva. Embora nós todos saibamos que a investigação russa sobre a queda do voo MH17 foi travada pela recusa dos Estados Unidos em fornecer seus dados de satélite e a recusa de Kiev de liberar os dados do controle de transporte aéreo para o voo, Kelly e outros comentaristas da mídia ocidental olimpicamente ignoram isso. Eles continuam a afirmar que a Rússia teria supostamente vetado uma investigação criminal pela ONU, a qual determinaria a culpa russa pela atrocidade. Por causa deles, os australianos agora acreditam que Vladimir Putin negou que a “justiça fosse feita para as vítimas do voo MH17”.

É muito preocupante entender que o pensamento dos comentaristas da mídia ocidental, e dos leitores que acreditam neles, foi envenenado pela propaganda enganosa Imperial e agora eles se sentem livres para demonstrar os mais desprezíveis sentimentos contra os inimigos oficialmente apontados, e que podem fazer isso sem qualquer condenação. Assim, esta é a sugestão fornecida: a queda do avião russo com a morte de 224 cidadãos, não passou de uma expiação, uma penitência porque “a Rússia derrubou o MH17”. 

Esses pontos de vista e declarações podem ter aparecido abertamente apenas no twitter – como se relatou ter acontecido na Holanda – e na NewsCorp Press  (corporação midiática cujo CEO é Rupert Murdoch – NT) mas eles surgem a partir de cada relato da mídia, cada reunião social ou parlamentar, refletindo a crescente russofobia e a demonização pública de Vladimir Putin.

Como parece estar acontecendo com cada vez mais frequência, surgem novos desenvolvimentos em torno do assunto. A raiva vai se transformando em nojo, na medida em que novas reportagens diárias afirmam que uma bomba terrorista foi responsável pela queda do avião russo, excluindo completamente qualquer alusão às opiniões da Rússia ou de sua inteligência sobre o assunto.

Mas não foi só isso – o entendimento desses relatos, que ficou a cargo das agências do Reino Unido e dos Estados Unidos, foi a de que se ficasse estabelecido que a responsabilidade pela tragédia foi realmente do Estado Islâmico “as consequências das ramificações internacionais seriam enormes”. Exatamente o que afirma Sir Nigel Inkster, antigo diretor de operações e inteligência no MI6, entrevistado em Londres pela ABC:

Nigel Inkster: “Bem, penso que temos que examinar duas coisas:

Primeiro, a economia do Egito depende fortemente do turismo, e qualquer coisa que diminua a confiança internacional no Egito como um destino seguro para o turismo, terá implicações significativas.

Claramente, a segunda questão seria: aconteceu um ato de vingança, pode essa tragédia ter sido um ato de vingança contra o envolvimento da Rússia no conflito, ao lado do Presidente Assad?”

Algo foi esquecido de forma terrível nestas notícias – ninguém teve o cuidado de mencionar o que podem estar sentindo os parentes e amigos das vítimas da queda do avião russo, ao saber que seus entes queridos podem ter sido abatidos como mártires involuntários na guerra em curso para salvar a Síria do terrorismo ocidental.

David Macilwain