sábado, 28 de novembro de 2015

Erdogan foi o “capanga” usado por Washington?
                


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por Finian Cunningham        
tradução mberublue                              



27 de novembro de 2015 - "Information Clearing House" - "RT" – No espaço de algumas horas, O presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que parecia em situação de desespero, tornou-se desafiador, depois de ter derrubado um bombardeiro russo. Aparentemente alguém lhe soprou palavras enérgicas junto ao ouvido.

Conversa de “machão” do presidente turco? Não... Parece mais com um menino de recados entusiasmado.


Quando surgiram as primeiras notícias de que um avião F16 turco havia derrubado um bombardeiro russo SU24 perto da fronteira da Síria, o governo de Erdogan em Ancara imediatamente solicitou uma reunião de emergência da Cúpula da OTAN.

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Erdogan
Ancara se esbaforiu para explicar que a parte que tinha incorrido em uma agressão era a Rússia e não a Turquia. A pressa e o afobamento de Erdogan eram causados pelo fato de que quem na realidade praticou um ato de agressão foi a Turquia e não o contrário.
E eles sabiam disso.

De maneira suspeita, Ancara não entrou em contato com Moscou sobre o incidente, o que seria a coisa certa e normal a fazer na sequência de um sério incidente no qual a tripulação russa foi obrigada a ejetar e um dos pilotos foi morto em seguida.

Lembre-se que o governo turco afirmou que não sabia a identidade do avião russo que alegadamente se aproximava do espaço aéreo turco. Se fosse assim, depois do fato, no qual os turcos derrubaram um avião russo em um rápido encontro em que temeram uma muito improvável ameaça à sua “segurança nacional”, então por que Ancara não procurou imediatamente os russos na tentativa de resolver um assunto assim tão urgente para que as circunstâncias fossem rapidamente esclarecidas? Seria o comportamento lógico e esperado se na realidade fosse mesmo um incidente infeliz, uma confrontação imprevista.

Mais uma vez, infere-se que Ancara tinha pleno conhecimento de que estava a praticar uma ação sinistra.

Como se viu, Ancara afobadamente deliberou com a OTAN, em vez de Moscou. Somente o ato de ter procurado imediatamente a OTAN já sugere que os turcos estavam bem cientes desde o início que estavam cometendo um ato desleal contra a Rússia, tendo então procurado precipitadamente uma linha de proteção através do aliança militar liderada pelos Estados Unidos.


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Davutoglu
Já no dia seguinte ao incidente, Erdogan e seu Primeiro Ministro Ahmet Davutoglu estavam voltando atrás sobre suas versões do incidente. A versão turca inicial sobre a confrontação aparentemente incorria em uma série de falhas de credibilidade, com muitas anomalias relacionadas à trajetória do jato russo. Mesmo fontes ocidentais estavam entrando em acordo de que a versão de Moscou sobre o incidente estava correta sobre os detalhes e que o jato russo não cruzou a fronteira da Síria.

Vem à tona então uma conclusão perturbadora: o jato russo foi derrubado criminosamente pelos turcos.

Erdogan passou pela quarta feira dizendo ansiosamente que não quer uma escalação militar no conflito entre a Turquia e a Rússia. Davutoglu foi ainda mais covarde, dizendo em tons quase suplicantes que a “Rússia é uma nação amiga e um vizinho”. O Ministro de Relações Exteriores de Ancara chegou perto da abjeção ao praticamente pedir que a Rússia não corte os suprimentos de gás natural dos quais a Turquia depende para 60 por cento de seu consumo de combustível.

Então, subitamente, ocorreu uma mudança de tom em Ancara. Na quinta feira, Erdogan soou nitidamente diferente, em tom mais beligerante, mais alinhado com os eventos iniciais da queda do avião russo. Talvez isso tenha acontecido porque a Rússia afirmou que não estava pensando em ir à guerra com a Turquia por causa do jato abatido. Mas Erdogan parecia bem corajoso, em contraste com a conduta tímida que tomara nas 24 horas precedentes.

O presidente turco disse que seu país não haveria de oferecer desculpas para a Rússia depois de derrubar o jato, com a perda de um piloto assim como a morte de um soldado russo morto por militantes enquanto tentava resgatar o segundo aviador que estava no bombardeiro SU-24 que caiu no norte da Síria. Em vez disso, Erdogan assumiu uma retórica desafiadora, ao afirmar que a Rússia deveria ser a única a pedir desculpas por ter alegadamente infringido o espaço aéreo turco, mesmo depois de todas as evidências apontando o contrário.


Resultado de imagem para Erdogan and ISISTambém publicamente, Erdogan falou na quinta feira para desclassificar as acusações russas de que a Turquia estaria financiando o Estado Islâmico (EI) e outros grupos jihadistas através da compra de petróleo. Além disso, o líder turco afirmou que a “luta turca contra o Estado Islâmico é inegável”, dizendo ainda que apenas a coalizão militar liderada pelos Estados Unidos, a qual inclui Ancara, está combatendo os terroristas na Síria. A Rússia e o Irã não estariam levando a guerra ao Estado Islâmico, afirmou Erdogan, implicando que eles estariam meramente sustentando no poder seu aliado – o governo do presidente Bashar al Assad.

Erdogan disse ao canal de notícias francês France 24 que ele teria tentado entrar em contato com o presidente russo Vladimir Putin sobre a queda do jato, mas que Putin não atendeu suas chamadas. Anteriormente, Moscou havia feito notar amargamente que não havia recebido nenhuma comunicação de Ancara sobre o incidente.

Então, o que aconteceu que levou Erdogan e seus capangas aparentemente a mudar tão drasticamente de atitude no espaço de apenas algumas horas? De beligerantes para pusilânimes e voltando a ser beligerantes quase do dia para a noite.

Embora se assuma que a derrubada do avião foi decidida e aprovada em altos níveis do governo em Ancara em circunstâncias que merecem a descrição de um ato de agressão ou mesmo de guerra contra a Rússia, foi certamente um movimento de ousadia, audácia e imprudência. No entanto, nas 24 horas seguintes, Ancara aparentemente se consumiu em ansiedade em relação ao que havia acabado de fazer. Mas subitamente Erdogan parece ter adquirido em algum lugar uma espinha dorsal, que lhe fez retomar uma atitude truculenta em relação à Rússia.

A conduta errática de Erdogan e seus comparsas em Ancara demonstram claramente que eles não tinham o menor controle da situação. Claro, naquelas alturas eles podiam apenas especular. Mas façamos uma conjectura que parece razoável, de que Ancara levou a efeito uma emboscada contra o jato russo a sangue frio, de forma premeditada, como disse o Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Vamos também conjecturar, razoavelmente, que tal ato deliberado de agressão foi conduzido em colusão com os Estados Unidos, que opera a base aérea turca na província de Hatay, mesmo ao lado da fronteira síria onde ocorreu o incidente.

Faz sentido pensar que Washington poderia concordar com uma emboscada aérea, sabendo que isso geraria uma tensão geopolítica que impediria por outro lado, a movimentação do presidente francês François Hollande para a formação de uma coalizão ainda maior contra o Estado Islâmico e com a inclusão e participação da Rússia.

Porque os Estados Unidos não estão sendo sérios a respeito da formação de uma coalizão. Na realidade são implacavelmente contra isso, porque o Estado Islâmico e outros jihadistas mercenários são uma criação secreta dos Estados Unidos e de seus aliados na OTAN, o que inclui a Turquia, para lutar por eles com o objetivo de uma mudança de regime na Síria.


Resultado de imagem para Obama and erdoganAssim, a Turquia de Erdogan fez o trabalho sujo para Washington contra a Rússia, sob a cobertura dos Estados Unidos. Mas na sequência imediata, Ancara evidentemente se borrou de medo em relação ao que havia acabado de fazer, sem dúvida com medo da reação e da fúria de Rússia. Foi quando Washington foi até Erdogan e lhe disse para “tener cojones”. Foi daí que surgiu a reviravolta mal humorada da Turquia no espaço curto de apenas 24 horas.

Todos os acontecimentos observados só servem para demonstrar que Erdogan com sua conversa de machão, não passa de um menino de recados choramingas e ridículo de seu patrão em Washington.

Finian Cunningham - nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.