sábado, 24 de outubro de 2015

Surge o Primeiro Caso Oficial de Câncer em Fukushima
         
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tradução mberublue         

O governo japonês admitiu pela primeira vez que um trabalhador da planta nuclear de Fukushima desenvolveu câncer depois de ter trabalhado na descontaminação que se seguiu ao desastre nuclear de 2011.
O homem trabalhou na planta danificada por mais de um ano, durante o qual este exposto a 19.8 milisieverts (Sievert – medida do impacto da radiação ionizada no ser humano – NT) de radiação, quatro vezes mais que o limite admitido pela legislação japonesa. Atualmente, ele tem leucemia.


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o acidente em Fukushima

Masao Yoshida, antigo administrador da planta de Fukushima, por sua vez também desenvolveu um câncer de esôfago que o levou à morte em 2013 – mas a empresa Tepco, proprietária e operadora da planta nuclear tenta evitar ser responsabilizada, alegando que o câncer desenvolveu-se muito rapidamente.
Outros três trabalhadores de Fukushima também contraíram câncer, mas seus casos ainda têm que ser avaliados.
Foi depois do tsunami de 11 de março de 2011 que aconteceu o desastre nuclear em Fukushima. Três dos quatro reatores nucleares fundiram, nuvens de radiação mortal foram liberadas em seguida a uma explosão de hidrogênio, e o combustível nuclear aparentemente se fundiu nos vasos reatores nucleares e derramou-se nas ou através das fundações de concreto.
A ponta de um iceberg

Ocorre que a revelação de um único caso “oficial” de câncer é apenas o começo. Novas pesquisas científicas indicam que mais centenas de casos devem acontecer entre a população local.

Um excesso de casos de câncer da tireoide, trinta vezes maior que o normal, foi detectado entre mais de 400.000 de jovens com menos de 18 anos na área de Fukushima.
De acordo com os cientistas, “Usando-se um período de latência de 4 anos, existe uma elevação da taxa de casos que foi observada no centro distrital da cidade, em comparação com a taxa anual de incidência no Japão como um todo”.
Em uma primeira triagem para o Câncer de Tireoide entre 298.577 pessoas quatro anos depois do desastre, o câncer de tireoide ocorreu numa proporção 50 vezes maior entre aquelas que residem nas áreas com irradiação mais alta, que entre a população em geral, com uma taxa de 605 casos a cada milhão de pessoas examinadas.
Quando da realização de uma segunda triagem que abrangeu 106.068 jovens efetuada em abril de 2014, em parte com menor irradiação da comarca, o câncer foi 12 vezes mais comum que para o total da população.
O câncer da tireoide comumente se desenvolve como resultado de exposição aguda à radioatividade do iodo131, um produto da fissão nuclear. Como o iodo se concentra na tireoide, as doenças da tireoide, incluindo-se o câncer, são uma marca característica da exposição à precipitação nuclear.
A exposição ao iodo131 apresenta alto risco na sequência imediata de um acidente nuclear, devido à sua curta vida média de apenas oito dias, o que faz com sua radioatividade seja intensa. Estima-se que o iodo131 compõe cerca de 9,1% do material radioativo  liberado em Fukushima.
Acontecerão ainda muito mais casos!

Os autores do documento observam que a incidência de Câncer de tireoide é alto mesmo em comparação com o desastre nuclear de Chernobyl, acontecido em 1986 ao qual se seguiu a mesma exposição – e alertam que provavelmente ainda surgirão muito mais casos:
 “Concluindo, entre jovens com 18 anos de idade ou menos em 2011 na cidade de Fukushima, existe um excesso de 30 vezes em comparação com dados externos, variando na comparação com dados internos na incidência de câncer da tireoide que foi observada em Fukushima apenas quatro anos depois do acidente com a planta de energia nuclear. É improvável que a extensão do problema possa ser delimitada apenas com as triagens efetuadas.”
 “Os excessos de casos de câncer na tireoide em Chernobyl, cresceram depois de 4 ou 5 anos em Belarus e na Ucrânia. Dessa forma, dado o que ali se observou devemos nos preparar para um  potencial de muito mais casos dentro de poucos anos”.
Estudos científicos das vítimas de Chernobyl também dão conta que o risco de desenvolver câncer de tireoide continua por um longo tempo – em outras palavras, não há diminuição significante do risco de desenvolver o câncer apenas pela passagem do tempo, entre as pessoas expostas ao iodo131.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, resumindo os resultados em 2011,  

 “Os pesquisadores não encontraram qualquer evidência, pelo menos durante o período do estudo realizado, que indicasse uma diminuição, ao longo do tempo, da incidência de câncer para aqueles que viviam na área, quando do acidente”.
 “Entretanto, outra análise prévia com sobreviventes que receberam radioatividade e foram medicados após uma explosão atômica, constatou que o risco de contrair câncer declinou após 30 anos da exposição, mas ainda era elevado após 40 anos decorridos. Os pesquisadores creem que será necessária a continuação do acompanhamento dos participantes do estudo que realizaram para determinar um eventual declínio do risco, que provavelmente ocorrerá”.
A Organização Mundial de Saúde subestimou a liberação de radiação em Fukushima?

Os autores do estudo realizado em Fukushima sugerem que talvez o total de radiação liberada em Fukushima pode ser, de fato, maior do que o que foi estimado pela Organização Mundial de Saúde e outros órgãos oficiais.
 “Acrescente-se que poderíamos inferir a possibilidade de que a exposição dos residentes na área ocorreu em doses mais altas que o relato oficial ou que a dose estimada pela Organização Mundial de Saúde, porque o número de câncer da tireoide cresceu mais rápido do que o que deveria acontecer, baseado nos dados de análise oferecidos pela organização”.
Outra consideração – à qual os autores não se referiram – é o efeito de outras espécies de radioatividade que também foram emitidas no acidente, incluindo radiação de 17.5% por Césio137 e 38.5% de Césio134 tais betaemissores (30 anos e 02 anos, respectivamente) apresentam um risco ainda maior no longo prazo, já que o elemento relaciona-se ao potássio o pode rapidamente ser absorvido pela biomassa e grãos usados na alimentação.
Há ainda outras fontes de radiação extremamente perigosas e de longa vida, como o plutônio239 (meia vida de 24.100 anos) e que é muito difícil de ser detectado. Mesmo a inalação em uma nanoescala entra nos pulmões e pode vir a ser a causa de câncer do sistema linfático décadas após o evento, porque continua ininterruptamente a “queimar” tecidos e células ao redor.
O documento: “A detecção de câncer da tireoide por ultrassom entre residentes com 18 anos e menos em Fukushima, Japão: 2011 a 2014” publicado em Epidemiology.
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OLIVER TICKELL edita O Ecologista, onde este artigo foi publicado originalmente.