quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O Império mais estúpido que já surgiu no Mundo.


 
Dmitry Orlov (ClubOrlov)
Tradução mberublue.
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Não pude deixar de perceber que durante as últimas semanas o Império Norteamericano se comportou de maneira extremamente imbecil – tão idiota mesmo que acredito que já merece o título de “Império Mais Estúpido que Já Surgiu no Mundo”. Alguém poderia afirmar que o Império comportar-se de maneira burra não é novidade, mas acontece que os recentes acontecimentos assinalam na direção de um salto gigantesco no nível de imbecilidade.


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Gen Lloyd J. Austin III
O primeiro lampejo de extrema burrice mostrou a cara feia quando o General Lloyd J. Austin III, Diretor Geral do Comando Central dos Estados Unidos disse em uma sessão do Senado que apenas um pequeno número de combatentes sírios treinados pelos EUA ainda estão na luta – talvez algo como... cinco. A conta para treinar todo o contingente de “rebeldes moderados” ascendeu a 500 milhões de dólares. Como restaram cinco, cada um custou a bagatela de 100 milhões de dólares americanos, mas está tudo bem, afinal, são tão bons quanto o valor pago aos empreiteiros militares. Mas as coisas vão de mal a pior quando se verifica mais tarde que mesmo estes lutadores remanescentes foram roubados pelo Estado Islâmico, ISIS, ISIL, Daesh, al Qaeda na Síria (ou seja lá como preferem ser chamados hoje), com seus carros e armas levados embora.

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Tte Gen. Casey, Mars Attakcs
Dá até para imaginar que o General Austin é a reencarnação do Tenente General Casey no filme de Tim Burton, “Marte Ataca!” Já seria idiota o bastante, mas atualmente, definitivamente ele deu um passo à frente, tanto nos termos de classificação quanto nos de nível de burrice.

O outro momento de idiotice aconteceu na Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, quando Obama, que acabou por falar por 30 minutos em vez dos 15 que eram permitidos a qualquer chefe de Estado (será que o Sr. Presidente Idiota não sabe ver as horas?) e usou todo o tempo para dizer coisas que não fazem o menor sentido para ninguém.

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Mas foi o discurso de Putin que expôs a imbecilidade do Império para todos apreciarem quando repreendeu duramente os Estados Unidos por fazer uma bagunça sangrenta no Oriente Médio com suas intervenções desastradas. A citação, já frequentemente repetida, seria “vocês pelo menos entendem o que fizeram?” mas isso não é uma tradução exata. O russo “Вы хоть понимаете теперь, чего вы натворили?” pode ser traduzido mais acuradamente assim: “Como podem vocês ainda não terem entendido a bagunça que fizeram?” Palavras são importantes: não é dessa maneira que se fala com uma superpotência antes de uma assembleia de líderes mundiais; fala-se assim quando se quer admoestar uma criança birrenta. Aos olhos do mundo inteiro, isso fez o Império parecer o que é: estúpido.

O que aconteceu em seguida foi que a Rússia anunciou com todas as letras que iniciaria uma campanha de bombardeios contra todos os tipos de terroristas que assolam a Síria (e talvez no Iraque também; o pedido iraquiano para que haja uma intervenção russa já está nas mãos de Putin). Mas o que é realmente notável nesta campanha de bombardeios é que ela é completamente legal. O governo legítimo e democraticamente eleito da Síria pediu ajuda à Rússia; a campanha foi aprovada pelo Parlamento Russo. Por outro lado, a campanha de bombardeio levada a efeito pelos Estados Unidos é completamente ilegal. Existem apenas duas maneiras, e só duas, de conduzir legalmente uma campanha de bombardeios no território de outro país: 1. Um pedido que seja emitido pelo governo daquele país e 2. Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos não obtiveram nem uma nem outra.


Por que isso é importante? Porque o Conselho de Segurança da ONU foi instituído exatamente para a prevenção de guerras, ao tornar difícil para qualquer país engajar-se em lutas uns com os outros, sem que sofressem todo o tipo de repercussões políticas e econômicas. Depois da Segunda Guerra Mundial chegou-se à conclusão que as guerras são coisas abomináveis e que alguma coisa tinha que ser feita para evitar que acontecessem. Mas os Estados Unidos sentem que isso é um tanto quanto desnecessário. Quando um correspondente de uma agência de notícias russa (Gayane Chichakyan, da RT) perguntou ao Secretário de Imprensa da Casa Branca sobre que base legal os Estados Unidos estavam bombardeando a Síria, ele em primeiro lugar fingiu que não tinha entendido a pergunta, depois balbuciou algumas palavras incoerentes, parecendo um débil mental. Como você já sabe, os Estados Unidos adoram uma guerra (ou, pelo menos, os fornecedores de armas ao exército norteamericano adoram uma guerra, porque essa é a maneira pela qual eles ganham dinheiro, e acontece de serem muito importantes e influentes no governo norteamericano). Mas mesmo assim, os Estados Unidos não conseguem ganhar nenhuma guerra, e isso faz com que eles cometam bobagens e pareçam idiotas em cada guerra da qual participam (um jeito assassino de ser).

Apesar da recalcitrância dos Estados Unidos, a ONU de fato acaba por prevenir guerras. Recentemente preveniu os EUA de que não deveriam efetuar uma “campanha limitada de bombardeio contra a Síria em resposta ao descarado uso de armamentos químicos” (ou pelo menos foi o que Obama disse durante discurso na ONU). Nisso, teve uma boa ajuda da diplomacia russa e no curso das negociações a Síria entregou voluntariamente seus estoques de armas químicas. Sem se importar com a diplomacia, os Estados Unidos mandaram um par de mísseis de cruzeiro em direção à Síria, os quais foram prontamente derrubados pelos russos, que os alvejaram no espaço, fazendo com que o Pentágono repensasse suas ações, e claro, fazendo mais uma vez com que os Estados Unidos fossem vistos como imbecis.

Mas quando você se esforça para fazer de si mesmo uma besta, para que parar? De fato, Obama parece não ter a menor intenção de parar.  Praticamente toda a audiência da Assembleia das Nações Unidas sabe que o suposto ataque do governo sírio contra seu próprio povo jamais aconteceu. As armas químicas foram fornecidas pela Arábia Saudita e então utilizadas pelos rebeldes sírios sobre si mesmos. Mentir, quando todos sabem que você está mentindo, e sabem que você sabe que está mentindo: como se poderia ser mais ridículo?


Muito bem. Que tal ficar com um papo interminável sobre “liberdade e democracia” – no Oriente Médio, depois de lançar a região inteira no mais completo caos através de suas intervenções, que parecem ter saído da mente de um zumbi? A única opinião razoável sobre o assunto nos Estados Unidos parece ser a de Donald Trump, que recentemente declarou que o Oriente Médio era mais estável sob Saddam Hussein, Muammar Kadafi e Bashar al Assad. Realmente, era. O fato de que o único politico não completamente imbecil dos Estados Unidos é Trump – que passa o tempo todo se gabando em cima de um saco de dinheiro – dá um bom exemplo da imbecilidade que grassa no país como um todo.


Ficar papagueando sobre “liberdade e democracia” no Oriente Médio também é uma tolice porque a região inteira é tribal – foi tribal por alguns milhares de anos e continuará tribal por alguns milhares mais. Em cada local, alguma tribo estará no comando. Se a ideia é repartir a terra em unidades territoriais soberanas (nenhuma das quais pode ser qualificada como uma nação porque no final todas serão multinacionais) então cada unidade territorial acabará nas mãos de uma determinada tribo enquanto as demais ficam insatisfeitas. Cometa um erro desses ou explore essa insatisfação tribal para promover qualquer espécie de “mudança de regime” e a região inteira invariavelmente queimará até os alicerces.


Um exemplo disso é Israel: está nas mãos da tribo que manda em tudo – os Judeus, e eles podem matar qualquer um impunemente. Isso é considerado “democrático” porque os Judeus podem votar, o que é muito bom. Para os Judeus. Os alawitas na Síria também podem votar – e votam em Bashar al Assad – sendo assim, por que em Israel isso é correto e na Síria não é? Porque os norteamericanos são uns hipócritas que baseiam suas ações em dois pesos e duas medidas.

Tudo isso é claro como água. A Arábia Saudita é governada também por uma tribo – a Casa de Saud, e todos os demais estão privados de qualquer direito. O Iraque era governado pelos sunitas da tribo de Saddam Hussein, mas os Estados Unidos acabaram com a festa e agora o que restou é governado pelos xiitas do sul do país enquanto os sunitas ou fugiram ou se juntaram ao Estado Islâmico. Isso pode parecer muito simples para qualquer um, mas não para os norteamericanos, porque aceitar isso iria contra a sua ideologia, que impõe que o mundo todo deve ser remodelado à imagem dos Estados Unidos. Então eles continuam tentando fazer assim (ou continuam a fingir que estão tentando, porque na realidade os resultados não importam muito desde que os fornecedores de armas estejam sendo pagos) e parecem não dar a mínima quanto ao fato de isso lhes fazer parecer um bando de idiotas.


O padrão típico é mais ou menos assim: os Estados Unidos bombardeiam um país até que este fique em pedaços, montam uma grande invasão por terra, colocam no poder um fantoche qualquer e, rapidamente (ou não) caem fora. O regime fantoche cai por terra e então você tem ou um caos totalmente ingovernável ou alguma forma nova e especialmente desagradável de ditadura, ou um pouco de cada, um estado falido, como a Líbia e o Iêmen, e grande parte do Afeganistão, Iraque ou Síria. Nada disso importa muito, a não ser o resultado (desde que os fornecedores de armas estejam sendo pagos) porque o lema preferido dos Estados Unidos parece ser “pareça ridículo e vá em frente”. Destruir mais um país – porque isso significa a próxima campanha de bombardeio.


Aqui todos se tornam mega bobos: na Síria eles não poderão fazer mais do que já alcançaram. Os norteamericanos ficaram lançando bombas contra o Estado Islâmico já por mais de um ano; enquanto isso, o Estado Islâmico foi se tornando cada vez mais forte e ocupando cada vez território mais amplo. Só que eles não parecem tão interessados em derrubar Assad; em vez disso, os meninos do Estado Islâmico parecem muito ocupados em se pavonear pelo deserto com suas cabeças cobertas com panos negros e usando tênis de basquete brancos, fazendo selfies, explodindo sítios arqueológicos, escravizando mulheres e degolando qualquer um de quem não gostem.


Mas agora parece que os russos já conseguiram em cinco dias de bombardeio o que os norteamericanos não puderam fazer em um ano e os meninos do Estado Islâmico estão fugindo para Jordânia; outros querem ir para a Alemanha em busca de asilo. Isto está deixando os norteamericanos preocupados, porque, você vê, os russos estão bombardeando os terroristas “deles” – aqueles que eles recrutaram, armaram e treinaram... e daí são bombardeados? Tá bom, sei que parece uma idiotice – mas é verdade. Os russos não tem nada a ver com isso, porque sua postura é a seguinte: se alguém parece com um terrorista e grasna como um terrorista, então é terrorista. Logo, bomba neles!


Mas é perfeitamente compreensível que essa postura seja profundamente impopular para os norteamericanos: aqui estavam eles na tranquilidade, cuidadosamente enchendo o lugar de armas e equipamentos, e bombardeando cuidadosamente apenas as margens, não vá a gente explodir nossos próprios ativos, e os russos chegam e simplesmente explodem com tudo! Os sauditas estão absolutamente furiosos; porque foram eles que pagaram por muito do que está sendo bombardeado agora. Mais: os terroristas são os seus próprios irmãos Wahabi-Tafkiri – aqueles que gostam de chamar as outras várias vertentes do Islã de infiéis, contrariando dessa forma a sua própria Lei da Sharia.
Por acaso você está lembrando de alguém? Alguém burro?


Não parece que os Estados Unidos possam fazer qualquer coisa para parar os russos, ou os chineses que também querem um pouco de ação contra o Estado Islâmico, ou ainda aos guerreiros iranianos e do Hezbollah, que estão prontos para marchar e acabar de vez com o que restar do Estado Islâmico depois que o bombardeio cumprir a missão de destruir todo o material de guerra que eles juntaram. Assim, parece que está na hora dos Estados Unidos iniciarem uma Guerra de informação, acusando os russos de causar mortes de civis.


Claro, sendo norteamericanos, eles têm que processar as informações da maneira mais estúpida possível. Primeiro você começa a reclamar das fatalidades entre civis antes mesmo que qualquer avião russo tenha levantado vôo. Epa! Depois você enche as redes sociais de fotos falsas de crianças feridas produzidas de antemão por artistas em capacetes brancos pagos por George Soros. Depois, quando for solicitada qualquer evidência, você simplesmente se recusa a providenciar qualquer uma.


Resultado de imagem para ataque ao hospital dos Médicos sem FronteirasAté aqui tudo bem, mas deixe a burrice subir a alturas estratosféricas. Imediatamente depois de acusar largamente os russos de estarem causando mortes de civis, os norteamericanos explodiram um hospital no Afeganistão que era dirigido pelos Médicos Sem Fronteiras, mesmo depois de terem sido informados da localização do hospital antes e durante o bombardeio. “Não mate civis... como nós!” Pode alguma coisa vir a ser mais imbecil que essa? Claro que pode:  os Estados Unidos podem começar a mentir de forma descarada sobre o acontecimento trágico: “Havia lutadores Talebans escondidos no Hospital!” – não, não havia; “Os próprios afegãos nos pediram que bombardeassem o hospital!” – não, eles não pediram. Bombardear aquele hospital foi um crime de guerra – foi o que disse a ONU. Será que os russos depois disso ouvirão ainda muitas críticas sobre crimes de guerra? Não seja bobo!


É duro ter que dizer isso, mas qualquer coisa parece possível agora. Por exemplo, os Estados Unidos já não parecem ter qualquer política externa. A Casa Branca diz uma coisa, o Departamento de Estado outra, o Pentágono afirma uma terceira, Samantha Power, embaixadora dos EUA na ONU pratica a sua própria política externa através do Twitter e o senador John McCain quer armar os rebeldes para derrubar os aviões russos (todos os cinco rebeldes que restaram? John, não seja estúpido!). Como consequência de toda essa confusão, os fantoches políticos dos EUA na União Europeia começam a ficar incontrolavelmente nervosos e a agir fora do combinado, porque aparentemente o centro da ação em Washington não mais manda sinais claros sobre coisa alguma.


Como vai acabar tudo isso? Bom. Desde que estamos todos nos tornando tolos, deixem-me fazer uma humilde sugestão: Os Estados Unidos podem de repente despejar algumas bombas na Beltway em Washington e depois bombardear condados na Virgínia, por exemplo. A ação faria com que diminuísse significantemente nossa capacidade de ser extremamente imbecis. E se não funcionar, tanto faz. Afinal, os resultados não importam. Enquanto os comerciantes de armas estiverem sendo pagos, tudo estará bem.


Dmitry Orlov -