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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Segunda Guerra Mundial:
A Guerra Desconhecida



por Dr. Paul Craig Roberts


Em minha coluna de seis de junho, “As mentiras só aumentam...” mencionei que Obama e o primeiro ministro britânico, o cão de colo de Obama, da mesma maneira que Bush tinha seu cão de colo britânico, Tony Blair, conseguiram celebrar a derrota do nazismo alemão no aniversário dos setenta anos da Normandia sem mencionar os russos.

Salientei o fato de que, como bem sabem os historiadores e pessoas instruídas, o Exército Vermelho já tinha derrotado o nazismo alemão bem antes que os Estados Unidos sequer estivessem aptos a participar da guerra. Com certeza a invasão da Normandia não foi o fato que derrotou os nazistas. O que na realidade a invasão da Normandia evitou foi que o Exército Vermelho se derramasse por toda a Europa.

Como já ressaltei em outras colunas, alguns norte americanos, se não muitos, têm crenças que não são baseadas em fatos, mas em emoções. Então, eu sabia que minha coluna deixaria pelo menos uma pessoa furiosa... e ficou. JD, do Texas, escreveu para me elucidar. Foram “nossos rapazes americanos” e mais ninguém, que ganharam aquela guerra. JD nem tem conhecimento de que os russos estiveram na mesma guerra.

Antes de fazer o papel de palhaço, JD poderia ter consultado uma enciclopédia, ou um livro de história, ao mesmo entrar na internet e consultar a Wikipedia. Mas não. Ele preferiu descarregar sua raiva em mim. JD é o exemplo perfeito da política externa dos Estados Unidos: intrometer-se em cada luta da qual você não sabe patavinas, fazer um grande escarcéu e ficar com os créditos da luta que outros vencerão.

De repente me dou conta de que a Segunda Grande Guerra aconteceu há tanto tempo que restam poucas pessoas vivas que se lembram dela e a esta altura até mesmo esses poucos provavelmente recordam a versão de propaganda política que eles têm ouvido a cada comemoração do Memorial Day e 04 de Julho desde 1945. Não é de se admirar que nem Obama nem Cameron ou os idiotas que escrevem seus discursos não saibam coisa alguma sobre a guerra que estão a comemorar.

Propaganda política sempre foi o nosso forte. A diferença é que hoje, em pleno século 21, nós só temos a propaganda política. Mais nada. Só mentiras. Mentiras se tornaram a especialidade dos norte americanos. Tal como é, o mundo real é desconhecido para a maioria dos norte americanos.

Em 1973 a televisão britânica exibiu uma série de documentários que relatam a Segunda Grande Guerra. Dos 28 episódios, em apenas três deles e em uma parte de um quarto episódio reconhecem a participação russa na guerra. Do ponto de vista britânico a vitória foi Anglo Americana.

Para o governo Soviético, isso não ficou bem. Seus arquivos de filmes sobre a guerra foram oferecidos ao ocidente. Em 1978 uma série composta de 20 episódios de 48 minutos foi exibida em um documentário norte americano de televisão, narrado por Burt Lancaster. O título do documentário era: “A guerra desconhecida”.

Criados ouvindo propaganda política como são os cidadãos americanos, com certeza a guerra era para eles uma completa desconhecida.

O documentário “A guerra desconhecida” foi como uma revelação para os norte americanos porque demonstra sem margem para dúvidas que os nazistas da Alemanha perderam a Segunda Grande Guerra no front russo. Dos 20 episódios, “Os Aliados”, isto é, os Anglo Americanos e a França livre aparecem apenas no de número 17. Mas um em vinte não passa da proporção correta para a participação do ocidente na derrota da Alemanha Nazista.

Se você pesquisar na internet, encontrará “A guerra desconhecida” com apenas uma entrada na Wikipedia. Pode ser que a série ainda esteja disponível no YouTube. Ela foi retirada do ar quando a União Soviética invadiu o Afeganistão, uma besteira que ocorre repetidamente, provocada por beócios em Washington. Para Washington, era mais importante demonizar a União Soviética que qualquer verdade histórica ser apresentada. Por isso, a verdade documentada na série “A guerra desconhecida” foi expulsa da TV dos Estados Unidos. Posteriormente, o documentário reapareceu no History Channel.

Em meu artigo de 06 de junho eu disse, de acordo com o consenso entre historiadores, que a Alemanha Nazista perdeu a guerra em Stalingrado. Neste artigo: http://www.globalresearch.ca/70-years-ago-december-1941-turning-point-of-world-war-ii/28059 o historiador Dr. Jacques R. Paulwels diz que a Alemanha perdeu a guerra 14 meses antes, na Batalha de Moscou em Dezembro de 1941. É uma boa argumentação. Concorde-se ou não com ele, os fatos que apresenta são reveladores para os “americanos excepcionais, indispensáveis” que acreditam piamente que sem eles, nada acontece.

A invasão da Normandia, em junho de 1944 aconteceu 2,5 anos depois que a Alemanha perdeu a guerra na Batalha de Moscou. Como os historiadores tornaram claro, em junho de 1944 a Alemanha tinha bem pouco com o que lutar. Tudo o que sobrou do exército alemão estava no front oriental.

Na comemoração dos setenta anos da invasão da Normandia, na França, Obama informou ao seu capacho francês, o presidente Hollande, que ele, Obama, o governador do país excepcional, não se sentaria à mesa para jantar com Putin, o russo. Norte americanos são bons demais para comer na companhia de russos. Daí, Hollande tinha que promover dois jantares. Um para Obama, outro para Putin. A comida francesa ainda é muito boa, graças ao banimento dos alimentos geneticamente modificados e provavelmente Hollande não se importou. Eu mesmo gostaria de estar nos dois jantares, mesmo para comer sozinho.

Como geralmente acontece com toda a notícia que é realmente importante, o jantar para Putin e o que significa não foi objeto da atenção da mídia presstituta americana, a maior coleção de putas que há no mundo. Se não me falha a memória, normalmente os russos são deixados de lado nas comemorações sobre a Normandia. Afinal de contas, a guerra foi ganha no ocidente, o que é que os russos têm a ver? Nada, é claro. “Nossos rapazes” fizeram tudo, como bem me informou JD. Russos? Que russos?

Ocorre que desta vez a França convidou Putin para as celebrações. Putin não foi orgulhoso. Compareceu. Nas horas de folga, Putin conversou com políticos europeus, e esses políticos tiveram a oportunidade de ver uma pessoa real, não uma farsa ambulante como Obama.

A superioridade flagrante da diplomacia russa sobre a de Washington é clara como água para todos. A posição de Putin é: “estamos juntos nisso. Podemos resolver as coisas”. A posição de Washington é: “obedeça ou será bombardeado até voltar à idade da pedra”.

A Rússia acolhe seus estados clientes. Washington não. Putin disse que está disposto a trabalhar para resolver as coisas com o corrupto bilionário imposto por Washington para governar a Ucrânia, enquanto Washington forçou os búlgaros a parar os trabalhos de construção do gasoduto South Stream. Este gasoduto para transporte de gás natural, evita a Ucrânia e passa sob o Mar Negro indo até a Bulgária. Como a Ucrânia, novo estado fantoche de Washington não pagou nem paga sua dívida bilionária (em dólares) de gás natural à Rússia e ameaça romper os gasodutos para a Europa com o propósito de roubar o gás que seria destinado aos europeus, a Rússia, apesar das sanções do ocidente, preparou-se para construir um novo gasoduto dirigido à Europa, com a finalidade de que os europeus não necessitem desligar as máquinas de suas indústrias, não congelem no inverno e não tenham a economia em colapso por necessidades energéticas não supridas.

Para Washington, o compromisso de Putin com a Europa não passa de uma ameaça e trabalha para evitar qualquer fluxo de energia da Rússia para a Europa.
Contrastando com a posição de Putin, a posição de Washington é: Não damos a menor importância para nossos fantoches europeus. Como o resto da humanidade, os fantoches europeus não contam e são dispensáveis, um mero dano colateral na guerra do país indispensável pela hegemonia mundial.

Tudo o que importa para Washington é causar algum tipo de dano para a Rússia, sem se importar com os danos causados aos seus regimes fantoches na Europa Ocidental e Oriental, o que inclui o imbecil governo polonês, talvez o único governo em cima do planeta Terra que seja ainda mais idiota que Obama.

Washington está tentando fortemente interromper as relações econômicas da Europa com a Rússia. Prometeu suprir à Europa com gás natural dos Estados Unidos, obtido através da exploração do gás de xisto. A promessa é mais uma mentira, como é mentira tudo o que Washington diz.

Em 20 de maio o jornal Los Angeles Times relatou que “as autoridades federais cortaram em 96% a expectativa de óleo recuperável no grande depósito de xisto de Monterey”. A formação de Monterey de petróleo de xisto contém cerca de dois terços da reserva total dos Estados Unidos e desta reserva, apenas 4% é recuperável. http://www.latimes.com/business/la-fi-oil-20140521-story.html

Quanto ao gás, William Engdahl relatou que, no melhor dos mundos, os Estados Unidos tem cerca de 20 anos de gás natural recuperável através do fracking, e que o preço desta extração será a degradação das águas de superfície e subterrâneas dos Estados Unidos. Especialistas assinalaram que a infraestrutura para transportar o gás natural dos Estados Unidos para a Europa ainda não existe e que demorará três anos para que essa infraestrutura seja construída. O que fará a Europa por três anos enquanto espera pela energia dos Estados Unidos para substituir a energia cortada da Rússia? A Europa ainda estará lá?

Que os vassalos europeus dos Estados Unidos tomem nota: Washington está preparado para destruir a economia de seus vassalos a fim de marcar pelo menos um ponto contra a Rússia.

Como é possível que até agora a Europa ainda não tenha entendido como pensa Washington? Aquele saco de dinheiro deve ser bem grande.

Como já disse aqui muitas vezes o Secretário Assistente de Defesa para Assuntos Internacionais de Segurança me falou anos atrás que Washington compra políticos europeus com sacos cheios de dinheiro. Resta saber se os “líderes” europeus estão dispostos a sacrificar seus povos e suas reputações para se tornarem cúmplices na guerra que Washington está planejando contra a Rússia, uma guerra que pode significar o fim da vida na Terra.

A Europa está sendo convocada. Se os líderes disserem a Washington “não acontecerá, esquece!” o mundo estará salvo.


Se, ao invés disso, os políticos europeus quiserem o dinheiro, o mundo estará condenado.

Os europeus seriam os primeiros a ir.



Dr. Paul Craig Roberts nascido em 03 de abril de 1939 é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

Tradução: mberublue







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domingo, 8 de junho de 2014

As mentiras só aumentam...


 
por Paul Craig Roberts


Se por acaso ainda houvesse alguma dúvida de que os líderes do ocidente vivem em um mundo de faz-de-conta fantasioso elaborado a partir de suas mentiras, a reunião do G-7 e a celebração do 70º aniversário do desembarque na Normandia acabou com a dúvida.
As besteiras que foram gritadas nessas ocasiões bastam para explicitar quem é quem. Obama, com seu cãozinho de colo Cameron ao lado, descreveu o desembarque da Normandia em 06 de junho de 1944 como sendo “a maior força de liberação que o mundo já conheceu” e fez com que os Estados Unidos e a Grã Bretanha ficassem com todo o crédito da derrota de Hitler.  Nem a mais leve menção sobre a União Soviética e o Exército Vermelho, que por três anos, ainda antes do desembarque da Normandia já estavam lutando e derrotando a Wehrmacht.

alemães em Stalingrado
A derrota alemã na Segunda Guerra Mundial aconteceu na batalha de Stalingrado, que foi travada no espaço de tempo entre 23 de agosto de 1942 até 03 de fevereiro de 1943, quando a maioria dos remanescentes do poderoso Sexto Exército Alemão se rendeu, incluindo 22 generais.

A verdadeira maior força de invasão já montada no planeta Terra foi a que invadiu a Rússia, através de uma frente de batalha de mil e seiscentos quilômetros. Três milhões de tropas alemãs de primeira linha; 7.500 unidades de artilharia, 19 divisões panzer com 3.000 tanques e 2.500 aviões deslocaram-se pela Rússia por 14 meses.

Em junho de 1944, três anos depois, restava bem pouco dessa força. O Exército Vermelho a tinha mascado. Quando os assim chamados “aliados” (um termo que aparentemente exclui a Rússia) chegaram à França, enfrentaram bem pouca resistência. As melhores forças que ainda restavam para Hitler estavam engajadas no front russo, que desabava dia após dia, conforme o Exército Vermelho se aproximava de Berlim. 

a Alemanha foi o Exército Vermelho. Americanos e britânicos só se arriscaram depois que a Wehrmacht estava exausta e em farrapos e podia oferecer fraca resistência. Stalin acreditava que Washington e Londres ficaram na espera até o último minuto, deixando a maior parte do trabalho de derrotar a Alemanha com a Rússia.

Cineastas de Hollywood e escritores de best-sellers, naturalmente, enterraram os fatos bem fundo. Os americanos produziram todo o tipo de filme, como “Uma ponte longe demais”, que retratam acontecimentos pontuais e insignificantes, mesmo sendo heróicos, como pontos de virada da guerra. Não obstante, os fatos reais são claríssimos. A guerra foi vencida no front oriental pela Rússia. Filmes de Hollywood são divertidos, mas não passam de nonsense.

A Rússia mais uma vez está sendo escanteada pela “comunidade internacional” porque os planos de Obama para se apoderar da Ucrânia e expulsar a Rússia de suas bases no Mar Negro deram com os burros n’água. A Criméia tem sido parte da Rússia por mais tempo que a existência dos Estados Unidos. Khrushchev, um ucraniano, anexou a Criméia à República Socialista da Ucrânia em 1954 quando Rússia e Ucrânia faziam parte do mesmo país.  

Quando o governo ucraniano, fantoche de e imposto por Washington declarou que estava por abolir o uso da língua russa e mandaria prender ucranianos que tivessem dupla cidadania Ucraniana/Russa, e ao mesmo tempo começou a derrubar memoriais de guerra russos que foram consagrados à libertação da Ucrânia dos nazistas alemães, o povo da Criméia usou a câmara de votação e a urna para primeiro, se dissociar da Ucrânia declarando a própria independência e em seguida, para reunificar-se à pátria mãe.

Washington, assim como outros países do G-7, que seguem caninamente as ordens de Washington descreveram este ato de autodeterminação, que em nada se difere do ato de autodeterminação declarado pelas colônias britânicas na América, como se fosse um caso de “invasão e anexação pela Rússia”. Outros esforços semelhantes de separação de Kiev estão em curso em diversos territórios que hoje compreendem o leste e o sul da Ucrânia.  Washington tem equiparado o esforço de autodeterminação no leste ucraniano a “terrorismo” e encorajou seus fantoches em Kiev a usar violência militar contra manifestantes civis. A razão de chamar os manifestantes de “terroristas” é dar o OK para matá-los.

É muito esquisito para qualquer pessoa descobrir que o presidente dos Estados Unidos e os líderes dos estados da Europa ocidental declaram publicamente mentiras tão descaradas sobre o mundo. Há historiadores no mundo. O mundo tem pessoas esclarecidas com conhecimentos bem maiores que excedem de muito a mídia convencional também conhecida como Ministério da Propaganda Política, ou, como Geraldo Celente a chama, “a presstituta”. Seja lá como a chamamos, a mídia ocidental é uma coleção de putas bem pagas. Eles mentem por dinheiro, por convites para jantares festivos, e convites para grandes contratos com bons honorários para escrever livros com enormes adiantamentos.

Eu sei. Eles tentaram me recrutar.

Observe a forma restrita pela qual Washington define a “comunidade mundial”. A “comunidade mundial” consiste no G-7 o Grupo dos Sete. É isto. Sete países formam a chamada “comunidade mundial”, a qual, na visão de Washington, é composta de seis países e do fantoche de Washington, o Japão. A “comunidade mundial” é feita dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Japão. Todos os outros 190 paises não fazem parte da “comunidade mundial” de Washington. Pela doutrina neocon, sequer fazem parte da humanidade.

Toda a “comunidade mundial” não possui a população de apenas um dos países dela excluídos. Você pode escolher entre China e Índia. Não fiz os cálculos, mas provavelmente a massa terrestre da Rússia ultrapassa o total da massa terrestre da “comunidade mundial”.

Então, que diabos é essa “comunidade mundial”?

O conjunto dos países vassalos dos Estados Unidos forma a “comunidade mundial”. Alemanha, Inglaterra e França foram importantes no cenário do século 20. Suas histórias são objeto de estudos nas universidades. O padrão de vida de sua população é decente, embora não para todos. Seu passado é a razão de sua importância atual. Com efeito, estes países foram impulsionados pela história, ou pelo menos, pela história se tornaram importantes para o ocidente. O Japão, atualmente mero apêndice de Washington anela se tornar “ocidental”. É impressionante como pode um povo orgulhoso e guerreiro anular-se até o nada.

Bom. Como finalmente parei de gargalhar com a presumida desimportância da Rússia na derrota de Hitler, podemos retornar para a reunião do G-7. Desta vez o Grande Acontecimento da reunião foi a exclusão da Rússia, encolhendo o G-8 para tornar-se o G-7. 

É a primeira vez em 17 anos que a Rússia não tem permissão para participar da reunião do grupo do qual faz parte. Por quê?

A Rússia está sendo punida. Está sendo isolada dos sete países que o Idiota da Casa Branca houve por bem dizer que constituem a “comunidade mundial”.

Obama está bravo porque seu Conselho de Segurança Nacional e os idiotas que nomeou para o Departamento de Estado e para a ONU não têm educação ou conhecimentos suficientes para saber que a maior parte da Ucrânia consiste de antigas províncias russas habitadas por russos. Os imbecis ignorantes que Obama nomeou acharam que poderiam tomar a Criméia, expulsar a Rússia, tirando seu acesso ao Mediterrâneo, o que a tornaria incapaz de manter sua base naval em Tartur, na Síria, facilitando a invasão da Síria por Washington.

Tamerlão, o Grande
A Criméia tem sido parte da Rússia desde que a Rússia finalizou a reconquista dos tártaros. Eu me recordo da etnia Tártara ou Tartarlar, quando de minha visita a Timur, ao túmulo de Tamerlão o Grande, em  Samarkande (cidade do Uzbequistão. O nome quer dizer “cidade de pedra” – NT) há 53 anos. A cidade de Tamerlane atualmente foi convertida em um centro turístico. 53 anos atrás em vi um lugar desolado e em ruínas, com árvores crescendo por cima do topo dos minaretes.

Com o fracasso do plano de Obama de tomar a Ucrânia falhou, como se tornou comum em outros planos seus, os porta vozes de Washington para interesses privados resolveram aproveitar a oportunidade para demonizar Putin e a Rússia e restaurar a Guerra Fria. Obama e seus fantoches, ou vassalos, do Grupo dos 7, usaram a ocasião para ameaçar a Rússia com sanções reais, já que as sanções de fancaria da atual propaganda política não surtiram efeito. De acordo com Obama e seu cachorrinho de colo Cameron, Putin deve, sabe-se lá porque, evitar que a população russa da Ucrânia oriental proteste contra a subserviência a um governo neofacista em Kiev, apoiado por Washington e outros.

Supostamente Putin deveria abraçar fraternamente o oligarca, antigo ministro do governo derrubado pelo golpe patrocinado por Washington e colocado no cargo por falsos votos nos quais a participação da população votante da Ucrânia não passou de pequeno percentual do total. Putin deveria ainda beijar o oligarca corrupto nas duas faces, pagar as contas de gás natural da Ucrânia e esquecer todos os seus débitos. Adicionalmente, a Rússia em tese deveria repudiar o povo da Criméia, rever sua adição à Federação russa e entregá-los aos assassinos do Pravy Sektor (Setor da Direita – partido ucraniano neonazista – [NT]) para que sejam eliminados como vingança pela vitória russa contra a Alemanha nazista, pela qual muitos ucranianos ocidentais lutaram. Em troca de tudo isso, a OTAN e Washington colocarão muitas bases de mísseis nas fronteiras russas como forma de proteger a Europa de mísseis balísticos intercontinentais iranianos que não existem.

Deveria ser então um jogo de ganha-ganha para a Rússia...

O regime de Obama, usando suas muito bem pagas ONGs acabou por derrubar um governo democraticamente eleito, um governo que não era mais corrupto que qualquer outro da Europa ocidental, oriental ou que Washington.

Na Inglaterra, França, Alemanha e Itália, os idiotas que as comandam estão sacudindo seus punhos fechados na direção da Rússia, ameaçando com mais sanções, desta vez reais. Será que esses dementes realmente querem que seu próprio fornecimento de energia seja cortado? Não há perspectiva, apesar da propaganda política enganosa, de que Washington possa suprir a energia de que a indústria alemã depende, ou a da qual dependem os europeus para não congelar no próximo inverno.

Eventuais sanções contra a Rússia destruirão a Europa e terão pouco ou nenhum efeito sobre a Rússia. Esta já se movimenta, juntamente com China e o restante dos BRICS, para fora do mecanismo de pagamento em dólares.

Na realidade o que o Bobo da Casa Branca, o neoconizado Conselho de Segurança Nacional, a mídia presstituta e o Congresso estão a fazer é apoiar e dar suporte às suas políticas com base apenas na presunção e na arrogância, o que está levando os Estados Unidos para o abismo.

Um abismo assim é como um buraco negro. Você não consegue sair dele.

As mentiras de Washington são tão claramente flagrantes e transparentes que Washington está destruindo a própria credibilidade. Considere por exemplo o caso da espionagem levada a efeito pela NSA. Documentos revelados por Snowden e Greenwald tornam bem claro que Washington não apenas espionou líderes governamentais e o povo comum mas também empresas estrangeiras com o fito de privilegiar interesses comerciais e financeiros dos Estados Unidos. Nunca foi colocado em dúvida que os EUA roubam segredos comerciais chineses. Washington não apenas nega que os documentos apresentados provem alguma coisa, como posa de vítima e acusa cinco generais chineses de espionar empresas norte americanas.

Estas acusações descabidas e sensacionalistas têm apenas uma finalidade: propaganda política manipulada. De qualquer outra forma que se olhe, as acusações são totalmente sem sentido, se não simplesmente falsas. Claro que a China nem pensa em entregar cinco de seus generais para gáudio dos mentirosos em Washington, mas é uma oportunidade de ouro para a mídia presstituta desviar os holofotes da NSA e assestá-los na China, que vem a calhar para substituir a NSA como vilã.

Por que o Brasil, a China, a Alemanha e outros países espionados não emitem mandados de prisão contra os altos oficiais da NSA, contra Obama e contra os membros do Comitê de Fiscalização do Congresso? Por que permitem que os Estados Unidos sempre ataquem primeiro com sua propaganda manipulada para controlar as explicações?

O povo dos Estados Unidos é muito suscetível à manipulação política dos fatos. Parecem mesmo gostar disso. Pense no ódio instigado até agora contra o sargento Bowe Bergdhal, um soldado dos EUA recentemente libertado pelo Talibã em uma troca de prisioneiros. A comemoração que se realizaria em sua cidade natal festejando a sua libertação foi cancelada por causa da sede de sangue desencadeada pelo ódio com o qual a mídia presstituta atacou Bergdhal. A engenharia do ódio erguida pela mídia contra Bergdhal tem feito acontecer uma enxurrada de ameaças contra a cidade de Hailey, Idaho.

Mas afinal de contas, em que se baseiam os ataques contra Bergdhal? Aparentemente, a resposta é que Bergdhal, como a estrela do futebol americano Pat Tillman, que recusou um contrato de 3,6 milhões de dólares para se unir aos rangers do exército e entrar em combate pela liberdade no Afgeganistão, adquiriu um monte de dúvidas sobre a guerra. Originalmente, a morte de Pat Tillman foi atribuída a uma ação heróica e ao fogo inimigo. Depois, verificou-se que Tillman foi abatido por “fogo amigo”. Muitas pessoas concluíram que ele foi abatido porque o governo não precisa de um herói esportivo falando mal da guerra. Como agora Bergdhal está fora do alcance da batalha e do fogo amigo, ele tem que ser abatido pela imprensa, exatamente como a Rússia, China, Irã, Putin, Assad, o povo da Criméia e a população de língua russa na Ucrânia.


Nenhuma única virtude moral tem sido cultivada nos EUA, mas o cultivo do ódio e o ódio vão bem, obrigado.


Paul Craig Roberts - nascido em 03 de abril de 1939 é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

Tradução: mberublue



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