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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Raios me partam, Batman! Erdogan terá que sair!          


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Escrito por Finian Cunningham                  
Com tradução de NirucewKS063                   

http://www.informationclearinghouse.info/article43607.htm - RT O presidente da Turquia, ilustre sr. Recep Tayyip Erdogan acabou levando um belo chute na cara no decorrer da semana passada, desde a queda fatal de um avião de guerra russo. Ele arrogantemente desprezou as acusações de que estaria apoiando o terrorismo, e ainda por cima desafiou a Rússia a provar o que dizia. Bem... macacos me mordam, Batman!


Resultado de imagem para Batman, TurkeyBatman? Sim, Batman. Não o herói mascarado das histórias em quadrinhos, com suas capas esvoaçantes. Em vez disso, estamos falando de uma cidade do mesmo nome, localizada na Turquia, região sudeste. É ali que está centrada a indústria estatal turca de petróleo.

Também podemos creditar a Batman (a cidade, não o herói ;-) a duvidosa honraria de ser a rota preferencial de contrabando da rede instalada pelo Estado Islâmico de acordo com imagens de vigilância reveladas nesta mesma semana pelo Ministro da Defesa da Rússia.

Fotos de reconhecimento aéreo mostram filas de milhares de caminhões tanques no afã de transportar petróleo roubado dos campos pertencentes à Síria no leste do país, e convergindo para a cidade turca de Batman, perto da fronteira síria.
Durante os últimos dois anos, as operações de contrabando estão a pleno vapor, desde que a organização alcunhada de Estado Islâmico (ISIL, ISIS, Daesh, os leitores escolham aí), cravou as garras nos campos de petróleo no leste da Síria, nas cercanias da cidade de Deir Ezzor. Já se calcula que o comércio ilícito rende aos jihadistas para mais de 3.000.000 (três milhões) de dólares por dia, para, claro, ajudar a pagar a sua guerrinha particular contra o governo da Síria, representado pelo presidente Bashar-al-Assad.

Acontece que petróleo contrabandeado precisa de um comprador para que o empreendimento funcione. É aí que entra a Turquia. Nesta semana, antes dos dados revelados desde a Rússia através de seu Ministro da Defesa, o presidente Vladimir Putin já se cansara de repetir afirmações de que as autoridades turcas estavam envolvidas na facilitação do comércio para o petróleo roubado pelos terroristas. Na Conferência sobre Mudanças Climáticas em Paris o presidente Putin afirmou aos líderes dos países presentes que essa facilitação foi um dos fatores pelos quais os aviões turcos derrubaram um avião de guerra russo na última semana, com um dos pilotos perdendo a vida, e outro soldado russo morrendo durante as missões de resgate que se seguiram. O ínclito Erdogan reagir bravamente às acusações, tachando-as de “calúnias”.  Petulantemente, Erdogan desafiou a Rússia amostrar suas provas.

 “É inaceitável a acusação de que a Turquia estaria comprando petróleo do Estado Islâmico e dizer isso é imoral”, disse Erdogan. “Se você diz coisas como essa, tem que apresentar evidências. Caso tais documentações existam – vamos examiná–las. Provados os fatos, renunciarei à minha posição.”

Caso Erdogan seja mesmo um homem de palavra – e isso é muito duvidoso – então tem que começar a arrumar as malas de viagem. Agora.

Para além de qualquer dúvida, as evidências mostradas pelos militares do alto comando da Rússia, demonstram que a Turquia é peça central para a existência do Estado Islâmico e seu comércio ilegal de petróleo, que financia suas atividades terroristas.

O Ministro Adjunto da Defesa da Rússia, Anatoly Antonov não mediu as palavras sobre os dados revelados. Disse ele: “de acordo com as informações que revelamos, os políticos da elite dirigente turca – o Presidente Erdogan e sua família – estão envolvidos nesses negócios criminosos”.

Particularmente incriminador nos dados relevados pela inteligência russa é que a rota operada pelo Estado Islâmico no leste da Síria se destina à cidade turca de Batman. Batman é o coração da indústria turca de petróleo. Ali estão localizados os maiores campos de petróleo e também as maiores refinarias do país.


A partir de Batman há cerca de 500 quilômetros de oleodutos rumando para o ocidente até as cidades portuárias de Dortyol e Ceyhan, na Mediterrâneo, ambas localizadas no Golfo de Iskenderun. O oleoduto, que tem a capacidade de transportar 30 milhões de barris de petróleo por ano, é operado pela estatal turca BOTAS Corporação Petrolífera, que é também sua proprietária.

É no porto de Ceyhan que está licenciada e baseada a companhia de navegação BMZ, de propriedade do filho do presidente Erdogan, Bilal, e outros membros da família. A BMZ é a maior operadora turca no mercado global de petróleo.

O jornal turco Today’s Zaman significantemente relatou em setembro deste ano que a BMZ dos Erdogan(s) gastou cerca de 36 milhões de dólares na aquisição de dois novos navios tanques para elevar sua frota para cinco. Acredita-se que os navios transportam muitas cargas de petróleo para o Japão e outros países asiáticos. Não é de se admirar que o “negócio” esteja crescendo.

Em antecipação, Putin já respondera à negação de Erdogan de colusão com terroristas no contrabando de petróleo, ao afirmar que “é bem difícil imaginar como as autoridades turcas não estariam cientes do transportes de petróleo por suas fronteiras, em escala industrial”.

Mas agora, as imagens aéreas fornecidas pela Rússia mostram de forma inequívoca o quadro completo do transporte massivo de petróleo que passa através da fronteira turca para chegar às companhias estatais do país.

A cumplicidade pessoal de Erdogan nestes crimes, através de sua família e do negócio de transporte marítimo tornou sua resignação inquestionável. Além disso, o presidente turco deverá enfrentar futuramente um processo pelas graves violações do Direito Internacional além dos crimes de guerra.

Como poderiam os norteamericanos desconhecer essas rotas de transporte de petróleo em escala industrial? Por mais de um ano afora, desde que os Estados Unidos supostamente iniciaram a campanha de bombardeio na Síria, alegadamente contra o Estado Islâmico, o contrabando de petróleo só fez crescer, intocável durante todo esse tempo.

O presidente do Estado Maior dos Estados Unidos, general Joseph Dunford, afirmou em depoimento ao Comitê do Congresso dos EUA que apenas nos últimos dois meses o Pentágono resolveu atacar com seriedade as rotas do petróleo do Estado Islâmico. Admitiu ainda que por mais de um ano o Pentágono não tomou qualquer atitude porque não havia comunicação suficiente entre este e o Departamento de Estado. Além de Dunford, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, presente na mesma sessão de depoimentos ao Congresso, juntou-se ao presidente do Estado Maior para afirmar que a decisão de não atacar os comboios de caminhões carregando petróleo do estado Islâmico foi tomada para “não causar vítimas entre civis”.

Essas explicações não convencem ninguém. O fato inescapável que permanece iridescente é o explanado pelo Ministro da Defesa da Rússia, Tenente General Sergey Rudskoy, que colocou tudo em palavras: os Estados Unidos pouco ou nada fizeram até agora para impedir o Estado Islâmico de comercializar petróleo roubado da Síria. A Rússia, por sua vez, destruiu implacavelmente dezenas de instalações de processamento de petróleo e para mais de 1.000 caminhões tanques utilizados para seu transporte desde o início de suas operações militares, em apenas dois meses – suas sortidas tiveram o condão de acabar até agora com cerca de 50% do comércio ilegal de petróleo, de acordo com os militares russos.

Agora que uma explicação estarrecedora da forma pela qual o Estado Islâmico e outros grupos jihadistas estão financiando suas campanhas terroristas contra a Síria foi apresentada pela Rússia, as perguntas passam a ter que ser respondidas nos tribunais norteamericanos.

A Turquia é membro da OTAN. A OTAN é uma organização que supostamente deveria ser responsável pela manutenção da segurança na Europa. A Turquia certamente terá que ser expulsa da OTAN pelo papel que desempenha ao financiar o terrorismo. Como poderá a França, em particular, permanecer na mesma aliança militar com um país que sabidamente está financiando os grupos terroristas que estão envolvidos nos assassinatos em massa nas ruas de Paris apenas três semanas atrás?

Neste assunto todo, Washington e seus compar... digo, aliados, têm muito mais a responder. Os comboios de transporte de petróleo que rumam ao norte da Turquia são penas uma parte do gigantesco esquema ali armado, com a outra parte representada pelos comboios que transportam armas e lutadores jihadistas na direção do sul da Síria. Essa rede de terror exibe claramente a intervenção espúria das inteligências dos EUA e do Reino Unido para ajudar o terrorismo, de acordo com o jornalista norteamericano Seymour Hersh.

O fornecimento contínuo de armamento pela Turquia para os grupos terroristas na Síria, com a conivência da inteligência estatal turca está emergindo depois da prisão na semana passada de dois jornalistas turcos que tiveram a audácia de revelar a armação patrocinada pela Turquia no esquema petróleo-por-armamento.

As provas apresentadas pela Rússia ultimamente colocam o mundo frente a frente com uma escolha difícil, depois da revelação nua de quem está financiando e provocando conflitos não só na Síria, mas em outros locais. A Turquia é claramente um estado patrocinador do terror. Outros membros da OTAN estão implicados até o pescoço. Se não houver sanções na forma da lei, saberemos que o mundo está entregue sem resistência à barbárie e ao banditismo.


Finian Cunningham
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domingo, 29 de novembro de 2015

Pres. Vladimir Putin: Terrorismo internacional e Turquia 
           
Conferência de imprensa e P & R, depois da reunião com o pres. da França, François Hollande, 26/11/2015 transcrição do Kremlin (trad. ao fr. Salah Lamrani) – Tradução de Vila Vudu          



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Vladimir Putin, presidente da Rússia: Senhoras e senhores, boa-noite.


Tivemos negociações substanciais com o presidente francês, conduzidas de modo construtivo e baseadas numa relação de confiança. Naturalmente, dedicamos atenção máxima à questão da luta conjunta contra o terrorismo internacional.


O ataque bárbaro ao avião russo sobre a península do Sinai, os horríveis eventos em Paris e os ataques terroristas no Líbano, na Nigéria e no Mali causaram grande número de vítimas, das quais centenas de cidadãos russos e franceses. É nossa tragédia comum, e nos mantemos unidos em nosso compromisso de encontrar os culpados e levá-los ao tribunal.


Já intensificamos a operação das forças armadas russas contra os terroristas na Síria. Nossas ações militares são eficazes: os militares do dito 'Estado Islâmico' e outros grupos radicais sofreram perdas pesadas. Perturbamos os mecanismos de funcionamento dos extremistas, causamos dano à infraestrutura militar deles e minamos consideravelmente a sua base financeira. Refiro-me, em primeiro lugar, ao comércio ilícito de petróleo, que gera lucros imensos para os terroristas e seus apoiadores.


Todos os que se servem de duplos padrões em suas relações com os terroristas, utilizando-se deles para alcançar seus próprios objetivos políticos e envolvem-se em atividades comerciais ilícitas como sócios de terroristas estão brincando com fogo. A história mostra que cedo ou tarde essas ações viram-se contra os que encorajam os criminosos.


Rússia e França sabem o que significa a ação em espírito de aliança; estivemos unidos mais de uma vez ao longo de nossa história. Hoje, decidimos intensificar nossos esforços comuns para a luta antiterrorista, melhorar a qualidade da troca de informações operacionais na luta contra o terrorismo e estabelecer um trabalho construtivo entre nossos especialistas militares, como o objetivo de evitar qualquer incidente, concentrando nossos esforços a fim de assegurar que nosso trabalho na luta contra o terrorismo seja mais eficaz, evitando ações contra territórios e forças armadas que também combatem contra os terroristas.


O presidente Hollande e eu entendemos que esse tipo de cooperação é contribuição concreta e prática à formação de uma grande coalizão antiterrorismo, de uma grande frente antiterrorista sob os auspícios da ONU. Destaco que é crescente o número de nações que tratam já de unir-se a essa iniciativa.


Estamos convencidos de que a erradicação do terrorismo na Síria criará condições necessárias para que cheguemos a um acordo e, no longo prazo, ao fim da crise síria. Decidimos que continuaremos a trabalhar juntos muito ativamente no quadro do Grupo internacional de apoio à Síria e a agir em favor da realização de todos os acordos firmados no seio desse grupo, sobretudo no que tenha a ver com detalhes e parâmetros para que se constitua e avance um diálogo inter-sírios.


Nas conversações de hoje, não poderíamos ter ignorado a situação na Ucrânia; nesse contexto, discutimos as perspectivas de cooperação no Formato Normandia. Continuaremos a insistir em que sejam postas em prática todas as cláusulas dos acordos de Minsk de 12 de fevereiro.


Concluindo, devo agradecer ao senhor presidente da França e a todos os companheiros franceses por esse diálogo aberto e construtivo. Decidimos continuar nossas conversações em Paris, no quadro da Conferência da ONU para mudança climática.


PERGUNTAS & RESPOSTAS


(Jornalista francês): Boa-noite. Uma pergunta ao Sr. Putin. Senhor presidente, o senhor concorda com a ideia de que manter no cargo o Sr. Assad é um entrave à realização de seus objetivos comuns? Chegaram a algum acordo sobre que grupos podem e não podem ser tomados como alvos dos ataques aéreos?


Vladimir Putin: Entendo que a sorte do presidente da Síria deve ser decidida inteiramente pelo povo sírio.


Concordamos entre nós que é completamente impossível lutar com sucesso contra o terrorismo na Síria sem operações de solo, e não há forças hoje que possam executar operações terrestres na luta contra Daesh, Frente al-Nusra e outras operações terroristas, exceto as forças do exército do estado sírio.


Quanto a isso, entendo que o exército do estado sírio sob o comando do presidente Assad e o próprio presidente Assad são nossos aliados naturais na luta contra o terrorismo. É possível que haja outras forças em solo, que declarem sua disposição de lutar contra o terrorismo. Atualmente, estamos cuidando de estabelecer contato com essas forças, já o fizemos com algumas delas e, como eu mesmo já disse várias vezes, estamos prontos a ajudá-las nos seus esforços na luta contra o Daesh e outras organizações terroristas, como já apoiamos o exército de Assad.


Decidimos também, e entendo que é parte muito importante de nossos acordos com o senhor presidente da França, hoje, que – assim como fazemos com outros países da região – trocaremos informações sobre os territórios ocupados em maior parte por grupos da oposição 'sã', mais do que por terroristas; e evitaremos dirigir nossos golpes aéreos contra esses territórios. Também trocaremos informações porque nós – França e Rússia – temos absoluta certeza de que alguns territórios são ocupados por organizações terroristas, e coordenaremos nossos esforços nessas zonas.


(Jornalista russo): Tenho uma pergunta para o presidente da Rússia. Senhor presidente, trata-se aqui de uma coalizão de grande envergadura e, quanto a isso, gostaria de perguntar sobre o específico lugar da Turquia nessa história. Hoje, por exemplo, o exército russo sinalizou que intensificou os ataques sobre a região do território sírio onde o avião russo foi abatido.


Ao mesmo tempo, jornais e jornalistas turcos acusam a Rússia de, praticamente, ter bombardeado um comboio humanitário. Nesse contexto, o assunto "Turquia" foi objeto de discussão na reunião com o presidente francês? E o que nos podem dizer sobre o papel da Turquia nessa história e nas nossas relações com aquele país?


Vladimir Putin: Como todos sabem, a Turquia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN. A França também é estado membro da OTAN, e compreendemos a posição da França nessa situação. Mas o senhor presidente da França manifestou condolências imediatamente depois da morte dos nossos militares, e lhe somos reconhecidos por isso.


Quanto ao território mencionado em sua pergunta, onde morreram militares russos, de fato, as forças armadas sírias utilizaram-se de seus lança-foguetes múltiplos, fornecidos por nós recentemente, em ações coordenadas com a Força Aérea Russa, e os ataques contra essa região foram intensificados imediatamente depois que recebemos informações confiáveis de que um militar russo havia sido morto ali, e pudemos tomar as necessárias providências para salvar o segundo. Não poderia ser diferente. Essa é a maneira correta de agir.


Inicialmente, quero registrar um comentário sobre o que pensamos do assunto de haver ali algumas tribos próximas da Turquia, os turcomenos. Uma pergunta impõe-se imediatamente: o que fazem naqueles territórios representantes de organizações terroristas turcas, que se exibem para as câmeras de TV e postam imagens suas na Internet?


Segundo: o que fazem ali, naquele território, criminosos fugitivos que a Federação Russa procura por crimes praticados aqui e que são claramente classificados como terroristas internacionais? Nossos militares operavam naquele quadrante para impedir a volta possível dessas pessoas ao território russo para cometerem mais crimes; nossos militares cumpriam seu dever com a Rússia, diretamente. Digo, diretamente! Repito a minha pergunta: o que fazem lá aquelas pessoas?


Entendemos que é perfeitamente justificado que intensifiquemos os esforços de nossa aviação naquela área e que apoiemos a intensificação dos esforços, também, das forças sírias.


Quanto ao bombardeio de algum comboio humanitário, tanto quanto sei a organização humanitária da qual as autoridades turcas falavam já se manifestou e declarou que não tinha nenhum comboio ou representante seu naquela zona, no momento em que ocorreram os fatos. Se algum comboio havia ali, com certeza não era pacífico. Se havia algum "comboio" naquela região, suponho que, como ordena a lei internacional, teria de ter declarado que tipo de comboio seria, para onde ia e o que fazia ali. Dado que nada disso foi feito, supusemos que a carga transportada pelo tal comboio nada teria de humanitária. Aí está mais um elemento de prova de que os terroristas internacionais contam com cumplicidades consideravelmente importantes.


(Jornalista francês): Boa-noite. Minha pergunta é dirigida aos dois presidentes. Senhor Putin, por que o senhor instalou na Síria os sistemas S-400 de foguetes múltiplos? Senhor Hollande, essa instalação dos S-400 é compatível com os esforços da coalizão internacional [fala da coalizão EUA-OTAN]?


Vladimir Putin: O S-400 não é sistema de lança foguetes múltiplos, mas um sistema de múltiplos mísseis antiaéreos. Não havíamos trazido antes esses sistemas para o território sírio, porque nossa aviação opera em altitudes que nenhum terrorista alcançaria. Os terroristas não têm a necessária tecnologia militar para abater avições que voem acima de 3, 4 mil metros. 


Jamais antes nos passara pela cabeça que poderíamos se atacados por estado e exército que supúnhamos que fosse nosso aliado.


De fato, os nossos aviões, voando a alturas de 5-6 mil metros, não estavam absolutamente protegidos: não estavam protegidos contra ataque por jatos de caça de outro país, em céus sírios. Se tivéssemos suposto que um ataque como o que sofremos seria possível, o S-400 já estaria na Síria há muito tempo, para proteger nossos aviões.


E há também outras formas de tecnologias e proteções militares, por exemplo caças de escolta ou, pelo menos, técnicas de defesa antimísseis, principalmente as defesas térmicas. Os especialistas sabem fazer operar tudo isso.


Mas repito: nada disso havia sido feito antes, porque entendíamos que a Turquia fosse estado amigo e absolutamente não esperávamos que a Turquia atacasse a Rússia. Por isso, precisamente, entendemos que o que foi feito foi como punhalada pelas costas.


Vimos agora que, sim, pode acontecer. A Rússia perdeu soldados naquela área. Temos o dever de garantir a segurança de nossas tropas e de nossos aviões. Por isso instalamos lá um moderno sistema S-400. Funciona sobre grandes distâncias e é um dos mais eficazes sistemas desse tipo que há hoje no mundo.


Mas não ficaremos só nisso. Se for necessário, complementaremos a atividade de nossos caças com aviões de combate e outros meios, inclusive, é claro, de guerra eletrônica. Fato é que há muitos meios de proteção, e agora os alocaremos e utilizaremos.


Nada disso contradiz o que fazemos com a coalização dirigida pelos EUA. Trocamos informações com ela, mas estamos muito preocupados com a natureza das trocas e os resultados de nosso trabalho comum.


Considerem o seguinte: alertamos nossos parceiros norte-americanos com antecedência sobre as zonas nas quais nossos pilotos operarão, altitude, etc. Os EUA, que dirigem a coalização que inclui a Turquia, sabiam hora e local onde estariam nossos aviões e nossos pilotos. Fomos atacados precisamente nesse ponto.


Pergunto aos senhores: de que nos serviu ter fornecido aquela informação aos EUA? Ou os EUA não conseguem controlar nem o que fazem os seus próprios aliados, ou os EUA distribuem a torto e a direito as informações que recebam, sem nem perceber as consequências. Naturalmente tínhamos de promover reuniões sérias de consulta com nossos parceiros sobre essa questão. Mas o sistema de mísseis de defesa aérea não é, de modo nenhum, dirigido contra nossos parceiros com os quais lutamos contra os terroristas na Síria.


(Jornalista russo): O senhor falou da necessidade de organizar uma grande coalizão. Será esse o tipo de coalizão da qual o senhor falou em seu discurso na ONU, ou prosseguirá a disputa entre diferentes 'coalizões'? Se a disputa prossegue, teremos de perguntar sobre a eficácia de haver duas coalizões, particularmente depois do incidente com o avião russo. Ou quem sabe os senhores têm em vista uma nova coalizão comum e, se for esse o caso, é possível que tal coalizão possa vir a agir também em outros países ameaçados pelo Daesh, não só na Síria?


Vladimir Putin: No que concerne à coalizão, o presidente Hollande e eu discutimos essa questão hoje. Respeitamos a coalizão organizada pelos EUA e estamos prontos a trabalhar com essa coalizão. Entendemos que seria preferível estabelecer coalizão unificada e comum. Isso tornaria mais simples e mais fácil e, penso eu, também mais eficaz fazer a coordenação de nossos esforços comuns nessa situação. Mas se nossos parceiros não estão prontos a fazer tal coisa... Sim, sim, foi disso que falei na ONU. Mas se nossos parceiros não estão dispostos, muito bem, também podemos trabalhar em outros formatos, em qualquer formato que nossos parceiros considerem aceitável. Sim, estamos dispostos e prontos a cooperar com a coalizão construída pelos EUA.


Mas é claro que incidentes como a morte de nossos militares – o piloto e um Marine que tentava salvar os companheiros de armas – e a destruição do nosso avião são totalmente inaceitáveis. Nossa posição é que nada disso pode voltar a acontecer. Para impedir que tais coisas voltem a acontecer, não precisamos nem de cooperação nem de coalizão com país algum.


Discuti tudo isso, em detalhes, com o presidente da França. Acertamos que trabalharemos juntos no futuro imediato, em formato bilateral e, em geral, com a coalizão organizada pelos EUA.


A questão é delimitar territórios que sejam alvos preferenciais para serem atacados e os territórios nos quais é prudente evitar ataques; trocaremos informações sobre essas questões e outras, e coordenaremos a ação em áreas de combate.


Quanto à questão do contrabando de petróleo e a questão de que foram destruídas instalações em território turco, questões que vieram à tona na reunião do G20, que acontecia precisamente na Turquia, em Antalya, já exibi imagens e já falei publicamente sobre isso. As imagens foram colhidas por nossos pilotos, de uma altura de 5 mil metros. Os veículos que transportavam petróleo contrabandeado formavam fila tão longa que, mesmo daquela distância a fila desaparecia no horizonte. É como um oleoduto sobre rodas. O petróleo está sendo contrabandeado e fornecido em escala industrial, saído de áreas do território sírio que estão no momento controladas pelos terroristas. Esse petróleo provém dessas regiões, não de outras regiões. 


Pode-se ver do alto, de nossos aviões, para onde se dirigem aqueles caminhões-tanques: dirigem-se para a Turquia e não param nunca, dia e noite. Posso imaginar que os mais altos governantes turcos não saibam de nada disso. É difícil acreditar que não saibam, mas, teoricamente, é possível que ainda não soubessem.


Mas nada disso significa que, agora que já foram informadas, as autoridades turcas não tenham o dever de pôr fim àquele contrabando. 


O Conselho de Segurança da ONU adotou resolução especial que proíbe que alguém compre petróleo diretamente dos terroristas, porque aqueles barris e caminhões-tanque não contém só petróleo: estão cheios também de sangue de nossos cidadãos; e porque os terroristas servem-se do dinheiro desse comércio para comprar armas e munição e para montar ataques sangrentos como esse, contra nosso avião civil no Sinai e os atentados em Paris e em outras cidades e países.


Se as autoridades turcas queimam o petróleo que confiscariam dos contrabandistas... por que ninguém vê qualquer sinal de fumaça? Permitam que repita que o contrabando de petróleo atinge, ali, escala industrial. Seria preciso construir instalações especiais para conseguir destruir tais quantidades de petróleo. Nada disso está acontecendo. Se os mais altos governantes da Turquia não estavam informados do que se passa, a partir de agora já têm o dever de abrir os olhos.


Não tenho nenhuma resistência a acreditar que há corrupção e pode haver contratos clandestinos gigantescos. É indispensável que tudo isso venha à luz.


Mas não resta nenhuma dúvida de que o petróleo viaja diretamente para a Turquia. Já vimos de nossos aviões e já fotografamos e já mostramos as imagens. O fluxo de caminhões é ininterrupto e os caminhões voltam vazios. São carregados na Síria, em território controlado pelos terroristas, vão para a Turquia e retornam à Síria vazios. Todos os dias. Lá estão e podem ser vistos todos os dias.


Quanto à questão de se o presidente turco deveria, ou não, renunciar à presidência, não é coisa que nos diga respeito; só diz respeito ao povo turco. Os russos nunca nos metemos em assuntos internos de outros países e não começaremos agora. Mas é uma lástima perder as relações bilaterais sem precedentes que desenvolvemos com a Turquia ao longo dos últimos anos. Nossas relações haviam alcançado alto grau e considerávamos a Turquia não só como nação vizinha, mas também como país amigo e praticamente como nação aliada. É triste ver tudo isso destruído com brutalidade e levianamente.


Quanto à ideia, que também circulou, segundo a qual a aviação turca não teria reconhecido nosso avião, é absolutamente impossível. Fora de questão. Impossível. Nossos aviões são muito claramente identificados. Não há quem não visse que se tratava de avião russo. Fora de questão.


Além disso – permitam que eu repita mais uma vez –, conforme os acordos que temos com os EUA, sempre demos aos norte-americanos todas as informações antecipadas sobre a operação de nossos aviões, formações, zonas e horários. 


No momento, estamos trabalhando a partir da hipótese de que a coalizão EUA-Turquia é efetiva e que todos os membros dela sabiam, sim, que havia aviões russos em operação naquele ponto, naquele momento. Que outros aviões seriam, se não os nossos? E se os turcos tivessem identificado ali um avião dos EUA? Teriam derrubado um avião norte-americano?


De fato, esses argumentos dos turcos são absolutamente absurdos e inverossímeis, tentativa de arranjar desculpas. 


É lastimável que, em vez de determinar investigação aprofundada e séria sobre o que realmente aconteceu, e de tomar medidas para garantir que esse tipo de ação criminosa não se repita, os turcos só façam repetir tolices e declarações confusas. Aliás, nem desculpas apresentaram e entendem que não devem desculpas. OK. Eles resolveram assim. Não é ideia nossa; é ideia da Turquia. 



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Putin e Hollande vão atrás da gambiarra de Erdogan.              


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por Pepe Escobar          
tradução mberublue                 

28 de novembro de 2015 "Information Clearing House" - "RT" – A coisa toda começou quando o presidente da França, Monsieur François Hollande, logo após os ataques em Paris, teve a ideia temerária de trabalhar lado a lado com a Rússia, naquela mesma coalizão que luta de verdade contra o Estado Islâmico na Síria.

O presidente da Turquia, Sr. Recep Tayyip “sem desculpas” Erdogan pensou que a estas alturas, a OTAN e a Rússia já estariam um na garganta nuclear do outro, uma espécie de Guerra Fria 2.0, já que Washington rebateu a ideia de Hollande com a costumeira pletora de platitudes e distorções.

Pois em menos de 17 segundos o Primeiro Ministro turco Ahmet “eu mesmo dei a ordem” Davutoglu tinha autorizado a derrubada do bombardeiro russo SU-24 – apenas algumas horas antes de Hollande se encontrar com o presidente Obama.

Tudo parecia se encaixar às mil maravilhas. Nada parecia indicar uma nova détente entre as potências atlanticistas e a OTAN. Pelo contrário. Erdogan já tinha como favas contadas que havia sabotado uma reunião produtiva tête-à-tête entre Putin e Hollande em Moscou.

Devagar com o andor, Sultão.

A Rússia e a França não serão separadas, afirmaram em Moscou Hollande e Putin. O chefe de Estado Francês declarou: “Nós concordamos, e isso é o que importa, que atacaremos apenas os terroristas e o Estado Islâmico e não as forças que lutam contra o terrorismo. Trocaremos informações e dados sobre quem atacar e quem não atacar.”

A emoção se revela conforme se descortina o horizonte. Na seção “atacar” nós Já podemos colocar tranquilamente o Estado Islâmico e a Jabhat al-Nusra, também conhecida como al Qaeda na Síria, ambas já definidas como organizações terroristas pelas negociações em Viena.

Considerando então que a al-Nusra tenha absorvido, cooptado ou instrumentalizado uma vasta gama de outras organizações salafistas, “moderadas”  ou não, parece claro que não será muito difícil para os russos convencer os franceses sobre quais são os alvos legítimos.

É também muito significativo que a França pode aumentar seu apoio aos “rebeldes” que estão combatendo o Estado Islâmico no terreno; o que significa o código para denominar os sírios curdos do YPG – uma das Nêmesis de Erdogan, ao lado do PKK.

Dessa forma, o investimento de risco do Sultão na derrubada de jatos russos não está dando os lucros esperados. E quem se importa se Hollande vier com a velha cantilena dos Estados Unidos de que “Assad tem que sair” enquanto Putin reafirma que “o destino do presidente da Síria deve ser colocado em mãos do povo da Síria”? Todos já sabem que a prioridade das conversações em Viena não era esta. Como foi declarado explicitamente pela declaração de guerra embutida na resolução 2249 CSNU – a prioridade principal é esmagar o Estado Islâmico.

Para coroar o bolo com uma enorme cereja, Putin e Hollande chegaram a um consenso: deve acontecer uma dura barragem de bombardeios contra os comboios de caminhões tanques que transportam petróleo roubado na Síria pelo Estado Islâmico através dos territórios controlados pelo Estado Islâmico demandando a Turquia.

Os bombardeios transformarão em cinzas a lucrativa gambiarra do filho do “Sultão”, Bilal Erdogan, também conhecido como “Erdogan mirim” um dos três acionistas da empresa de transporte marinho BMZ.

Mandem os Sukhois!

Putin mandou um míssil de cruzeiro recheado de sarcasmo quando disse que, afinal de contas, era “teoricamente possível” que o governo em Ancara realmente não soubesse que havia petróleo sírio roubado entrando em território turco por pontos controlados pelo Estado Islâmico, mas acrescentou que era difícil acreditar.

Para não ficar no terreno das teorias, um dos sistemas de mísseis de defesa S-400 AA já foi instalado e está pronto para combate na base aérea de Hmeymim, e poutro está a caminho.

O “Sultão” não pode mais dizer que não foi avisado: A partir de agora a Rússia tem três prioridades principais:

1) – Uma zona real de exclusão aérea já efetiva no sul da fronteira entre a Turquia e a Síria, reforçada por S-400s. Ancara já está se assustando até com corujas e corvos.

2) –  Também já efetivos: A Rússia vai atingir – duramente – qualquer coisa que se mova de maneira suspeitosa em cada corredor de transporte dentro e fora do território turco. Os comboios “humanitários” turcos que transportam – o que mais? – armas, foram pulverizados  em Azaz, a qual fica a apenas cinco quilômetros da fronteira com a Turquia. Outros pontos de distribuição de caminhões também foram bombardeados peto de Raqqa.

3) – Já funcionando: a Rússia vai bombardear de forma maciça toda aquela ampla região onde os operadores da CIA transitam por uma auto estrada para entregar numerário e armamento ao FSA (Exército Livre da Síria) e para os “inocentes” turcomenos. A Rússia iniciou um bombardeio de tapete na área turcomena de Jabal logo após o resgate do tenente-coronel Oleg Pershin, piloto russo abatido com o SU-24.

Como eu já detalhei aqui, não há ninguém “inocente” em toda essa maldita zona de guerra cheia de milícias turcomenas ligados por laços de amizade à al Qaeda.

E tem mais:

A Rússia não só vai destruir as conexões entre as milícias Islamo-Fascistas Turcas/Chechenas/Usbeques/Turcomenas na província de Latakia; vai também destruir até os alicerces a farra do roubo de petróleo que é a fonte dos lucros do “Erdogan Mirim”, com um bônus extra: esmagará também os navios tanques no mar. François Hollande concorda.

Assim, o “Erdogan Mirim” faria melhor se buscasse refúgio em Dubai. Mas pera aí, como vai fazer para evitar um “acidente” qualquer na noite selvagem da cidade?

Autoestrada para o inferno

Por enquanto, Erdogan e seu “Mirim” devem ter tomado conhecimento da mensagem. Eles pensavam que estavam a coberto quando derrubaram o SU-24, que aliás não “violava” nada a não ser a super lucrativa gambiarra com petróleo roubado que enchia de dinheiro, entre outros, o “Mirim”. Livrar-se de uma operação de venda de petróleo que abastece os programas do Estado Islâmico desafiando o embargo de petróleo da OTAN? Esta é uma oferta que a Rússia não pode recusar...

Ao menos duas questões importantes ficam sem resposta. Como é que pode a coalizão liderada pelos Estados Unidos, a “Coalizão de Oportunistas Finórios – COF”, nunca, em mais de um ano – e a palavra correta é esta: nunca – conseguiram bombardear ao menos uma das rodas da máquina de roubar petróleo na Síria?

E como pode ninguém entre os componentes do COF – em especial os (norte)americanos – nada terem feito para impedir “Mirim” e outros da mesma laia de na realidade financiar o Estado Islâmico através dessa gambiarra por tanto tempo? A CIA, claro, sabia de tudo isso e muito mais, dado os satélites geoestacionários trabalhando em regime de tempo integral sobre o “Siriaque”.

Bom. Temos que levar em consideração que a CIA estava por demais ocupada rodando para lá e para cá nas rodovias através das montanhas turcomenas para entregar armas e dinheiro, para que se preocupasse com meras operações de petróleo contrabandeado.

Acontece que agora a Rússia está indo atrás de tudo isso. Da rodovia de entrega de armas da CIA, a rodovia colocada à disposição pela Turquia para os jihadistas, a rodovia de escoamento de petróleo roubado Estado Islâmico/Turquia. O Sultão e seu “Erdogan Mirim” que se preparem para rodar por uma autoestrada que leva direto ao inferno.

Pepe Escobar - é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como:  Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today e Al-Jazeera.

Pequena nota aos leitores, pelo tradutor: a partir desta publicação, nós traduziremos ISIL/ISIS/Daesh sempre como “Estado Islâmico”. Embora sabendo que não se trata de um Estado na forma como entendemos a palavra nem é islâmico na forma que os adeptos reais do Islã entendem, é a forma como ficou conhecida a organização terrorista que leva este nome. Para a boa compreensão dos textos, a partir de agora sempre mencionaremos a organização terrorista como “Estado Islâmico”.




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sábado, 28 de novembro de 2015

A era Erdogan está para acabar
              


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por Petr Lvov - New eastern Outlook            
tradução por mberublue             


Há poucas dúvidas agora entre os círculos da OTAN e através dos países que lideram a aliança – os Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha que a derrubada do bombardeiro russo SU-24 foi de fato um ato de agressão. Na realidade, a força aérea turca vinha tentando emboscar um bombardeiro russo nas áreas de fronteira há dias. Tudo foi planejado, até mesmo a presença de um cameramen profissional de um canal turco.


Resultado de imagem para SU-24 overthrowDesde que Washington tomou conhecimento que a força aérea turca derrubou um bombardeiro russo sobre a Síria, Ancara tem tentado desesperadamente jogar a culpa sobre Obama na intenção de se esconder atrás do apoio (norte)americano. Reportagens de 26 de novembro das estações de TV turcas relatavam que a queda do avião alegadamente teria acontecido com aprovação de Obama, supostamente concedida na reunião de cúpula do G-20 em Antália. Mas foi tarde demais. Erdogan foi pego na cena do crime ainda com sangue nas mãos. Sua carreira política provavelmente está morta – não há lugar na política para assassinos de pilotos russos. Aliás, ele já tem um concorrente de peso para o seu posto – o Primeiro Ministro Ahmet Davutoglu, que fortaleceu consideravelmente suas posições depois das últimas eleições na Turquia.

Especialistas pelo mundo afora estão tentando prever quais seriam as respostas que a Rússia pode tomar. Até o momento, já existem uma série de medidas a serem tomadas pela Federação Russa, a saber:

●● Proibição completa de quaisquer viagens de turismo para a Turquia. Essa medida não deve demorar a ser colocada em prática mais que duas semanas. Não haverá mais viagens com descontos, nem aviões fretados, nem nada. O resultado será um prejuízo de aproximadamente 3,5 bilhões de dólares para a Turquia em apenas um ano.

●● Preparação pesada para ataques de retaliação. Para alcançar esse resultado, a Rússia já instalou seus sistemas antiaéreos “top de linha” S-400 Triumf nas proximidades de Latakia. Com isso criou uma zona de exclusão aérea de facto sobre a Síria para a força aérea turca.

●● A Rússia está reduzindo o número de locais em Moscou que vendem produtos turcos no mercado russo. Isso afeta tanto os produtos alimentícios quanto os bens industriais. A Turquia deverá perder cerca de 2 bilhões de dólares anualmente devido a essas medidas.

●● A Rússia fechou todos os projetos que tinha em comum com a Turquia, o que inclui a construção de uma usina nuclear. Ao mesmo tempo deverá proibir a atividade de um grande número de companhias turcas na Rússia.

●● A Rússia começou a trabalhar mais ativamente na cooperação política e militar com as forças políticas curdas – a maior ameaça ao poder central em Ancara. Esta atitude da Rússia causará certamente uma queda severa na estabilidade política da Turquia. Especialmente em uma situação na qual a posição de Erdogan pode não ser tão forte quanto ele pensa. Ele está às voltas com sérias oposições dentro de seu próprio partido e não apenas nos círculos militares.

Porém o golpe mais severo para a personalidade de Erdogan é sem dúvida uma extensa cobertura da mídia sobre suas relações com o Estado Islâmico e o papel de sua família nesses negócios escusos. Já está provado que o filho de Erdogan trabalha para um amigo de infância do presidente que entrega petróleo roubado na Síria para a Ucrânia, o Japão e outros países asiáticos. É sabido que a receita proveniente desses “negócios” sobe a cerca de 5 bilhões de dólares ao ano, dos quais 2 bilhões voltam para as estruturas de comando do Estado Islâmico, que os usa para comprar armas e pagar seus militantes.


Além disso a família de Erdogan está envolvida na produção e tráfico de drogas sintéticas. Se alguns jornalistas revelam isso abertamente nos canais de televisão, é porque com certeza todas as instâncias de aplicação da legislação acumularam na evidências necessárias para processar os membros da família de Erdogan.

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O "sultão" Erdogan 
Consequentemente, tão logo a sociedade turca comece a associar a família de Erdogan com o Estado Islâmico, fará também a associação lógica com este fato e os ataques terroristas levados a cabo pelo Estado Islâmico na Turquia, cujos ataques tiveram o condão de ajudar o partido AKP, no poder, a vencer as últimas eleições parlamentares.

Dá para perceber que a Rússia não está particularmente apressada em resolver a situação e que não aceitará as desculpas de Ancara nem que Erdogan venha pedir perdão a Putin de joelhos. Quanto à onda de ataques terroristas que começaram na Turquia depois da queda do jato russo, isso só pode ter um significado – as autoridades turcas não conseguem controlar a situação no país e portanto não pode proteger a integridade e a vida dos turistas estrangeiros. Tudo isso pode levar à rápida desintegração do país, com as áreas curdas se separando da nação, o que significa que todo o sudeste da Anatolia pode se tornar independente. Assim como a província de Hatay, ela é largamente povoada por árabes, que podem querer se juntar à Síria em um futuro previsível. Já parece estar em tempo de algumas regiões armênias do noroeste da Turquia, como o monte Ararat, retornarem às mãos da Armênia.

Também não adianta esperar a chegada da cavalaria da OTAN porque simplesmente não vai acontecer. Afinal, quando a OTAN permitiu que a Turquia se juntasse à aliança, queria uma espécie de contenção à crescente influência da União Soviética na região e não um país islâmico em suas fileiras, mas acabou fazendo um pacto com o diabo.

Foi uma decisão sem visão e imperdoável. Ao tempo, este esforço mais criou que resolveu problemas para ao ocidente. Com o passar dos anos, a Turquia acabou por se revelar uma criança mimada e birrenta que a OTAN tinha que vigiar. A invasão que promoveu contra Chipre em 1974 causou uma profunda divisão na aliança e até o ano de 1980 a Grécia se retirou da estrutura de comando da OTAN. Em 2012, a Síria derrubou um avião turco que estava em incontestável violação de seu espeço aéreo. Hoje, o fiel ao Islã que preside a Turquia usa seu status de membro da OTAN para atingir seus objetivos políticos que em nada coincidem com aquelas da Aliança.

O radicalismo do Islã já atingiu duramente a Europa, mesmo em seu coração – Paris. O resultado foi que o presidente francês, François Hollande passou a exigir que os Estados Unidos deixem de lado suas diferenças com a Rússia para fortalecer uma união geral para a luta contra os exércitos de terroristas. A Turquia, como foi sublinhado pelo presidente russo Vladimir Putin, tem laços estreitos com o Estado Islâmico e lucra ao apoiar suas atividades criminosas de contrabando de petróleo. Como isso se torna a cada momento mais evidente não há que se admirar de que haja cada vez mais apelos para que a OTAN exclua da aliança a Turquia e estabeleça uma cooperação mais efetiva com a Rússia, mesmo porque o ocidente tem mais em comum com a Rússia que com o mundo islâmico.


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Boualem Sansal
Nesta senda, é curioso que o cientista político francês Boualem Sansal crê que há inimigos piores que o Estado Islâmico, ao apontar que a Turquia à qual considera como o último califado, está em processo de restauração do Império Otomano. O cientista político está convencido que está em andamento uma futura, previsível e amarga rivalidade entre Ancara e Teerã. A posição ambígua de Ancara em relação à crise dos refugiados e agora com a revelação cada vez mais clara de suas ligações com o Estado Islâmico deve levar as elites dirigentes na Europa a adotar e aprovar uma posição mais dura com a Turquia. Torna-se claro que os eleitores apoiarão com votos aqueles candidatos que apoiem uma posição mais rígida para com o Islã e a Turquia.

Testemunhamos um grande número de mudanças dramáticas ocorrendo no Oriente Médio nos últimos meses. Depois de ficar exortando as partes no conflito sírio a ouvirem a voz do bom senso sem serem ouvidos os russos resolveram intervir de forma direta na Síria. Essa intervenção levou a uma mudança tectônica no equilíbrio das forças em luta contra o terrorismo. No entanto, a situação se tornou perigosa tendo em vista que nos céus da Síria se misturavam aviões de ataque de quatro grandes potências mundiais – Estados Unidos, Rússia, Inglaterra e França, todas elas operando sem qualquer tipo de coordenação entre si mesmas.


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O exército do Hezbollah
Que não se esqueça as demais variantes: o Irã também está agindo ativamente na Síria, no apoio declarado ao governo de Bashar al Assad, ou até a vitória ou até o fim. Na outra banda, Turquia, Arábia Saudita e Qatar não abrem mão da ideia de que Assad tem que sair, não importando as consequências. Israel supostamente não está envolvido no conflito na Síria, mas há que se ter em mente que os esquadrões do Hezbollah foram instalados naquele país, e permanecem até a atualidade o inimigo mais perigoso com o qual o Estado de Israel tem lutado ao longo de sua turbulenta história nos últimos dez anos e contra o qual provavelmente terá que voltar a lutar. Ao mesmo tempo, o regime atual na Turquia é o mais hostil em relação a Israel no decorrer de toda a história de suas relações bilaterais.

Cada uma das partes envolvidas no conflito da Síria cuida de seus próprios e diferentes interesses. Como Putin colocou em seu discurso, não se pode negar que há um grande fluxo de petróleo e derivados que são roubados e depois adentram território turco, com a Turquia em contrapartida fornecendo os recursos financeiros necessários ao Estado Islâmico para continuar lutando. A situação nos coloca em face de uma séria preocupação – afinal, um membro da OTAN está apoiando ativamente grupos terroristas, sejam eles o Estado Islâmico na Síria ou o Hamas na Faixa de Gaza. Até o momento, por uma série de razões, os países ocidentais não exigiram do governo de Ancara que cesse tais atividades de ligação com militantes islâmicos. Quanto aos líderes israelenses, sem exceção, manifestam pública e estridentemente sua indignação com o papel, que consideram destrutivo, exercido pela Turquia na região. Durante muito tempo a Turquia tem sido um dos poucos países que tem apoiado e fornecido suporte para que os radicais islâmicos palestinos continuem capazes de matar israelenses.


Resultado de imagem para Erdogan terroristDepois da tragédia com o SU-24 da Rússia, a necessidade de repensar suas relações com a Turquia tornou-se evidente para Moscou, e a Rússia pode e deve solicitar que a OTAN detenha os responsáveis por tal ato imprudente de agressão. Não é possível admitir para sempre uma situação onde um país seja ao mesmo tempo considerado parte de uma comunidade civilizada e também apoiador de atividades de organizações como o Estado Islâmico. Caso seja mesmo o Estado Islâmico considerado um aliado pelas elites turcas, então a Turquia evidentemente não pode ser aliada do mundo civilizado. Apesar do conhecido jogo de dois pesos e duas medidas, do duplipensar do ocidente, ainda assim não se pode negar a condição de apoiador do terrorismo ostentado por Ancara. A localização única e privilegiada da Turquia sempre permitiu à sua elite fugir das situações difíceis com demasiada frequência. Mas desta vez, foram muito longe e chega.


Petr Lvov, Ph.D em ciências políticas, escrevendo com exclusividade para a revista online “New Eastern Outlook”. Este artigo apareceu em primeiro lugar em http://journal-neo.org/2015/11/28/the-erdogan-era-is-all-but-over/


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