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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

MSM e o urso
                     

Michael Jabara Carley         

Postado originalmente em: REDE VOLTAIRE         

Tradução de Marisa Choguill           


O professor Michael Carley examina o tratamento da Rússia e do Presidente Putin pela mídia atlantista. Ele observou o absurdo dos temas principais, nos artigos e em desenhos animados, e questiona a liberdade de imprensa no Ocidente.

Sou professor de história e ensino cursos, entre outros tópicos, sobre a Rússia e a URSS. Eu tento explicar para meus alunos como os russos veem a si e à sua história, e como a Mídia Convencional de Massa ocidental (MCM) [do inglês MainStream Media – MSM) apresenta a Rússia a seus leitores. Claro, a MSM está de olho no Presidente russo, Vladimir V. Putin, mas a Rússia em si também é um alvo

Como isso é possível? Após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia caiu de joelhos, sua economia destruída pelos russos aspirantes a se tornarem ocidentais, os chamados liberais, aplicando tratamentos de "choque". A ideia era afastar o povo russo rapidamente do socialismo; mas, os liberais só conseguiram arruinar as economias pessoais de russos comuns, que perderam as suas poupanças duas vezes na década de 1990. Não importa, esse é o preço a pagar se você quer ser como nós no ocidente, e a MSM poderia ter avisado. E quem não quer ser como nós?

O Presidente Boris Yeltsin, que chegou ao poder pelo desmembramento da URSS, foi apresentado no Ocidente como um herói. Na verdade, ele era um corrupto alcoólico agindo como o bobo da corte para o presidente Bill Clinton. "Bom e velho Boris", disse Clinton, quando Yeltsin enviou tanques contra a Casa Branca russa em 1993 e manipulou as eleições em 1996 com a ajuda da embaixada dos EUA em Moscou. Você faz o que você tem que fazer, teriam comentado os funcionários do governo americano. Yeltsin manteve seu "poder", enquanto o tinha, mostrando sua gratidão aos EEUU ao se comportar como amigo de Clinton quando ele visitou Washington. Ele foi um excelente material para a MSM; não foi tão bom do ponto de vista de Moscou. Você se lembra do primeiro filme da série Star Wars, quando a princesa Leia foi capturada pelo malvado verme gigante Jabba o Hutt, que a manteve na correia? Yeltsin não era, certamente, a bela princesa Leia, mas a correia era real o suficiente.

Sendo dependente dos Estados Unidos, Yeltsin não obteve nada de Clinton além da sobrevivência pessoal. Enquanto isso, uma aliada soviética de longa data (e aliada ocidental também), a Iugoslávia, era destruída pela OTAN. Você se lembra da OTAN, não é, supostamente organizada para a defesa contra a URSS, mas então dirigida para a agressão em nome de uma falsa "responsabilidade de proteger"? Não houve nenhuma gratidão, eu comentaria de passagem, pelo papel da Sérvia na I Guerra Mundial, e da Iugoslávia durante a II Guerra Mundial, ou pela declaração de independência, do Marechal Josip Broz Tito, de Stalin. Com certeza, a gratidão não é um valor nas relações entre Estados.

O governo dos EUA deve ter estado incerto quanto a ser capaz de manter a Rússia na corrente de Jabba porque deu uma nova tarefa para a OTAN: cercar a Rússia, expandindo-a para o leste, ao contrário do compromisso de não fazê-lo que assumiu com o líder soviético Mikhail Gorbachev, outro animal de estimação da MSM. Era para criar um novo ‘cordão sanitário’, embora ninguém tenha clamado por um.

Finalmente, Yeltsin demitiu-se no final de 1999. Vladimir Putin foi eleito presidente no ano seguinte, e começou a integrar a Rússia, política e economicamente, ao resto da Europa. Apesar dos melhores esforços de Putin com o Presidente dos EUA George W. Bush, as relações russas com o ocidente não deram certo. Como um dos meus alunos descobriu ao fazer uma tese de mestrado sobre a MSM e Putin, o presidente russo caracterizou-se desde o início como um antigo agente da KGB, que pretendia trazer de volta a URSS – a última coisa na mente de Putin. Cartoons retrataram-no com martelos e foices em seus olhos, ou se transformando em Stalin. Outro o mostrava trazendo café da manhã ao mausoléu de Lenin. "Acorda, acorda, Vladimir Ilich", Putin teria dito.

Como pode o Ocidente (leia-se EUA) distorcer a imagem de Putin, e por quê? Em primeiro lugar, Putin não queria ajoelhar-se calmamente aos pés de Jabba o Hutt. Ele começou a reconstruir o poder econômico, político e militar da Rússia. A Europa ocidental raramente se sentiu à vontade com uma Rússia forte. A russofobia ocidental na verdade remonta pelo menos ao início do século XIX. Um líder confiante, independente de espírito, em Moscou, é o último russo que a MSM gostaria de abraçar. Putin é o touro, ou melhor, o urso na loja de porcelana. O homem ocidental com poder tem medo e odeia aqueles "outros" que se afastam de seus papéis de servos.


Putin começou a falar muito francamente sobre agressão quando os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 com um falso pretexto, e financiaram "revoluções coloridas" na Geórgia e na Ucrânia em 2003-04. Putin também não gostou quando o Presidente Bush saiu do IBM [Mísseis Anti-Balísticos; do inglês Anti-Ballistic Missile] no final de 2001, quando Putin estava tentando fazer amigos.

JPEG - 58.3 kbTemos que nos proteger contra o Irã, disse Bush. Não há nenhuma ameaça do Irã, Putin insistiu, nem nunca houve. Os russos suspeitavam que o Irã era apenas um disfarce para reforçar o cerco à Rússia pela OTAN (leia USA). Há um acordo agora com o Irã sobre questões nucleares; mas, o desenvolvimento e a implantação do IBM continuam em ritmo acelerado. As suspeitas russas quanto aos Estados Unidos parecem justificadas.

Putin também ousou desafiar abertamente a linha principal da ideologia política americana, o excepcionalismo dos EUA. Os Estados Unidos são a nação excepcional, como eles pensam, destinada a impor os seus valores e interesses sobre outros povos e nações, para seu próprio bem, quer queiram, quer não.

Uma coisa se pode dizer sobre a MSM: ela não gosta de contra-narrativa. "Nós somos um império, agora," disse Karl Rove, um dos neocons de Bush Jr., "e, quando agimos, criamos nossa própria realidade." A MSM, ele poderia ter adicionado, serve como o megafone do Império, reforçando as novas "realidades", tal como retratado no livro 1984, de Orwell. O problema era, e ainda é, que essas "realidades" não são realidade para a maioria das outras pessoas que vivem fora dos Estados Unidos e seus Estados vassalos. Quem é que liga para o que eles pensam, Rove de fato comentou; vamos continuar criando novas realidades "e vocês, todos vocês [aí fora], irão apenas estudar o que fazemos."


JPEG - 42.2 kbExaminemos o breve confronto Rússia-Geórgia em 2008. O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, um fantoche covarde dos EUA, enviou seus soldados à Ossétia do Sul pensando que poderia ocupá-la antes de a Rússia reagir. Ele estava enganado e o exército georgiano foi derrotado. A MSM tratou a crise como um ato de agressão russa. O proverbial urso russo tornou-se a imagem favorita do cartunista americano. Um cartunista retratou o urso roendo um osso chamado Geórgia, encarando um minúsculo Bush Jr., como a dizer você não pode fazer na Geórgia o que fez no Iraque. Outro urso cerra Geórgia entre os dentes prestes a engoli-la. É uma imagem difundida no Ocidente. Os cartunistas dos EEUU parecem querer convencer seus líderes, pelo desenho, à luta de um grande urso russo a latir para o pequeno Bush Jr. Ou para o pequeno Barack Obama. "O que você vai fazer quanto a isso?" pergunta o urso asqueroso.


JPEG - 24.3 kbClaro, o agressor na Ossétia do Sul foi Saakashvili, incentivado por seus capangas dos EUA. Você pode fazê-lo, se você agir rápido o suficiente, parece ter sido a ideia americana. Para ser sincero, nem todos os cartunistas ocidentais entraram na onda dos EUA em relação à Geórgia; mas não demorou muito antes que a maioria deles pulasse para dentro do barco. Se você tiver qualquer dúvida, faça uma pesquisa online.

O ocidente não gostou das críticas de Putin à agressão da OTAN em 2011 contra a Líbia – haveria alguma outra palavra para isso? – e o linchamento de seu líder, Muammar Gaddafi. Em uma cena grotesca, a secretária de Estado Hillary Clinton, como um vampiro sedento, vangloriava-se das imagens de seu cadáver ensanguentado. Putin chamou o ataque da OTAN "ataque aéreo de democracia ". Essa foi uma metáfora gritante da hipocrisia ocidental. Não há nenhuma democracia na antes próspera Líbia; só ruínas, caos e furiosos grupos de violentos jihadistas Salafi [Salafi é uma palavra árabe que significa ‘sunitas seguidores da Salaf islâmica’, isto é, ‘dos ancestrais do Islam’, ‘das primeiras gerações islâmicas’ – nt]. Graças à OTAN, eles chegaram agora à Síria e ao Iraque. A MSM, aliás, critica a Rússia por apoiar a resistência da Síria aos monstros de Frankenstein do Ocidente, frequentemente contratados desde a guerra soviética no Afeganistão até os dias atuais para derrubar governos seculares independentes no Oriente Médio ou na Ásia. Se ao menos os jihadistas tivessem ficado na Síria e não tivessem ido ao Iraque para criar um Estado Islâmico (EI)... Ao enviar unidades da força aérea russa à Síria, Putin expeliu os EEUU e seus vassalos que estavam a apoiar os "moderados" do EI. Não há nenhum jihadistas moderado, claro; eles são uma invenção americana. Putin mostrou o blefe do ocidente, e de fato convidou os Estados Unidos a se voltar contra seus próprios aliados jihadistas. Em Washington, essa não será uma modificação fácil de fazer. Velhos hábitos são difíceis de quebrar.


JPEG - 49.1 kbO evento que realmente desencadeou a fúria da MSM contra Putin e Rússia foi a crise da Ucrânia. Para o ocidente, foi culpa da Rússia, agressão da Rússia, especialmente a reunificação com a Crimeia, esquecendo-se de que os EUA e seus satélites da UE iniciaram a presente crise apoiando um golpe de estado fascista em Kiev. Faça uma pesquisa on-line: a imagem do urso russo perigoso é onipresente. Ele forçou os crimeanos a votar a favor da reunificação russa. Que absurdo e quão longe da realidade se pode chegar? Como se os crimeanos quisessem abraçar a junta fascista em Kiev...

O urso russo é também retratado comendo um peixe chamado Ucrânia. "Sinto-me ameaçado", grunhe o urso, vestindo uma ‘ushanka’ [uma espécie de gorro amarrado ao queixo, cobrindo as orelhas, típico da Rússia –nt] estampada com a foice e o martelo.

   
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Ainda outro urso, mostrando os dentes afiados, oferece chocolates Valentine [com referência ao Dia dos Namorados – nt] para uma babushka [mulher idosa – nt] assustada vestindo um casaco onde aparece escrito ‘Leste da Ucrânia’. "Seja minha... ou então" é a legenda. A mensagem é tão ultrajante que se começa a rir. Mas, depois de refletir, a imagem não é engraçado de forma alguma pois mostra a extensão com que a MSM virou a realidade de cabeça para baixo.

JPEG - 58.8 kbHá ainda um artigo recente na revista Time, o que poderia ser mais MSM do que a revista Time, lamentando "a perigosa ascensão da linha-dura do Kremlin", os assim chamados ‘siloviki’, poderosos funcionários, como se não houvesse nenhum governo ocidental desse tipo. É o roto falando do esfarrapado. Estes novos bandidos de Moscou "dominam a vida política na Rússia", de acordo com a revista Time, "[e]... contribuem... para com... uma atmosfera de paranoia e agressividade." A revista Time nos oferece um verdadeiro dicionário de clichês ocidentais absurdos sobre a Rússia. O megafone da MSM do agressor acusa o "outro" de agressão. É um velho truque, aliás, muitas vezes usado pelos Estados Unidos. Quanto à "paranoia", olhe para um mapa. Quem está tentando cercar quem? Quem ameaça a quem? Quem gasta quase tanto em armamentos quanto todos os outros Estados do planeta Terra combinados? Não é a Rússia.

A novilíngua orwelliana [novilíngua: refere-se à linguagem propagandística preconizada por Orwell – nt] é agora a norma no Ocidente e especialmente nos Estados Unidos. Acabei de ler discursos do Obama. A Rússia e a China são "outros" criminosos. Seria tal objetivação dos adversários dos EUA uma preparação para a guerra? Ouvindo Obama, você nunca saberia que os EUA intermediaram um golpe de estado fascista em Kiev, cometeram atos flagrantes de agressão contra o Iraque e a Líbia, entre outros Estados, ou que ele armam os jihadistas Salafi na Síria. Os de fora e os dissidentes que expõem as mentiras são ignorados, ridicularizados, enegrecidos. Os delatores são presos. E Putin, um homem marcado, se é que há um, está condenado acima de todos os outros por ter ousado, como a criança na fábula de Andersen, a expor o Imperador sem roupas. "Vocês entendem o que fizeram?" – Putin perguntou recentemente na ONU. Nyet, Gospodin Prezident, eles não entendem. Costumava-se dizer que a verdade vai aparecer; mas, não tenho tanta certeza de que irá, pelo menos em tempo de ser algo mais do que um ponto de debate entre os historiadores, como sugeriu Karl Rove, tarde demais para fazer diferença.


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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A presstituta (1) americana, desprezível e covarde.

- sempre que Washington ou sua presstituta falam, mentem -


por Paul Craig Roberts

Tradução: mberublue

Fevereiro de 2015, dia 05. Existe uma confusão alvoroçada, um bafafá em andamento que versa sobre um jornalista norteamericano o qual contou uma história sobre estar em um helicóptero numa zona de guerra. O helicóptero teria sido atingido e foi obrigado a pousar. Não sei qual zona de guerra. Os Estados Unidos tem andado tão ocupados criando várias zonas de guerra mundo afora que há certa dificuldade em manter-se atualizado sobre todas elas, e como vocês verão, não estou interessado na história em si mesma.

Ocorre que o tal jornalista pode ter lembrado os acontecimentos de forma incorreta. Ele realmente estava em um helicóptero numa zona de guerra, mas a máquina não foi atingida nem teve que pousar. O jornalista foi acusado de ter mentido na esperança de apresentar-se como “mais experiente do que realmente é.”

O jornalista tem colegas que também trabalham na presstituta e eles caíram para cima dele cheios de acusações. Ele teve até que pedir desculpas para as tropas. Não ficou bem claro de quais tropas estamos falando. A exigência norteamericana de que todos se desculpem por cada palavra dita me traz lembranças da antiga União Soviética, onde, conforme alegado (realidade ou não) por anticomunistas, os cidadãos soviéticos eram obrigados a criticar a si mesmos.

A National Public Radio (02/05/15), achou que tudo isso era tão importante que o programa até tocou uma gravação do jornalista contanto a história. Para mim, parece uma boa história. A audiência do programa gostou e riu muito. O jornalista não se gabou de nenhum heroísmo de sua parte, nem se queixou de qualquer falha por parte da tripulação do helicóptero. Afinal, é normal que helicópteros caiam em zonas de guerra.

Estabelecendo que o jornalista tinha dito que o helicóptero fora atingido quando na realidade isso não se deu, a National Public Radio levou ao programa um psicanalista da Universidade da Carolina, Irvine, que seria um expert em “falsa memória”. O especialista então listou várias razões que podem levar alguém a ter falsas memórias, frisando o ponto de que não é assim tão incomum e que o jornalista muito provavelmente não passa de mais um exemplo. Porém a NPR fazia ainda questão de saber se não era possível ter o jornalista mentido para parecer um ótimo profissional. Não foi explicado porque estar em um helicóptero caindo faz um jornalista parecer ótimo, mas poucos trabalhadores na presstituta quiseram cavar tão fundo na questão.

Agora, vamos ao que interessa. Eu estava ouvindo tudo isso enquanto dirigia, porque é menos deprimente ouvir a propaganda enganosa da NPR que ouvir os pregadores cristãos/sionistas. Na hora anterior a NPR apresentava a seus ouvintes três reportagens sobre a morte de civis nas províncias separatistas do leste e do sul ucraniano. Quando ouvi a reportagem pela primeira vez, a NPR presstituta relatava como um hospital havia sido atingido por explosivos, matando cinco pessoas na República separatista de Donetsk. A presstituta não relatou que esse feito poderia ser de responsabilidade das forças ucranianas, sugerindo em vez disso que poderia ser obra dos “rebeldes apoiados pela Rússia”. Não foi oferecida qualquer explicação quanto aos motivos que levariam os rebeldes a atacar seu próprio hospital. A impressão que ficou, para aquela pequena percentagem de norteamericanos que ainda sabem pensar, é a de que a presstituta não tem permissão para dizer que os ucranianos apoiados por Washington atacaram um hospital.

Em todas as três reportagens o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, foi ouvido, transmitindo-se sua afirmação de que os EUA estão procurando uma solução pacífica e diplomática, mas os russos estariam bloqueando estas tentativas através do envio de colunas de tanques e tropas para dentro da Ucrânia. Na viagem de volta, ouvi por mais três vezes Kerry afirmando, através da NPR, a alegação acusatória sem pés nem cabeça sobre as tropas e os tanques russos a derramar-se pela Ucrânia. Claramente, a NPR não passa de mais uma voz a serviço da propaganda enganosa sobre a Rússia invadindo a Ucrânia.

Pense um pouco sobre isso. Temos ouvido de altos funcionários do governo dos Estados Unidos, e até do presidente por meses e meses sobre as colunas de tanques russos e das inumeráveis tropas russas entrando na Ucrânia. O governo russo nega essas acusações com firmeza, mas é claro que não podemos acreditar em nada que os russos dizem, porque não podemos acreditar no que dizem os russos demonizados. Não temos permissão para acreditar neles, porque eles foram posicionados como inimigos, e os bons e patrióticos norteamericanos jamais acreditam nos inimigos.

Mas... como podemos ajudar mesmo acreditando nos russos? Se é verdade a alegação de que todas essas tropas e tanques russos realmente invadiram a Ucrânia, o governo fantoche em Kiev já teria caído desde o ano passado e o conflito estaria terminado. Qualquer um que tenha um cérebro sabe disso.

Pronto. Agora chegamos ao meu ponto. Um jornalista qualquer contou uma história inofensiva e quase foi queimado vivo, forçado a pedir desculpas para as tropas por ter mentido. No meio de todo esse bafafá, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, o Presidente dos Estados Unidos, inúmeros senadores, autoridades do Poder Executivo e a presstituta relataram repetidamente por meses após meses que colunas de tanques e tropas russas estavam entrando na Ucrânia. Ainda assim, apesar de todas essas forças russas, os civis das províncias separatistas do leste e sul ucranianos ainda continuam a ser massacrados pelo governo fantoche que os EUA instalaram em Kiev.

Se as tropas e tanques russos são assim tão inoperantes, ineficientes, por que os comandantes da OTAN e os neoconservadores belicistas alertam sobre o terrível perigo que a Rússia representa para os países Bálticos, Polônia e Leste Europeu?

Isso não faz o menor sentido, é ou não é?

 Pois bem. A questão é a seguinte: por que está a presstituta toda em cima de um jornalista infeliz em vez de responsabilizar os Grande Mentirosos, John Kerry e Barak Obama?

A resposta é: não haverá custo para a presstituta ao destruir um qualquer, seja lá porque razão, mesmo que apenas para se divertir, como um “atirador americano” (American Sniper, referência ao filme lançado recentemente- NT), que mata pessoas por diversão sua e de amigos, mas eles seriam botados no olho da rua se apontassem para a responsabilidade de Obama ou Kerry, e sabem disso. Mas eles têm que chamar a atenção, mesmo que seja devorando-se uns aos outros.

Não há possibilidade da existência de uma democracia sem uma mídia honesta. A democracia nos EUA não passa de uma fachada, por trás da qual se operam todas as maldades a que se inclina a humanidade. Pelos últimos 14 anos o povo norteamericano apoiou governos dos EUA que invadiram, bombardearam, ou atacaram com drones sete países, matando, mutilando e deslocando milhões de pessoas sem nenhuma outra razão que a busca de lucro e poder hegemônico. Apesar disso, não há o menor sinal de que isso tenha tirado o sono ou deixado com um peso na consciência qualquer norteamericano.

Quando Washington não está bombardeando e matando, está conspirando para derrubar governos reformistas, como aconteceu com o governo hondurenho que o governo Obama derrubou, e os governos da Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina, que o governo Obama está atualmente tentando derrubar. Não se esqueçam, é claro, do governo democraticamente eleito da Ucrânia que foi vencido pelo golpe de estado de Washington.

O novo governo grego, assim como o próprio Putin, estão na mira.

Washington e sua presstituta servil para justificar tudo assinalaram o governo ucraniano eleito que foi derrubado por um golpe de Washington como uma “ditadura corrupta”. O governo colocado em seu lugar consiste em uma combinação de fantoches de Washington e neonazistas que fazem questão de ostentar em suas forças militares insígnias nazistas. Mas é claro que a presstituta americana esmera-se em não notar as insígnias nazistas.

Pare um pouco e pergunte a si mesmo porque um episódio insignificante como a mentira de um jornalista qualquer merece um estardalhaço da mídia americana enquanto as flagrantes, extraordinárias, descaradas e nuas mentiras de Kerry e Obama são olimpicamente ignoradas pela presstituta?

Talvez você tenha esquecido o quanto são eficientes as forças militares russas. Rebusque na memória e lembre qual foi o destino do exército da Geórgia, treinado e equipado por Israel e Estados Unidos e que Washington atiçou na Ossétia do Sul. A invasão perpetrada pela Geórgia na Ossétia do Sul acabou por resultar em mortes de soldados russos de forças de paz e de cidadãos russos. Os militares russos intervieram e em cinco horas derrotaram inapelavelmente o exército georgiano, treinado e equipado pelos Estados Unidos e Israel. Nesse momento, toda a Geórgia estava nas mãos do exército russo, que recuou assim mesmo, mantendo a independência da antiga província da Rússia, apesar das mentiras de Washington, de que Putin pretendia restaurar o Império Soviético.

A única conclusão a que deve chegar qualquer cidadão norteamericano é que cada declaração do governo americano replicada pela mídia presstituta é uma mentira ignóbil, que serve apenas para uma agenda secreta que os norteamericanos não apoiariam, se dela tivessem conhecimento.

Sempre que Washington ou sua presstituta falam, mentem.


(1)   [presstitute] Neologismo criado por Gerald Celente, através da união das palavras “press” (imprensa) e “prostitute” (prostituta), usado largamente entre articulistas para designar a mídia americana, em sua maioria cooptada pela propaganda enganosa de Washington. Vários tradutores brasileiros a traduzem como “presstituta”.

Paul Craig Roberts. (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.



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