Mostrando postagens com marcador mídia comprada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mídia comprada. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A presstituta (1) americana, desprezível e covarde.

- sempre que Washington ou sua presstituta falam, mentem -


por Paul Craig Roberts

Tradução: mberublue

Fevereiro de 2015, dia 05. Existe uma confusão alvoroçada, um bafafá em andamento que versa sobre um jornalista norteamericano o qual contou uma história sobre estar em um helicóptero numa zona de guerra. O helicóptero teria sido atingido e foi obrigado a pousar. Não sei qual zona de guerra. Os Estados Unidos tem andado tão ocupados criando várias zonas de guerra mundo afora que há certa dificuldade em manter-se atualizado sobre todas elas, e como vocês verão, não estou interessado na história em si mesma.

Ocorre que o tal jornalista pode ter lembrado os acontecimentos de forma incorreta. Ele realmente estava em um helicóptero numa zona de guerra, mas a máquina não foi atingida nem teve que pousar. O jornalista foi acusado de ter mentido na esperança de apresentar-se como “mais experiente do que realmente é.”

O jornalista tem colegas que também trabalham na presstituta e eles caíram para cima dele cheios de acusações. Ele teve até que pedir desculpas para as tropas. Não ficou bem claro de quais tropas estamos falando. A exigência norteamericana de que todos se desculpem por cada palavra dita me traz lembranças da antiga União Soviética, onde, conforme alegado (realidade ou não) por anticomunistas, os cidadãos soviéticos eram obrigados a criticar a si mesmos.

A National Public Radio (02/05/15), achou que tudo isso era tão importante que o programa até tocou uma gravação do jornalista contanto a história. Para mim, parece uma boa história. A audiência do programa gostou e riu muito. O jornalista não se gabou de nenhum heroísmo de sua parte, nem se queixou de qualquer falha por parte da tripulação do helicóptero. Afinal, é normal que helicópteros caiam em zonas de guerra.

Estabelecendo que o jornalista tinha dito que o helicóptero fora atingido quando na realidade isso não se deu, a National Public Radio levou ao programa um psicanalista da Universidade da Carolina, Irvine, que seria um expert em “falsa memória”. O especialista então listou várias razões que podem levar alguém a ter falsas memórias, frisando o ponto de que não é assim tão incomum e que o jornalista muito provavelmente não passa de mais um exemplo. Porém a NPR fazia ainda questão de saber se não era possível ter o jornalista mentido para parecer um ótimo profissional. Não foi explicado porque estar em um helicóptero caindo faz um jornalista parecer ótimo, mas poucos trabalhadores na presstituta quiseram cavar tão fundo na questão.

Agora, vamos ao que interessa. Eu estava ouvindo tudo isso enquanto dirigia, porque é menos deprimente ouvir a propaganda enganosa da NPR que ouvir os pregadores cristãos/sionistas. Na hora anterior a NPR apresentava a seus ouvintes três reportagens sobre a morte de civis nas províncias separatistas do leste e do sul ucraniano. Quando ouvi a reportagem pela primeira vez, a NPR presstituta relatava como um hospital havia sido atingido por explosivos, matando cinco pessoas na República separatista de Donetsk. A presstituta não relatou que esse feito poderia ser de responsabilidade das forças ucranianas, sugerindo em vez disso que poderia ser obra dos “rebeldes apoiados pela Rússia”. Não foi oferecida qualquer explicação quanto aos motivos que levariam os rebeldes a atacar seu próprio hospital. A impressão que ficou, para aquela pequena percentagem de norteamericanos que ainda sabem pensar, é a de que a presstituta não tem permissão para dizer que os ucranianos apoiados por Washington atacaram um hospital.

Em todas as três reportagens o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, foi ouvido, transmitindo-se sua afirmação de que os EUA estão procurando uma solução pacífica e diplomática, mas os russos estariam bloqueando estas tentativas através do envio de colunas de tanques e tropas para dentro da Ucrânia. Na viagem de volta, ouvi por mais três vezes Kerry afirmando, através da NPR, a alegação acusatória sem pés nem cabeça sobre as tropas e os tanques russos a derramar-se pela Ucrânia. Claramente, a NPR não passa de mais uma voz a serviço da propaganda enganosa sobre a Rússia invadindo a Ucrânia.

Pense um pouco sobre isso. Temos ouvido de altos funcionários do governo dos Estados Unidos, e até do presidente por meses e meses sobre as colunas de tanques russos e das inumeráveis tropas russas entrando na Ucrânia. O governo russo nega essas acusações com firmeza, mas é claro que não podemos acreditar em nada que os russos dizem, porque não podemos acreditar no que dizem os russos demonizados. Não temos permissão para acreditar neles, porque eles foram posicionados como inimigos, e os bons e patrióticos norteamericanos jamais acreditam nos inimigos.

Mas... como podemos ajudar mesmo acreditando nos russos? Se é verdade a alegação de que todas essas tropas e tanques russos realmente invadiram a Ucrânia, o governo fantoche em Kiev já teria caído desde o ano passado e o conflito estaria terminado. Qualquer um que tenha um cérebro sabe disso.

Pronto. Agora chegamos ao meu ponto. Um jornalista qualquer contou uma história inofensiva e quase foi queimado vivo, forçado a pedir desculpas para as tropas por ter mentido. No meio de todo esse bafafá, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, o Presidente dos Estados Unidos, inúmeros senadores, autoridades do Poder Executivo e a presstituta relataram repetidamente por meses após meses que colunas de tanques e tropas russas estavam entrando na Ucrânia. Ainda assim, apesar de todas essas forças russas, os civis das províncias separatistas do leste e sul ucranianos ainda continuam a ser massacrados pelo governo fantoche que os EUA instalaram em Kiev.

Se as tropas e tanques russos são assim tão inoperantes, ineficientes, por que os comandantes da OTAN e os neoconservadores belicistas alertam sobre o terrível perigo que a Rússia representa para os países Bálticos, Polônia e Leste Europeu?

Isso não faz o menor sentido, é ou não é?

 Pois bem. A questão é a seguinte: por que está a presstituta toda em cima de um jornalista infeliz em vez de responsabilizar os Grande Mentirosos, John Kerry e Barak Obama?

A resposta é: não haverá custo para a presstituta ao destruir um qualquer, seja lá porque razão, mesmo que apenas para se divertir, como um “atirador americano” (American Sniper, referência ao filme lançado recentemente- NT), que mata pessoas por diversão sua e de amigos, mas eles seriam botados no olho da rua se apontassem para a responsabilidade de Obama ou Kerry, e sabem disso. Mas eles têm que chamar a atenção, mesmo que seja devorando-se uns aos outros.

Não há possibilidade da existência de uma democracia sem uma mídia honesta. A democracia nos EUA não passa de uma fachada, por trás da qual se operam todas as maldades a que se inclina a humanidade. Pelos últimos 14 anos o povo norteamericano apoiou governos dos EUA que invadiram, bombardearam, ou atacaram com drones sete países, matando, mutilando e deslocando milhões de pessoas sem nenhuma outra razão que a busca de lucro e poder hegemônico. Apesar disso, não há o menor sinal de que isso tenha tirado o sono ou deixado com um peso na consciência qualquer norteamericano.

Quando Washington não está bombardeando e matando, está conspirando para derrubar governos reformistas, como aconteceu com o governo hondurenho que o governo Obama derrubou, e os governos da Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina, que o governo Obama está atualmente tentando derrubar. Não se esqueçam, é claro, do governo democraticamente eleito da Ucrânia que foi vencido pelo golpe de estado de Washington.

O novo governo grego, assim como o próprio Putin, estão na mira.

Washington e sua presstituta servil para justificar tudo assinalaram o governo ucraniano eleito que foi derrubado por um golpe de Washington como uma “ditadura corrupta”. O governo colocado em seu lugar consiste em uma combinação de fantoches de Washington e neonazistas que fazem questão de ostentar em suas forças militares insígnias nazistas. Mas é claro que a presstituta americana esmera-se em não notar as insígnias nazistas.

Pare um pouco e pergunte a si mesmo porque um episódio insignificante como a mentira de um jornalista qualquer merece um estardalhaço da mídia americana enquanto as flagrantes, extraordinárias, descaradas e nuas mentiras de Kerry e Obama são olimpicamente ignoradas pela presstituta?

Talvez você tenha esquecido o quanto são eficientes as forças militares russas. Rebusque na memória e lembre qual foi o destino do exército da Geórgia, treinado e equipado por Israel e Estados Unidos e que Washington atiçou na Ossétia do Sul. A invasão perpetrada pela Geórgia na Ossétia do Sul acabou por resultar em mortes de soldados russos de forças de paz e de cidadãos russos. Os militares russos intervieram e em cinco horas derrotaram inapelavelmente o exército georgiano, treinado e equipado pelos Estados Unidos e Israel. Nesse momento, toda a Geórgia estava nas mãos do exército russo, que recuou assim mesmo, mantendo a independência da antiga província da Rússia, apesar das mentiras de Washington, de que Putin pretendia restaurar o Império Soviético.

A única conclusão a que deve chegar qualquer cidadão norteamericano é que cada declaração do governo americano replicada pela mídia presstituta é uma mentira ignóbil, que serve apenas para uma agenda secreta que os norteamericanos não apoiariam, se dela tivessem conhecimento.

Sempre que Washington ou sua presstituta falam, mentem.


(1)   [presstitute] Neologismo criado por Gerald Celente, através da união das palavras “press” (imprensa) e “prostitute” (prostituta), usado largamente entre articulistas para designar a mídia americana, em sua maioria cooptada pela propaganda enganosa de Washington. Vários tradutores brasileiros a traduzem como “presstituta”.

Paul Craig Roberts. (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.



Leia Mais ››

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A Rússia na Alça de Mira


por Paul Craig Roberts
Tradução: mberublue

Os ataques desfechados por Washington contra a Rússia já ultrapassaram os limites do absurdo e adentraram no reino da loucura.
O novo chefe do Broadcasting Board of Governors (BBG – uma agência federal independente, responsável, entre outras coisas pela Voz da América e pela comunicação social do governo dos EUA – NT), Andrew Lack, declarou que o novo serviço de noticiário russo, RT, que transmite em múltiplas línguas, é uma organização terrorista equivalente ao Boko Haram ou o Estado Islâmico, e a Standard and Poor’s acaba de rebaixar a nota de crédito da Rússia para a categoria “lixo”.

Hoje, a RT me entrevistou sobre esses desenvolvimentos insanos.

Antigamente, quando os Estados Unidos ainda eram um país são, a acusação de Lack faria com que fosse expulso de seu gabinete, coberto de ridículo. Ele teria sido obrigado a renunciar e a desaparecer da vida pública. Hoje, no mundo de faz de conta que a propaganda ocidental criou, suas afirmações são levadas a sério. Assim, outra ameaça terrorista foi identificada – a RT (embora tanto o Boko Haram como o Estado Islâmico promovam o terror, estritamente falando eles são organizações políticas procurando estabelecer um Estado, e não organizações para o terror, mas esta distinção está além da capacidade de compreensão de Lack. Sim, eu sei. Há uma piada feita aqui, tentando entender o que falta a Lack. Nome apropriado, etc... (o autor faz uma brincadeira com o nome de Andrew Lack. Ocorre que lack é a palavra inglesa para falta, escassez. Então, para Lack, falta [lack] inteligência - NT).

Contudo, seja lá o que for que falte a Lack, duvido que ele mesmo acredite nas suas declarações sem qualquer senso, sobre ser a RT uma organização terrorista. Nesse caso, o que pretende?

A resposta é que, ao se tornar a mídia comprada (no original, presstitute media – junção de prostitute [prostituta] e press [imprensa] - NT) o “Ministério da Propaganda” para Washington, criou um enorme mercado para RT, Press TV e Al Jazeera. Na medida em que mais e mais pessoas mundo afora migram para essas fontes mais confiáveis e honestas, a capacidade de Washington para fabricar explicações convenientes (e falsas – NT) diminuiu.

A RT, particularmente, tem uma enorme audiência. O contraste violento entre as reportagens verdadeiras da RT e as mentiras vomitadas pela mídia norte americana solapou a capacidade de auto explicação de Washington. Tal imposição não é mais possível.

Lack mandou uma mensagem nada sutil para a RT: fique esperta; pare com essas reportagens que colocam em dúvida nossas afirmações; pare de contestar os fatos da forma como colocados por Washington e pela mídia comprada; tome jeito, senão...

Em outras palavras a “liberdade de expressão” de Washington e de seus estados vassalos, União Europeia, Canadá e Austrália tem o seguinte significado: liberdade de expressão para a propaganda e as mentiras de Washington, mas não para qualquer verdade. Verdade é terrorismo, porque a verdade é a maior ameaça para Washington.

Na verdade, Washington quer evitar o embaraço de fechar a RT, como seu vassalo Reino Unido fez com a Press TV. Em vez disso, quer simplesmente calar a RT. A mensagem de Lack para a RT é: auto censura.

Em minha opinião, a RT já suaviza os fatos em suas coberturas e reportagens, assim como o faz a Al Jazeera. As duas organizações já entenderam que não podem ser muito francas, pelo menos não frequentemente ou em certas ocasiões.

Sempre me pergunto por que o governo russo permite que cerca de 20% da mídia russa funcione como uma quinta coluna de Washington dentro da Rússia. Suspeito que a razão possa ser a esperança russa de que tolerando a propaganda flagrante de Washington na Rússia, alguma informação factual possa ser exposta nos Estados Unidos, via RT ou outras organizações russas de notícias.

Tal esperança, como outras aspirações russas em relação ao ocidente, muito provavelmente se transformará em decepção no final. Caso a RT seja ou fechada ou assimilada pela mídia comprada por Washington, nada se dirá quanto a este fato, mas se a Rússia fechar qualquer dos agentes de Washington em seu próprio território, todos mentirosos contumazes, que estão presentes na mídia russa, ouviremos ad nauseam sobre os russos demoníacos que tem a audácia de não permitir a “livre expressão”. Lembrem-se, a única “liberdade de expressão” permitida é a propaganda de Washington.

Apenas o correr do tempo dirá se a RT decidirá fechar por dizer a verdade ou se acabará por aderir ao coro abjeto da propaganda de Washington.

O outro item da entrevista foi sobre o rebaixamento da nota de crédito russa para a categoria “lixo”.

O rebaixamento da nota pela Standard and Poor’s foi, sem nenhuma dúvida, um ato político. Esta é a prova do que já sabíamos, que seja: as empresas de notação de crédito americanas são empresas políticas, que promovem operação políticas corruptas. Lembram-se do grau de investimento que essas agências de notação norte americanas deram para créditos de risco (subprime) que eram obviamente nada mais que lixo? Essas agências de notação de crédito são pagas por Wall Street e como Wall Street, elas servem ao governo dos Estados Unidos.

Basta olhar para os fatos para perceber a natureza política da decisão. Mas é inútil esperar que a imprensa financeira corrupta dos Estados Unidos esclareça os fatos. Mas nós, sim, podemos lançar um olhar honesto para os fatos.

Pois então vamos colocar os fatos em um contexto que inclua a situação do débito dos Estados Unidos.

De acordo com os índices disponíveis online, o débito nacional russo equivale a 11% (onze por cento) do PIB russo. O débito nacional dos Estados Unidos está numa porcentagem de 105% (cento e cinco por cento) do PIB norte americano, cerca de dez vezes superior, percentualmente, ao débito russo. Meus coautores Dave Kranzler, John Williams e eu mesmo, temos demonstrado que, medida corretamente, a percentagem da divida norte americana em relação ao PIB dos EUA é muito maior que o número oficial do governo.

Per capita, a dívida nacional russa é de 1.645 dólares. A dívida nacional per capita dos Estados Unidos é de 56.952 dólares.

No total, a dívida nacional da Rússia é de 235 bilhões de dólares, menos que um quarto de trilhão, O tamanho da dívida nacional dos Estados Unidos é de 18 trilhões, 76,6 vezes maior que o débito russo.

Colocando esses dados em perspectiva: de acordo com os índices de débito, o PIB dos Estados Unidos é de 17.3 trilhões de dólares e o PIB da Rússia é de 2,1 trilhões. Então, o PIB dos EUA é oito vezes maior que o PÌB russo, mas a dívida nacional dos Estados Unidos é 76,6 vezes maior que a dívida russa.

Claro como água é o fato de que a notação de crédito dos Estados Unidos é que deveria ser rebaixada à categoria lixo. Mas não é o que acontece. Qualquer agência de notação de crédito que tivesse a coragem de dizer a verdade seria imediatamente fechada e processada, e não importaria muito sob que acusações, por absurdas que fossem. As agências de crédito seriam então incriminadas como antiamericanas, como organizações terroristas tal qual a RT, etc. e assim por diante. E elas sabem disso. Nunca espere a verdade de um cidadão de Wall Street. Eles mentem para sobreviver.

De acordo com o site http://people.howstuffworks.com/5-united-states-debt-holders.htm#page=4 a partir de janeiro de 2013 os Estados Unidos devem para a Rússia 162,9 bilhões de dólares. Como a dívida russa é de 235 bilhões, 69 por cento da dívida russa está garantida pelas obrigações da dívida norte americana com a Rússia.

Se esta é a crise russa, eu sou Alexandre, o Grande.

Como a Rússia tem dólares suficientes para pagar toda a dívida nacional e ainda sobram cerca de 200 bilhões de dólares, qual é afinal o problema da Rússia?

Um de seus problemas é seu Banco Central. Em sua maior parte, os economistas russos são iguais aos incompetentes neoliberais que pululam por todo o mundo ocidental. Os economistas russos estão apaixonados por seus contatos com o ocidente “superior” e com o prestígio que eles imaginam que esses contatos lhes dão. Desde que os economistas russos concordem com os economistas ocidentais, continuarão a ser convidados para conferências no exterior. Os economistas russos são na realidade agentes de Washington, compreendam ou não esse fato.

No momento, o Banco Central russo está desperdiçando o grande acervo russo de reservas em moeda estrangeira, em apoio ao ataque do ocidente ao rublo. Este é um jogo de tolos que nenhum Banco Central deveria jogar. O Banco Central da Rússia deve lembrar, ou aprender se por acaso não souber, sobre o ataque de Soros ao Banco da Inglaterra.

A reserva cambial da Rússia deve ser usada para quitar toda a dívida nacional da Rússia, tornando-a, desta forma, o único país no mundo a não ter uma dívida nacional. Os dólares remanescentes deveriam ser despejados em ações coordenadas com a China para destruir o dólar americano, base do poder imperial de Washington.

Alternativamente, o governo russo poderia simplesmente anunciar que a resposta à guerra econômica conduzida contra a Rússia pelo governo de Washington e as agências de notação de crédito de Wall Street seria o incumprimento dos empréstimos russos junto aos credores ocidentais. Afinal, a Rússia nada tem a perder, pois já foi cortada do acesso ao crédito ocidental pelas sanções impostas pelos Estados Unidos. O default russo causaria consternação e crise em todo o sistema bancário europeu, o que é exatamente o que a Rússia quer, no intento de parar com o apoio da Europa às sanções impostas por Washington.

Em minha opinião, os economistas neoliberais que controlam a economia russa são uma ameaça bem maior à soberania russa que as sanções econômicas e as bases de mísseis dos Estados Unidos. Para sobreviver a Washington, a Rússia precisa desesperadamente de pessoas que não tenham uma visão romantizada do ocidente.

Dramatizando a situação, caso o presidente Putin me concedesse a cidadania russa e permitisse que Michael Hudson e Nomi Prins fossem nomeados como meus adjuntos, eu assumiria o Banco Central russo e imediatamente colocaria o ocidente fora de suas operações.

Mas isso exigiria que a Rússia assumisse alguns riscos para vencer. Os atlanticistas integracionistas dentro do governo russo querem a vitória do ocidente, não a da Rússia. Um país infiltrado com traidores dentro de seu próprio governo tem reduzidas chances contra Washington, um jogador determinado.

Outra quinta coluna que opera nas entranhas da Rússia são as ONGs financiadas pela Alemanha e pelos Estados Unidos. Os agentes norte americanos se mascaram como “organizações de direitos humanos” ou “organizações do direito das mulheres” e ainda “organizações para a democracia” e qualquer outro título grandiloquente que caia como uma luva nestes tempos do politicamente correto e que sejam incontestáveis.

Contudo, outra ameaça para a Rússia vem da grande percentagem de jovens russos que desejam ardentemente participar da cultura depravada do ocidente. Sexo licencioso, pornografia, drogas, egoísmo. Estes são os produtos culturais oferecidos pelo ocidente. Além, é claro, da possibilidade de matar muçulmanos.

Se o que os russos querem é poder matar pessoas apenas para se divertir e solidificar a hegemonia dos Estados Unidos sobre si mesmos e o mundo inteiro, podem então apoiar a “integração atlanticista” e dar as costas ao nacionalismo russo. Por que ser russo se você pode ser um servo dos americanos?

Quer resultado melhor para os neoconservadores norte americanos que ter o apoio da Rússia para a hegemonia mundial incontestável de Washington? Pois é isto que os economistas neoliberais russos e os “Integracionistas Europeus” anelam. Os neoliberais russos estão dispostos a ser lacaios dos Estados Unidos para fazer parte do ocidente, e receber a régia recompensa por sua traição abjeta.

Quando fui entrevistado sobre esses desenvolvimentos pela RT, o âncora do telejornal estava tentando enfrentar as acusações de Washington apresentando fatos. É espantoso constatar que os jornalistas russos não percebem que “fatos” nada tem a ver com tudo isso. Os jornalistas russos, pelo menos aqueles independentes dos subornos e propinas americanas, imaginam que os fatos tem alguma importância nos conflitos da mídia sobre as ações da Rússia. Eles pensam, por exemplo, que os ataques contra civis, praticados pelos nazistas ucranianos apoiados por Washington é um fato. Claro que é, mas tal fato simplesmente não existe na mídia ocidental. Para esta, os russos e apenas os russos são os responsável por toda e qualquer violência na Ucrânia.

A história sustentada por Washington é a de que Putin, esse terrível e maldoso personagem, está tentando nada menos que a restauração do Império Soviético, e que esta é a causa do conflito. A linha seguida pela mídia americana nada tem a ver com os fatos.

A Rússia está, em minha opinião, correndo grave perigo. Os russos confiam nos fatos e Washington confia na propaganda mentirosa. Para Washington, os fatos não importam. As vozes do ocidente abafam completamente a voz da Rússia.

A falta de uma voz russa se deve apenas a ela mesma. A Rússia aceitou viver em um mundo no qual as finanças, as leis e as telecomunicações são inteiramente dominadas pelos Estados Unidos. Viver neste mundo significa que a única voz a ser ouvida é a de Washington.

O motivo pelo qual a Rússia acedeu a esta estratégia permanece um completo mistério, mas com certeza isso foi o resultado de um fatal erro estratégico, que colocou a Rússia em desvantagem.

Considerando as infiltrações que Washington tem promovido dentro do próprio governo russo, os oligarcas economicamente poderosos e os funcionários estatais com  conexões com o ocidente, assim  como a mídia e a juventude russa com suas centenas de ONGs financiadas pelos Estados Unidos ou pela Alemanha, que podem a qualquer momento colocar os próprios russos nas ruas para protestar contra qualquer defesa tentada pelo país, é duvidoso que a Rússia possa no futuro manter qualquer soberania, ou sequer ter um futuro.

Os neocons norte americanos são implacáveis. Seu oponente russo está enfraquecido pela propaganda que Washington, que coloca os Estados Unidos como salvador da humanidade e de seu futuro em um mundo outra vez ameaçado pela guerra fria.

A escuridão do Sauron Americano continua a ser espalhada sobre o mundo inteiro.

Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

Tradução: mberublue


Leia Mais ››