domingo, 7 de junho de 2015

Os ucranianos já foram espoliados.
Norte-americanos serão os próximos.

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por Paul Craig Roberts
Tradução mberublue
Os ucranianos estiveram nos últimos 15 meses a pagar para Washington pela derrubada de seu governo democraticamente eleito em mortes, desmembramento de seu país e derrocada econômica, além da deterioração de seu relacionamento com a Rússia, que, para a Ucrânia, foi traduzida na prática com a perda de sua energia subsidiada. Agora os ucranianos estão perdendo suas pensões e ajuda social. Pateticamente, a população ucraniana marcha de cabeça baixa para o cemitério.
A Agência de Notícias TASS publicou reportagem em 01 de junho dando conta que a Ucrânia interrompera o pagamento de pensões em geral, assim como aos veteranos da Segunda Guerra Mundial, pessoas com deficiências e vítimas de Chernobyl. De acordo com a reportagem, Kiev “eliminou ainda gastos com transportes, serviços de saúde, serviços públicos e benefícios financeiros para antigos prisioneiros dos campos de concentração nazistas, bem como não mais honrará as ordens de pagamentos e títulos remanescentes da era soviética. As compensações em dinheiro para a s famílias com filhos vivendo nas áreas contaminadas pela radiação emanada do acidente com a usina de Chernobyl também deixarão de ser pagas. A oposição no parlamento ucraniano acredita que a Procuradoria Geral abrirá processo contra o Primeiro Ministro Arseniy Yatsenyuk, que foi quem trabalhou ativamente para a promulgação da lei de abolição desses ‘privilégios’.”
O que se observa claramente é que puxaram o tapete dos idosos e desvalidos na Ucrânia. “Comedores inúteis”, eles foram classificados como lixo e para a lata de lixo destinados. Como devem se sentir agora os estudantes enganados da Praça Maidan, vendo que são culpados pela destruição do sistema de apoio aos seus próprios avós, por terem apoiado a revolução orquestrada por Washington na Praça Maidan? O crime que esses estudantes estúpidos cometeram com sua cumplicidade idiota é terrível.
Yatsenyuk, ou “Yats”, como Nuland prefere chamá-lo, é o fantoche de Washington que o Departamento de Estado selecionou para tocar o governo de marionetes estabelecido por Washington em Kiev. Yats age como um republicano de extrema direita quando se refere a pensões, compensações e serviços sociais como se fossem meros “privilégios”. Tem uma visão similar à dos republicanos nos Estados Unidos em relação ao seguro social ou serviços médicos prestados pelo Estado, pagos pelos impostos sobre os salários, ou seja, pagos pelos trabalhadores ativos dos Estados Unidos. Os republicanos roubam os recursos que daí advém e os gastam em guerras que só servem para enriquecer ainda mais os tubarões de Wall Street e do complexo formado pela segurança/exército, e agora deram para culpar as “esmolas sociais” pela situação fiscal dos Estados Unidos.
Por acaso seria o direito da MONSANTO de tornar a Ucrânia uma produtora de alimentos geneticamente modificados um privilégio para os ucranianos? Será o Benedito que o direito que o filho do Vice Presidente dos EUA adquiriu de destruir o solo e contaminar as águas subterrâneas da Ucrânia também um privilégio? Os altos custos financeiros impostos por forças externas para que os ucranianos sejam mais facilmente saqueados os tornam privilegiados? Claro que não, ora essa! Nada disso é privilégio! Trata-se apenas de uma operação do mercado financeiro visando a criar o maior número possível de benefícios para o maior número possível de pessoas (como sei que muitos norte-americanos não vão entender que estou sendo irônico faço questão de afirmar: estou sendo irônico).

A reportagem não dá conta se os “privilégios” abolidos são parte de uma reforma que poderia posteriormente substituir o atual sistema de segurança social por outro. Talvez seja este o caso, mas como a interrupção do pagamento das pensões foi disparado e foi imediatamente aplicada na sequencia da lei colocada em vigor por Yats para “estabilizar a condição financeira da Ucrânia”, o objetivo dessa interrupção de pensões e pagamentos pode ter tido o objetivo de liberar dinheiro para pagar ao FMI e aos bancos ocidentais. Na Ucrânia, assim como na Grécia, o povo crédulo e ingênuo, que viu a “salvação” na união com o ocidente está sendo levado ao abismo.
Claro, a Rússia levará a culpa por tudo. Posso até prever o que escreverão o The Washington Post e o New York Times  em seus editoriais, bem como as palavras que serão ditas por Obama, CNN e Fox “News”. Aliás, meus leitores inteligentes também podem.
Pilhagem semelhante está em curso na Inglaterra, Itália, Espanha e nos Estados Unidos. Na Inglaterra, tudo o que foi conquistado no decorrer de décadas pelo Partido Trabalhista foi jogado fora, e não apenas pelo Partido Conservador, mas pelo próprio líder do Partido Trabalhista, Tony Blair.
Tony Blair colocou seus eleitores à venda por dinheiro e atualmente, está entre o 1% dos mais ricos. Bill e Hillary Clinton fizeram a mesma coisa. Os Clinton foram capazes de gastar três milhões (3.000.000) de dólares para realizar o casamento de sua filha, talvez um recorde mundial, colocando no chinelo a maioria dos casamentos de Hollywood. Obama ainda nem deixou o gabinete e também já está rico. Os fiéis vassalos de Washington, Merkel, Hollande e Cameron, aguardam expectantes riquezas equivalentes.
Karl Marx estava correto ao dizer que o dinheiro a tudo corrompe. Tudo se tornou uma espécie de commodity que pode ser comprada e vendida por dinheiro.
A partir do momento que o dinheiro é a medida mais importante de uma pessoa, a população inteira está corrompida. Pois esta é a situação no mundo ocidental.
Em que lugar do ocidente as suas finanças pessoais, pequenas ou grandes, estão a salvo? Em lugar nenhum. Washington destruiu a privacidade financeira por todo o território do ocidente. Chegou mesmo a forçar a Suíça a violar as próprias leis apenas para concordar com a insistência de Washington em relação a qualquer tipo de privacidade financeira.
Por décadas, os norte-americanos que fossem titulares de contas bancárias no exterior eram obrigados a declará-las em suas Declarações do Imposto de Renda. Agora, se um norte-americano for possuidor de uma mera moeda de ouro em um cofre no estrangeiro, é obrigado a declarar o fato a Washington.
Uma vez que Washington saiba a localização de seus ativos, estes podem ser confiscados à vontade. Os EUA só precisam fazer algum tipo de declaração ou uma acusação qualquer e o seu dinheiro estará perdido.
Tendo em vista que Washington colocou as máquinas de impressão de dólares a todo vapor para servir a um punhado de bancos que controlam o tesouro dos Estados Unidos, a menos que a Rússia e a China concordem em se tornar vassalos de Washington, a qualquer momento o valor do dólar cairá acentuadamente. Quando isso acontecer, não mais poderá o Federal Reserve criar dinheiro novo para satisfazer as necessidades de Washington.
Nesse caso, de onde virá o dinheiro? Das pensões dos trabalhadores dos Estados Unidos.
Pensões são acumuladas ano após ano sem pagamento de impostos e essa acumulação pode ser confiscada no total ou em parte para compensar o não pagamento de impostos, mais um “privilégio”.
Em determinado ano, acontecerá o confisco. Mas o que acontecerá no ano seguinte, quando o dólar continuará cambaleante nos mercados cambiais externos, dado o excesso de oferta? A resposta é que será assaltado mais um pedaço das pensões dos norte-americanos, e falo agora das pensões privadas, que serão confiscadas “para estabilizar o sistema financeiro”. Nestas alturas, a seguridade social será coisa do passado.
Alicia Munhel, que foi a minha substituta como Secretária Assistente do Tesouro para a Política Econômica no regime de Clinton, advogou anos atrás um confisco de pensões privadas, incluindo seus IRAs e 401Ks (modalidades de aposentadorias privadas, através das quais o trabalhador para uma parte e o empregador paga outra parte, ou ainda paga apenas pelo trabalhador. Durante o tempo em que a aposentadoria está sendo paga ou seja, ‘acumulada’ – ou pelo trabalhador ou pelo empregador, ou por ambos – o dinheiro é considerado livre de impostos, os quais serão cobrados apenas na época da aposentadoria do trabalhador, quando se supõe que, devido a idade e outros fatores, pagará impostos mais baixos – NT) para compensar os Estados Unidos pelo status de dinheiro livre de impostos.
Alicia tem uma sinecura (no original sinecure – emprego bem remunerado que exige pouco ou nenhum esforço – NT) em uma universidade do Leste enquanto continua a lutar contra a nossa aposentadoria. O ataque conjunto dos Democratas de Clinton contra as pensões privadas e dos Republicanos conservadores contra as pensões públicas significa que nenhum trabalhador dos Estados Unidos pode ter esperança de gozar algum dia de uma aposentadoria. Os norte-americanos tem apenas uma eleição antes de perder suas pensões, e não importa em quem votarão.
A segurança econômica é coisa do passado. Segurança era um produto que surgiu apenas porque os Estados Unidos eram a única economia ainda em pé logo depois da Segunda Guerra Mundial. Naqueles dias saudosos, as corporações acreditavam, assim como Washington, que as companhias tinham obrigações não apenas com os acionistas, mas também com seus empregados, consumidores e com as comunidades onde estivessem localizadas.
O resultado disso era prosperidade para todos, e não apenas, como acontece hoje, com a gestão das empresas e com os acionistas.
Os apologistas desse sistema de exploração gostam de dizer que os ricos se tornam cada vez mais ricos porque seriam muito mais espertos. Mas acontece que a estupidez dos ricos é visível onde quer que se olhe. Os imbecis gananciosos destruíram o mercado doméstico dos Estados Unidos. Pense bem, o quanto se pode ser estúpido? Como poderão os cidadãos dos Estados Unidos continuar a consumir, se os seus bem remunerados empregos da indústria manufatureira e engenharia de software foram todos deslocalizados para o exterior, forçando-os a aceitar serviços como garçonetes, garçons, vendedores do varejo e trabalhadores de tempo parcial para a Walmart, tudo para que as linhas de capital de giro das empresas melhorem? Quem vai comprar o que se produz para gerar lucros? Certamente não os norte-americanos, porque não terão dinheiro para tanto.
No entanto, a crença espalhada por Wall Street e pelos “advogados de acionistas” de que as corporações somente tem responsabilidade perante seus proprietários e acionistas destruiu a economia dos Estados Unidos.
Quando deslocalizaram a produção para o estrangeiro, as corporações destruíram os rendimentos que sustentaram o mercado consumidor dos Estados Unidos. Por exemplo, os rendimentos associados com a produção de computadores da Apple, assim como I-Pads e I-Phones estão agora na China. Os consumidores norte-americanos da Apple não mais tem os rendimentos resultantes da fabricação dos produtos que a Apple comercializa para eles.
Os cidadãos dos Estados Unidos já foram espoliados de seus meios de subsistência e de suas carreiras. Suas pensões por aposentadoria é o próximo alvo. Para onde quer que se olhe, o destino das populações sob influência do ocidente é o mesmo. Os ucranianos estão sendo espoliados. Assim como os gregos, os ingleses, os norte-americanos.
Onde quer que o ocidente deixe a sua marca, as populações são brutalmente exploradas. A exploração de muitos por poucos é a característica do ocidente, uma entidade corrupta, decrépita e moribunda.


Paul Craig Roberts - (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.
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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Você pode ser aniquilado pela política externa desenvolvida por Alice e sua Gangue dos Chapeleiros Loucos



 clifford_joe-285
por Joe Clifford
tradução mberublue


03 de junho de 2015 - "Information Clearing House" - 

A menos que os norte americanos comecem a prestar atenção à própria política externa e às decisões insanas que estão sendo tomadas, serão todos aniquilados. Em primeiro lugar, um pequeno estudo da situação totalmente irracional à qual as decisões dos chefões acabaram por nos levar e depois uma visão de como nossa vida está sendo colocada em risco por idiotas e dementes.

Uma pequena síntese das atuais posições dos Estados Unidos no Oriente Médio é muito simples de entender e seguir, facilmente compreensível. Tente. Estamos aliados com nosso inimigo declarado, o Irã, contra o Estado Islâmico, o qual cresceu através do caos que nós mesmos criamos com a invasão anterior do Iraque, que, todos sabem, foi baseada em mentiras. Estamos também tentando derrubar o Presidente Assad na Síria, onde lutamos ombro a ombro com grupos de jihadistas financiados pela Arábia Saudita, à qual apoiamos contra os Houtis no Iêmem. A comunidade Houti é a mais ferrenha inimiga da Al Qaeda – que preparou e executou o incidente de 9/11 – enquanto isso, nosso melhor amigo, Israel, está aos beijos e abraços com a Al Qaeda na Síria, e nosso outro melhor amigo, a Turquia, está ajudando o Estado Islâmico. Está seguindo? Não parece o “samba do crioulo doido”?

Nos dias atuais podemos ver que o Iraque se tornou um desastre perfeito, por causa de vinte e cinco anos da política brutal de sanções absurdas impostas pelos Estados Unidos. A guerra seguiu as sanções através de uma invasão do território do Iraque e bombardeamento contínuo até o dia de hoje. O país desceu até os portões do inferno só porque os Estados Unidos decidiram que o que o Iraque necessitava era de mais armas. Estamos, portanto, mandando mais armas para o Iraque, as quais serão usadas contra as armas que já tínhamos enviado para lá. Bem inteligente, é ou não é?

Pensa que está ruim? Então comece a pensar nos nossos “inimigos nº 1” adicionais e nos povos que colocamos hodiernamente em nossas listas de extermínio. Para complementar a luta que travamos contra a Al Qaeda e Estado Islâmico enquanto tentamos derrubar Assad na Síria, ao mesmo tempo estamos de olho no Hamas e no Hezbollah, ambos inimigos de Israel, mas que representam mais um parzinho de guerras para nós. Ah! Não podemos esquecer dos 13 (treze!) anos da Guerra ainda em andamento no Afeganistão que começou supostamente para capturar os apoiadores de Bin Laden, e se tornou uma espécie de cruzada para derrotar o Taliban, grande grupo que por sua vez tenta destronar o governo fantoche instalado pelos Estados Unidos no Afeganistão. Nesse meio tempo, enquanto continuamos a bombardear o Iraque, o Estado Islâmico está presente em virtualmente todo o Oriente Médio, Assad ainda está governando a Síria, o Taliban está resistindo muito bem no Afeganistão. Mas os idiotas que decidem dizem que temos que lutar também contra o Boko Haram na Nigéria e contra os Houtis no Iêmem, sob ataque de mais um de nossos melhores amigos, a Arábia Saudita, mesmo sabendo que os Houtis são inimigos figadais da Al Qaeda. Assim, ao ajudar a Arábia Saudita contra os Houtis, estamos na verdade ajudando a Al Qaeda no Iêmem. Está entendendo até aqui??

Para acompanhar tudo isso, fizemos um acordo na última semana, através do qual daremos a Israel dois bilhões de dólares adicionais em armas, que serão usadas, penso eu, ou contra palestinos em uma guerra qualquer no futuro ou contra o Irã. Aliás, Israel não faz outra coisa a não ser pedir aos EUA que ataquem o Irã.

Atualmente, estamos apoiando o mais novo ditador sangrento do Egito com 1,3 bilhões (ou mais) de dólares em armamento. Ora, antes, apoiamos o ditador Mubarak por 30 anos... Ele finalmente caiu, na sequência de uma eleição democrática na qual o Sr. Morsi foi eleito. Mas não ficou assim. Em seguida, Morsi foi também derrubado por outro ditador, ao qual agora estamos apoiando. O atual ditador acaba de sentenciar o antigo líder democraticamente eleito, Sr. Morsi, à morte. Mas esse ditador é gente nossa, então fornecemos a ele armas e suprimentos militares para que se mantenha no poder, e olhamos para o lado quando um líder democraticamente eleito é sentenciado à morte. Entendeu??

Toda essa morte  e destruição foi desencadeada após o incidente de 9/11. Os noecons nos mentiram friamente e o público foi fisgado pelas mentiras e pelo apoio que a imprensa deu à malversação dos fatos como um peixe pelo anzol. A imprensa, como sempre, nada mais fez que papaguear as mentiras  inventadas por Washington sobre armas de destruição em massa que nunca existiram no Iraque. O Iraque também foi falsamente acusado em relação aos fatos de 9/11. Essas mentiras causaram a morte de milhões de pessoas. Sim, MILHÕES DE PESSOAS, mortas pelos ataques militares dos Estados Unidos desde 9/11.

Muito bem, as coisas estão meio confusas até agora, então vou fornecer uma informação crucial que ajudará a esclarecer a situação. Quantas nações os Estados Unidos bombardearam desde 9/11? Vou dar uma pista, já que é muito fácil perder a conta... Quatorze!!

Bem. Todas essas podem ser consideradas guerras menores, relativamente falando, mas no atual estágio, Alice e sua gangue dos chapeleiros loucos estão arquitetando duas guerras gigantescas. As decisões dos loucos estão colocando tanto China quanto Rússia em uma camisa de onze varas da qual não existe escapatória. Tanto Rússia quanto China estão sendo provocadas pelos Estados Unidos dentro de seu próprio quintal. A OTAN acaba de completar recentemente seus “jogos de guerra” ao lado da fronteira russa. Que tal isso como provocação? Ou estupidez? Pois a provocação contra a Rússia segue, porque nós a estamos acusando de “interferência” em relação a seu vizinho do lado, a Ucrânia; mas fomos nós, através da membro da Gangue, Victoria Nuland, que orquestramos a derrubada de um líder democraticamente eleito na Ucrânia só porque era pró Rússia. Foi quando a “senhora” Nuland disse com todas as letras: “foda-se a União Europeia”, quando esta não agiu tão rápido quanto ela queria no apoio rasteiro ao golpe de estado. Enquanto isso, estamos mandando tropas para todos os Estados Balcânicos, mesmo ao lado da Rússia, e estamos também forçando para colocar bases de mísseis no entorno da Rússia, mas são os russos, temos dito, que estão insanamente provocando e totalmente em pecado por sua “interferência” no seu vizinho do lado. Você consegue entender??

Temos tropas a 8000 quilômetros de casa, no quintal da Rússia e a estamos cercando de mísseis. Você deve lembrar ou pelo menos deve ter lido sobre a Crise dos Mísseis de Cuba, um evento que quase levou a uma guerra nuclear total, quando a Rússia tentou instalar mísseis a 160 quilômetros da Florida. Sei...

Agora, Alice e sua Gangue dos Chapeleiros Loucos dizem que a China está “interferindo” e incomodando a gente, assim estamos provocando a China. Você pode perguntar: e como eles estão “interferindo”? No “Mar do Sul da China”! Veja só, no “Mar do Sul DA CHINA”! Pois então, na última semana mandamos aviões de espionagem para um lugar que a China considera como seu território, ilhas no Mar do Sul da China. Ali, tais aviões foram repetidamente instados pela China a sair, ou então... Quase se foi às vias de fato. A China classificou a invasão dos Estados Unidos como “provocativa” e chamou Washington às falas para que se torne um pouco mais “racional”. Infelizmente, os tomadores de decisões nos Estados Unidos não são racionais. São doidos, e enquanto promovem guerras ao redor do mundo inteiro, estão agora a colocar a Rússia e a China em um beco sem saída. Todos sabemos o que acontece quando se encurrala alguém.

Milhões podem perecer a menos que você se interesse pelo que estão fazendo esses imbecis, esses dementes safados. Trata-se da sua própria vida. Preste atenção. A coisa está saindo totalmente do controle. Não é por menos que uma pesquisa levada a efeito em 65 países apontou os Estados Unidos como a maior ameaça atual à paz mundial.



Joe Clifford - vive em Rhode Island e escreve há anos para vários jornais artigos sobre política externa. Os artigos por ele escritos colocam em xeque, de forma provocativa, nosso senso embotado de realidade.
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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Washington recuperou o bom senso?


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por Paul Craig Roberts
http://www.paulcraigroberts.org/2015/05/15/washington-coming-senses-paul-craig-roberts/

tradução mberublue



A visita apressada do Secretário de Estado estadunidense John Kerry à Rússia já provocou muita especulação, dado que ocorreu justamente na esteira da exitosa celebração do Dia da Vitória em 09 de maio. Em 11 de maio o secretário Kerry, que havia anteriormente  desdenhado a Rússia no dia 09 estava a caminho da Rússia, tendo Putin consentido em recebê-lo no dia 12 de maio.

Apenas com o passar do tempo descobriremos porque Kerry menosprezou Putin em 09 de maio e apenas três dias depois estava criticando o regime fantoche de Washington atualmente instalado na Ucrânia. Pelo que se sabe até agora, uma das possíveis explicações é que Washington finalmente recuperou seu bom senso.

Caso você tenha assistido o vídeo de uma hora e vinte minutos da Parada do Dia da Vitória, você deve ter percebido que a celebração não foi apenas uma festa e transmitiu uma mensagem poderosa. A Rússia é uma potência militar de primeira classe, além de estar claramente apoiada pela China e pela Índia, cujos soldados marcharam juntamente com os russos na parada.

Então, enquanto o cada vez mais irrelevante ocidente continua engolfado em um narcisismo doentio, sonhando com a própria e suposta importância e desprezando as celebrações da vitória que o Exército Vermelho lhe deu contra Hitler, os três maiores países do mundo estavam presentes. Juntos. A Rússia é detentora da maior massa geográfica e a China e a Índia, também países enormes geograficamente falando, têm as maiores populações do mundo.

A celebração em Moscou, entre outras coisas, serviu para deixar claro que Washington falhou miseravelmente na tentativa de isolar a Rússia. O que Washington conseguiu mesmo foi unir ainda mais os países do grupo BRICS.

A celebração, que viu o presidente da China sentado ao lado direito de Putin, tornou cristalino, mesmo para os imbecis que fazem parte do staff de Obama, que Washington já não é um poder onipotente.

Pensem agora no impacto causado entre os fantoches de Washington na Europa, os quais são a parte mais importante do império norte americano. Os Europeus estão cientes que duas das maiores potências militares que a história registrou não sobreviveram quando resolveram invadir a Rússia. Napoleão perdeu o Grande Exército na Rússia e Hitler viu a Wehrmacht destroçada na Rússia. Os Europeus estão sabedores de que estão sendo empurrados para um conflito contra a Rússia, apenas para defender os interesses de Washington nos seus desejos de hegemonia mundial. Mesmo acostumados a obedecer a Washington, quando o assunto é lutar contra a Rússia as dissensões começam a pipocar. Já se podem ver sinais de tentativas de independência na política externa europeia, quando Merkel e Hollande se encontraram com Putin para tentar solucionar o conflito na Ucrânia, orquestrado por Washington.

Tendo que encarar a falha completa de suas tentativas de isolar a Rússia, em combinação com a emergência de uma política externa independente na Europa, Washington enviou Kerry para pedir a Putin que trabalhe para encontrar uma maneira de amenizar a crise ucraniana. As atividades pacificadoras de Putin permitirão que Washington não passe tanta vergonha, livrando um pouco a cara, mas isso não é nada agradável para os neoconservadores do complexo exército/segurança nos EUA. Já investiram pesadamente na arrogância de Amerika über alles (Amerika über alles – aqui, o autor faz um jogo de palavras com o primeiro verso do hino alemão “Deutschland, Deutschland über alles” ou seja: Alemanha, Alemanha acima de tudo – NT) e estão no momento babando pelos lucros que adviriam de uma nova guerra fria. Ou quente.

Resumindo, Obama, Cameron e Kerry terão que aprender a fazer mágica: eles têm “apenas” que fazer uma transição instantânea – da demonização de Putin para o trabalho em conjunto com o presidente russo.

Agora, os Estados Unidos pretendem usar a sedução, não tendo tido sucesso ao usar a força contra a Rússia. Mas se os povos do ocidente esperam escapar do estado policialesco que Washington impôs ao mundo ocidental, eles precisam rezar muito para que Putin não seja seduzido.

Não há estadistas no ocidente. Existe apenas o egoísmo e a arrogância. A “liderança” ocidental baseia-se na exploração. Tendo saqueado impiedosamente os países não ocidentais, agora o ocidente começa a comer as próprias entranhas, através do saque efetuado contra a Irlanda e a Grécia, com a Itália, Espanha e Portugal como os próximos alvos para a pilhagem e o roubo. A própria população norte americana foi saqueada cruamente ao perder seus empregos, suas aspirações de progresso pessoal e seus direitos civis.

O modelo ocidental de “capitalismo democrático” não é democracia nem capitalismo, mas uma forma de fascismo conduzida por uma oligarquia. O país que mais desesperadamente necessita de uma mudança de regime são os Estados Unidos.


Paul Craig Roberts - (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.
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segunda-feira, 27 de abril de 2015

A cegueira da União Europeia face à estratégia militar dos Estados Unidos


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por Thierry Meyssan
tradução : Alba
Os responsáveis da União Europeia enganam-se completamente acerca dos atentados islamistas na Europa e as migrações para a União de gente fugindo das guerras. Thierry Meyssan mostra aqui que tudo isto não é a consequência acidental dos conflitos no Médio-Oriente alargado e em África, mas sim um objectivo estratégico dos Estados Unidos.

REDE VOLTAIRE  27 DE ABRIL DE 2015 



Os dirigentes da União Europeia encontram-se súbitamente confrontados com situações inesperadas. Por um lado, atentados ou tentativas de atentados perpetrados, ou preparados, por indivíduos que não pertencem a grupos políticos identificados; por outro lado um afluxo de migrantes, via mar Mediterrâneo, dos quais vários milhares morrem às suas portas.
Na ausência de análise estratégica, estes dois acontecimentos são considerados a priori como não tendo relação entre si e são tratados por administrações diferentes. Os primeiros recaem sobre os serviços de Inteligência e da polícia, os segundos sobre os serviços de alfandega e da Defesa. Ora, eles têm no entanto uma origem comum: a instabilidade política no Levante e em África.
A União Europeia privou-se dos meios para compreender
Se as academias militares da União Europeia tivessem feito o seu trabalho de casa, elas teriam estudado nos últimos quinze anos, a doutrina do «big brother» norte-americano. Com efeito, desde há longuíssimos anos, o Pentágono publica todo o tipo de documentos sobre a «teoria do caos» copiada do filósofo Leo Strauss. Há ainda alguns meses, um funcionário que já deveria ter sido aposentado há mais de 25 anos, Andrew Marshall, dispunha de um orçamento de 10 milhões de dólares anuais para realizar pesquisas sobre este assunto [1]. Mas nenhuma academia militar da União estudou seriamente esta doutrina e as suas consequências. Tanto porque é uma forma de guerra bárbara e também porque ela foi concebida por um mestre pensador das elites judias norte-americanas. Ora, está-se a ver, os Estados Unidos-que-nos-salvaram-do-nazismo não podem preconizar tal tipo de atrocidades [2].
Se os políticos da União Europeia tivessem viajado um pouquinho, não apenas no Iraque, na Síria, na Líbia, no Corno de África, na Nigéria e no Mali, mas também na Ucrânia, eles teriam visto com os seus próprios olhos a aplicação desta doutrina estratégica. Mas, eles contentaram-se em vir falar num prédio da Zona Verde em Bagdade, num palanque em Tripoli ou na praça Maidan de Kiev. Eles ignoram aquilo que as populações vivem e, a requisição do seu «Grande Irmão-big brother» fecharam muitas vezes as suas embaixadas de tal modo que se privaram de ter olhos e ouvidos no local. Melhor, eles subscreveram, sempre a requisição do seu «Grande Irmão», embargos, de modo que nenhum homem de negócios pudesse ir, nunca mais, até aos locais testemunhar o que acontecia por lá.
O caos não é um acaso, é o objectivo

Contrariamente ao que disse o presidente François Hollande, a migração de Líbios não é a consequência de uma «falta de acompanhamento» da operação «Protector unificado», mas o resultado pretendido por esta operação na qual o seu país desempenhou um papel de líder. O caos não se instalou porque os «revolucionários líbios» não se puseram de acordo entre si após a «queda» de Muammar el-Kadafi, ele era o objectivo estratégico dos Estados Unidos. E estes conseguiram atingi-lo. Não houve uma «revolução democrática» na Líbia, jamais, mas sim uma secessão da Cirenaica. Jamais houve uma aplicação do mandato da Onu visando «proteger a população», mas o massacre de 160.000 Líbios, três quartos dos quais civis, sob os bombardeamentos da Aliança (dados da Cruz-Vermelha Internacional).
Eu lembro-me, antes de me juntar ao governo da Jamahiriya árabe Líbia, ter sido solicitado para servir de testemunha aquando de uma reunião em Tripoli entre uma delegação dos EUA e representantes líbios. Durante esta longa reunião, o chefe da delegação dos EU explicou aos seus interlocutores que o Pentágono estava pronto a salvá-los de uma morte certa, mas exigia que o Guia lhe fosse entregue. Ele acrescentou que, quando el-Kaddafi estivesse morto, a sociedade tribal não conseguiria aceitar uma nova liderança antes de, pelo menos, uma geração, o país seria então mergulhado num caos que jamais havia experimentado. Eu relatei esta conversação em numerosas ocasiões e não parei, desde o linchamento do Guia, em outubro de 2011, de predizer aquilo que acontece hoje em dia.
A «teoria do caos»Quando, em 2003, a imprensa norte-americana começou a referir a «teoria do caos», a Casa Branca ripostou evocando um «caos construtivo», insinuando que se iriam destruir estruturas de opressão para que a vida pudesse fluir em liberdade. Mas jamais Leo Strauss, nem o Pentágono até então, haviam usado esta imagem. Pelo contrário, segundo eles, o caos seria tal ordem que nada aí se pudesse estruturar, para além da vontade do Criador da Ordem nova, os Estados Unidos [3].

O princípio desta doutrina estratégica pode ser resumido assim : o modo mais simples para pilhar os recursos naturais de um país, durante um longo período, não é de o ocupar, mas o de destruir o Estado. Sem Estado, nada de exército. Sem exército inimigo, não há nenhum risco de derrota. Portanto, o objectivo estratégico dos militares dos E.U. e da aliança que ele dirige, a Otan, é exclusivamente o de destruir os Estados. O que acontece às populações atingidas não diz nada a Washington.
Este projeto é inconcebível para os europeus que, desde a Guerra Civil Inglesa, ficaram convencidos pelo Leviathan(Leviatã-ndT) de Thomas Hobbes, que é talvez preferível renunciar a algumas liberdades, ou até mesmo aceitar um Estado de tirania, do que ficar mergulhado no caos.
A União Europeia nega a sua cumplicidade nos crimes E.U.
As guerras no Afeganistão e no Iraque custaram já a vida a 4 milhões de pessoas [4]. Elas foram apresentadas perante o Conselho de Segurança como respostas necessárias «em legítima defesa», mas sabe-se agora que haviam sido planificadas bem antes do 11-de-Setembro num contexto muito mais amplo de «remodelagem do Médio-Oriente Alargado», e que as razões evocadas para as desencadear não foram senão fabricações propagandísticas.
É costume reconhecer os genocídios cometidos pelo colonialismo europeu, mas poucos são aqueles que actualmente admitem estes 4 milhões de mortos, apesar dos estudos científicos que o atestam. É que os nossos pais eram «maus», mas nós somos «bons» e não podemos ser cúmplices destes horrores.
É comum fazer troça deste pobre povo alemão que manteve até ao fim a sua confiança nos seus dirigentes nazistas e não tomou consciência, senão após a sua derrota, dos crimes cometidos em seu nome. Mas nós agimos exactamente da mesma forma. Conservamos a nossa confiança no nosso «Grande Irmão» e não queremos ver os crimes em que ele nos envolve. Seguramente, os nossos filhos se rirão de nós...
Os erros de interpretação da União Europeia
Descrição: - Nenhum dirigente europeu-ocidental, absolutamente nenhum, ousou publicamente considerar que os refugiados do Iraque, da Síria, da Líbia, do Corno de África, da Nigéria e do Mali estejam fugindo de ditaduras, ao invés do Caos em que nós voluntariamente, mas inconscientemente, mergulhamos os seus países.
Descrição: - Nenhum líder da europeu-ocidental, absolutamente nenhum, ousou publicamente considerar que os atentados «islamitas» que atingem a Europa são a extensão das guerras do «Médio-Oriente Alargado», mas que são comanditados por aqueles que, igualmente, comanditaram o caos nesta região. Nós preferimos continuar a pensar que os «islamitas» querem atacar os judeus e os cristãos, quando a imensa maioria das suas vítimas não são nem judias nem cristãs, mas muçulmanas. Com sobranceria, nós os acusamos de promover a «guerra de civilizações», quando o conceito foi forjado no seio do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos e é estranho à sua cultura [5].
Descrição: - Nenhum dirigente europeu-ocidental, absolutamente nenhum, ousou publicamente considerar que a próxima etapa será a «islamização» das redes de distribuição de drogas como no modelo dos Contras da Nicarágua vendendo as drogas na comunidade negra da Califórnia com a ajuda e sob as ordens da CIA [6]. Nós decidimos ignorar que a família Karzai retirou a distribuição da heroína afegã à máfia Kosovar e a encaminhou para o Daesh(Exército Islâmico- ndT) [7].
Os Estados-Unidos jamais quiseram que a Ucrânia se junte à União
As academias militares da União Europeia não estudaram a «teoria do caos», porque elas a isso foram interditas. Os poucos professores e pesquisadores que se aventuraram neste campo foram severamente sancionados, enquanto a imprensa qualificava de «conspiracionistas» os autores civis que a tal se interessavam.
Os políticos da União Europeia pensavam que os acontecimentos da praça Maidan eram espontâneos e que os manifestantes queriam deixar a órbita autoritária da Rússia e entrar no paraíso da União. Ficaram estupefactos aquando da publicação da conversa da sub-secretária de Estado, Victoria Nuland, evocando o seu controlo secreto dos acontecimentos e afirmando que seu objectivo era o de «f...a União» (sic) [8]. A partir daquele momento, eles não compreenderam mais nada do que se estava a passar.
Se eles tivessem permitido a livre pesquisa em seus países, eles teriam percebido que, ao intervir na Ucrânia e aí ter organizado a «mudança de regime», os Estados Unidos asseguravam-se que a União Europeia permaneceria ao seu serviço. A grande angústia de Washington, após o discurso de Vladimir Putin na Conferência sobre a Segurança em Munique de 2007, é que a Alemanha perceba onde está o seu interesse : não com Washington, mas sim com Moscovo [9]. Ao destruir progressivamente o Estado ucraniano, os Estados Unidos cortam a principal via de comunicação entre a União Europeia e a Rússia. Vós podeis virar e revirar, em todas as direções, a sucessão dos eventos, e não conseguireis achar-lhe um sentido diferente. Washington não deseja que a Ucrânia se junte à União, como o atestam as declarações da Srª. Nuland. O seu único objectivo é transformar este território numa zona de circulação perigosa.
A planificação militar do E.U.
Eis-nos pois face a dois problemas que se desenvolvem muito rapidamente : os atentados «islamistas» apenas começaram. Os migrantes triplicaram no Mediterrâneo em apenas um único ano.
Se a minha análise fôr exacta, nós vamos assistir ao longo da próxima década aos atentados «islamitas» ligados ao Médio-Oriente Alargado e à África copiados como atentados «nazis» relacionadas com a Ucrânia. Descobriremos, então, que a Al-Qaida e os nazis ucranianos estão conectados desde o seu congresso conjunto, em 2007 em Ternopol (Ucrânia). Na realidade, os avós de uns e de outros conheciam-se desde a Segunda Guerra Mundial. Os nazis haviam, então, recrutado muçulmanos soviéticos recrutados para lutar contra Moscovo (foi o programa de Gerhard von Mende no Ostministerium). No fim da guerra, uns e outros foram recuperados pela CIA (o programa de Frank Wisner com a Amcomlib) para realizar operações de sabotagem na URSS.
As migrações no Mediterrâneo, que de momento são apenas uma questão humanitária (200 000 pessoas em 2014), vão continuar a crescer até se tornarem um sério problema económico. As recentes decisões da União de ir afundar os navios dos traficantes na Líbia não servirão para erradicar as migrações, mas para justificar novas operações militares para manter o caos na Líbia (e não para o resolver).
Tudo isso causará grandes problemas à União Europeia, que parece hoje em dia um refúgio de paz. Está fora de questão para Washington destruir este mercado que lhe continua a ser indispensável, mas interessa-lhe certificar-se que ele jamais se colocará em posição de poder competir face a si, e limitar assim o seu desenvolvimento.
Em 1991, o presidente Bush-pai encarregou um discípulo de Leo Strauss, Paul Wolfowitz (então desconhecido do grande público), de elaborar uma estratégia para a era pós-soviética. A «Doutrina Wolfowitz» explicava que a supremacia dos Estados Unidos sobre o resto do mundo exige, para ter êxito, de controlar à rédea curta a União Europeia [10]. Em 2008, aquando da crise financeira nos Estados Unidos, a presidente do Conselho Económico da Casa Branca a historiadora Christina Rohmer, explicou que a única maneira de salvar os bancos era fechar os paraísos fiscais de países terceiros, depois causar perturbações na Europa de modo a que os capitais fugissem para os Estados Unidos. Em última análise, Washington propõe-se hoje em dia a fundir o NAFTA e a União Europeia, o dólar e o euro, e a rebaixar os Estados-Membros da União ao nível do México [11].
Infelizmente para si próprios, nem os Povos da União Europeia, nem os seus dirigentes têm a consciência do que o presidente Barack Obama lhes prepara.


Thierry Meyssan - Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).
Tradução:    Alva


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