segunda-feira, 20 de abril de 2015


Noam Chomsky: EUA é o maior país terrorista do mundo.
por Euro News

tradução mberublue è Pequeno comentário do tradutor: resolvemos traduzir esta entrevista concedida por Noam Chomsky pela atualidade dos assuntos e por ser Noam Chomsky quem é, apesar de ser a Euro News o que é.

18 de abril de 2015 – Information Clearing House – Euro News – entrevistadora: Isabelle Kumar, entrevistado: Noam Chomsky è (Perguntas em caracteres romanos e respostas em itálico – NT)

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O filósofo Noam Chomsky

Isabelle Kumar: O mundo em 2015 parece ser um lugar muito inseguro, mas se você olhar para o todo, sentir-se-ia otimista ou pessimista sobre a situação atual?

Noam Chomsky: Na cena global estamos caminhando para um precipício e determinados a cair nele, através de radicais reduções da capacidade para uma sobrevivência decente.

IK: Que precipício é esse?

NC: Há dois atualmente, um deles a catástrofe ambiental que é iminente e estamos sem tempo suficiente para lidar com o problema. Quando fazemos alguma coisa, fazemos a coisa errada, e o outro tem a ver com os últimos 70 anos, que seja a ameaça de uma guerra nuclear, que na realidade está crescendo. Se você prestar atenção aos dados, é um milagre que tenhamos sobrevivido até agora.

IK: Primeiro, o problema ambiental. Temos perguntas oriundas de frequentadores de nossa mídia social, que estão enviando seus questionamentos e são montes deles. Recebemos, por exemplo, uma pergunta de Enoa Agoli: quando você olha para o problema ambiental através da lente de um filósofo, o que você pensa sobre a mudança climática?

NC: A espécie humana está aqui há cerca de mais ou menos 100.000 anos e neste instante está face a face com um momento único em sua história. Esta espécie está agora em uma posição em que deve decidir muito rapidamente, em algumas gerações, se o experimento autointitulado “vida inteligente” continuará a existir ou está determinado à autodestruição? Quero dizer aqui que a esmagadora maioria dos cientistas reconhece que grande parte dos combustíveis fósseis deveriam ser deixados no solo, isso se quisermos realmente que nossos netos tenham um futuro decente. Mas a estrutura institucional de nossa sociedade pressiona cada vez mais agudamente para que se extraia cada gota. Os efeitos, as consequências para os seres humanos e os efeitos já preditos sobre a mudança climática estão às nossas portas e são catastróficos. Trata-se da corrida para o precipício que já mencionei.

IK: Já que falamos de guerra nuclear, podemos ver um panorama no qual se alcançou um acordo preliminar com o Irã. Isso lhe dá pelo menos um raio de esperança de que o mundo possa se tornar um lugar mais seguro?

NC: Sou favorável às negociações com o Irã, mas tais negociações estão profundamente equivocadas. Há dois Estados cuja voracidade no Oriente Médio está produzindo agressões, violência, atos terroristas e ações ilegais constantemente. Os dois são Estados nucleares e possuem blindagem contra ataques nucleares. E suas armas nucleares não estão sendo levadas em conta.

IK: A quem exatamente você está se referindo?

NC: Aos Estados Unidos e a Israel. Dois dos maiores estados nucleares no mundo. Entendo que é por essa razão que em pesquisas internacionais, levadas a efeito por agências de pesquisas dos próprios Estados Unidos, este aparece lembrado como a maior ameaça à paz mundial por grande margem. Nenhum outro país chega sequer perto. É interessante notar que a mídia dos Estados Unidos se recusa a publicar estes resultados, o que não os faz desaparecer.

IK: Você não tem muita consideração com o Presidente dos Estados Unidos, Barak Obama. Mas este acordo não faz com que você o veja em termos um pouco melhores? O fato de que ele está tentando reduzir o risco de uma guerra nuclear?

NC: Bem, na verdade ele não está. Ele acaba de dar início a um programa de um trilhão de dólares para modernizar o sistema de armas nucleares dos Estados Unidos, o que significa expandir o sistema de armamento nuclear. Esta é uma das razões pelas quais o relógio do juízo final, criado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos foi, apenas duas semanas atrás, colocado dois minutos mais perto da meia noite. A meia noite significa o fim. Assim, estamos agora a apenas três minutos da meia noite, o que é o mais perto nos últimos trinta anos, desde o início dos anos Reagan, quando estivemos assustadoramente perto da guerra nuclear.

IK: Você mencionou Israel e Estados Unidos relacionados ao Irã. Agora, o Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Natenyahu obviamente não quer que o acordo nuclear com o Irã funcione, e ele disse...

NC: Interessante... deveríamos nos perguntar por que.

IK: Por que?

NC: Nós sabemos porque. O Irã gasta muito pouco com equipamentos militares, mesmo pelo padrão da região, muito menos que os Estados Unidos. A estratégia do Irã é defensiva, projetada para segurar um ataque o tempo suficiente para que a diplomacia possa agir, e os Estados Unidos e Israel, dois estados bandidos, não podem tolerar um estado dissuasivo. Nenhum analista estratégico que tenha um cérebro que funcione minimamente pensa que o Irã usará uma arma nuclear. Mesmo que seja capaz disso, o país seria simplesmente vaporizado e não há qualquer indicação de que os clérigos que dirigem o país, não importa o que se pense deles, querem ver tudo o que têm destruído.

IK: Apenas mais uma questão sobre este assunto e veio através da mídia social, de Morten A. Andersen. Ele pergunta: “você acredita que os Estados Unidos jamais assinariam um acordo que traria perigo, em primeiro lugar, para Israel?”

NC: Os Estados Unidos estão a todo instante promovendo ações que são muito perigosas para o Estado de Israel. A saber, o apoio incondicional às políticas israelenses. Pelos últimos 40 anos, a maior ameaça enfrentada por Israel veio de suas próprias políticas. Se você olhar 40 anos atrás, e falo de 1970, Israel era um dos países mais admirados e respeitados em todo o mundo. Havia muitas atitudes favoráveis para com o país. No início dos anos 70s Israel tomou uma decisão. Tinha que fazer uma escolha e preferiu trilhar o caminho da expansão em detrimento da segurança com todas as perigosas consequências que esta decisão provocou. Consequências estas que atualmente são óbvias. Além de mim, outras pessoas escreveram sobre isso. Se você prefere expansão à segurança isso vai levar você em direção à degeneração interna, ódio, oposição, isolamento e por último, a possível destruição. Apoiando essas políticas, os Estados Unidos estão contribuindo para as ameaças que Israel encara hodiernamente.

IK: O que me leva então ao tema do terrorismo. Porque é uma praga global e muita gente, e penso que posso incluir você mesmo, afirmarão que é um tiro pela culatra da política de guerra ao terror dos Estados Unidos ao redor do mundo. Até onde podem ser os Estados Unidos e seus aliados responsabilizados pelo que vimos atualmente em termos de terrorismo pelo mundo afora?

NC: Não se esqueça de que a pior campanha terrorista do mundo é, de longe, aquela levada a efeito por e orquestrada em Washington. É uma campanha global de assassinatos. Nunca antes houve uma campanha terrorista nesta escala.

IK: Quando você fala de campanha de assassinatos...?

NC: As ações com o uso de drones – é exatamente o que isso quer dizer. Sobre grande parte do globo os Estados Unidos estão sistemática, pública e abertamente – não há qualquer segredo no que estou dizendo, nós sabemos disso – está levando a efeito uma campanha regular para assassinar pessoas que o governo dos Estados Unidos suspeita que possa prejudicá-lo algum dia. E isso é, na realidade, como você mencionou, uma campanha que gera mais terror, pois quando você bombardeia uma vila no Iêmem e mata algumas pessoas – as quais talvez sejam as pessoas que você quer, talvez não – e mais algumas pessoas que moram ou que aconteça se encontrarem nas vizinhanças – como você acha que os sobreviventes reagirão? Eles querem vingança.

IK: Você descreve os Estados Unidos como o principal país terrorista. Onde se encaixa então a Europa neste quadro?

NC: Bem, esta é uma questão bem interessante. Assim, por exemplo, já existe um estudo feito recentemente. Penso que foi realizado pela Open Society Foundation... a pior forma de tortura é a “entrega extraordinária”. Entrega extraordinária significa que você prende uma pessoa da qual você tem uma suspeita qualquer, e a envia para o seu ditador favorito, talvez Assad ou Kadaffi ou Mubarak para ser torturada, esperando que surja disso alguma coisa. Isto define a maravilhosa entrega extraordinária. Obviamente, os ditadores do Oriente Médio participam, e estas pessoas foram enviadas para lá para serem torturadas. Também a Europa participa. A maioria da Europa participa. Inglaterra, Suécia e outros países. De fato, só existe uma região no mundo onde nenhum país participou: a América Latina. Esse fato é dramático. Não participou apenas porque hoje a América Latina está livre dos laços que a prendiam ao controle dos Estados Unidos. Quando a América Latina era dominada pelos EUA, há não muito tempo atrás, ela foi um dos centros mundiais de tortura. Agora, não participam da pior forma de tortura que existe, que é a entrega extraordinária. A Europa participa. Quando os mestres rugem, os servos obedecem.

IK: Então a Europa é serva dos Estados Unidos?

NC: Não tenha dúvidas. São muito covardes para ter qualquer posição de independência.

IK: Onde se enquadra Vladimir Putin nesta paisagem? Ele é pintado como se fosse uma enorme ameaça à segurança. Ele é?

NC: Como muitos líderes, ele é uma ameaça para a população de seu próprio país. Praticou ações ilegais, obviamente. Mas descrevê-lo como sendo um monstro enlouquecido, dizer que ele tem problemas mentais e que sofre de Alzheimer, que é uma criatura vil e maldosa, trata-se de fanatismo Orwelliano do tipo padrão. Quero dizer, o que quer que você pense sobre suas políticas, elas são compreensíveis. A ideia de que a Ucrânia pode se juntar a uma aliança militar ocidental seria inaceitável para qualquer líder russo. Isso remete para 1990, quando do colapso da União Soviética. Havia uma questão muito importante sobre o que aconteceria com a OTAN. Gorbachev concordou em permitir que a Alemanha fosse reunificada e se juntasse à OTAN. Foi uma concessão e tanto, mas havia uma contrapartida: que a OTAN nunca mais se expandiria sequer uma polegada para o leste. Esta foi exatamente a frase usada naquela ocasião.

IK: Então a Rússia tem sido provocada?

NC: Bem, o que aconteceu? A OTAN instantaneamente incorporou a Alemanha Oriental e então Clinton tratou de expandir a OTAN diretamente até as fronteiras da Rússia. Agora, o governo ucraniano, estabelecido depois de um golpe que derrubou o governo precedente, fez o parlamento votar a adesão à OTAN, com uma aprovação de 300 a 8 ou coisa semelhante.

IK: Mas você pode entender porque eles gostariam de se unir à OTAN, você pode ver por que o governo de Petro Poroshenko muito provavelmente vê a união com a OTAN como a proteção de seu país?

NC: Não, não, não, não. Não se trata de proteção. É certo que a Crimeia foi tomada apenas depois do golpe que derrubou o governo anterior. E a união com a OTAN não protege a Ucrânia e sim a ameaça com uma guerra em grande escala. Neste momento, não se trata de proteção. O ponto é: o que temos é uma ameaça estratégica muito séria contra a Rússia, contra a qual qualquer líder russo tem que reagir. É muito fácil de entender.

IK: Porém quando olhamos a situação da Europa, existe outro fenômeno interessante tomando lugar. Vemos a Grécia movendo-se em direção ao leste, potencialmente, assim como vemos o partido PODEMOS que ganha poder na Espanha. E há a Hungria. Você vê que existe um potencial para a Europa iniciar por si mesma um alinhamento maior com os interesses russos?

NC: Dê uma olhada no que está acontecendo. A Hungria não se encaixa, é uma situação inteiramente diferente. O partido Syriza assumiu o poder levado por uma onda popular que afirmava que a Grécia não mais deveria sujeitar-se às políticas de Bruxelas e aos bancos da Alemanha que estavam destruindo o país. O efeito das políticas de Bruxelas e dos bancos era na verdade fazer crescer imensuravelmente o débito grego em relação à sua capacidade de produzir riqueza; provavelmente metade dos jovens gregos está desempregada e provavelmente 40% da população vive abaixo da linha da pobreza. A Grécia está em ruínas.

IK: Então seu débito deve ser anulado?

NC: Sim, da mesma forma que foi feito em relação à Alemanha. Em 1953, quando a Europa perdoou a maioria dos débitos germânicos. Apenas por isso foi a Alemanha capaz de reconstruir o país devastado pela guerra.

IK: Mas então, e quanto aos demais países da Europa...?

NC: A mesma coisa.

IK: Posso concluir então que Portugal deve ter seu débito anulado, assim como a Espanha?

NC: Quem contraiu esse débito? A quem se deve tais quantias? Em grande parte, as dívidas foram contraídas por ditadores. Como na Grécia, onde uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos contraiu grande parte do débito grego. Penso que essa dívida é ainda mais brutal que a ditadura, e não deve ser paga, pois se trata daquilo que em direito internacional é chamado de “dívida odiosa”, introduzida na legislação internacional principalmente pelos Estados Unidos, quando isso era de seu interesse. Muito do restante dos débitos, chamados de contribuições para a Grécia não passaram de contribuições para os bancos franceses e alemães, que decidiram emprestar dinheiro com baixo interesse e risco extremo e agora se veem face ao risco de não serem pagos de volta.

IK: Agora, eu gostaria de fazer a seguinte questão, enviada por Gil Gribaudo que pergunta: Como pode a Europa se transformar contra os desafios existenciais que enfrenta atualmente? Porque, sim, temos uma crise econômica e também o crescimento do nacionalismo e você também descreveu algumas falhas culturais que foram criadas através da Europa. Como você vê a Europa a transformar-se em algo melhor?

NC: Os problemas enfrentados pela Europa são sérios. Alguns destes problemas são causados pelas políticas impostas pelos burocratas em Bruxelas, a Comissão Europeia, etc., enfrentando a pressão da OTAN e dos grandes bancos a maioria dos quais da Alemanha. Apenas do ponto de vista de seus elaboradores estas políticas fazem algum sentido. Por um lado, eles querem ser pagos pelos empréstimos de risco, e investimentos arriscados que fizeram e por outro lado, estas políticas estão destruindo sistema de bem estar social dos Estados, do qual aliás, eles nunca gostaram. Mas o sistema de bem estar social é uma das maiores contribuições europeias para a sociedade moderna, mesmo que os ricos e poderosos nunca tenham gostado dele e o fato de que estas políticas o estão erodindo é bom, pelo menos do seu ponto de vista. Há ainda outro problema na Europa. O continente é extremamente racista. Eu sempre considerei que, de fato, a Europa é ainda mais racista que os Estados Unidos. Tal situação não era tão notada na Europa porque as populações europeias no passado sempre tenderam a ser muito homogêneas. Assim, se todos tem cabelos louros e olhos azuis, então você não verá racistas, mas assim que a população começa a mudar, o racismo põe o focinho fora da toca. Muito rapidamente. Este é um dos sérios problemas culturais na Europa.

IK: Eu gostaria de terminar, porque o tempo se tornou curto, com uma questão de Robert Light em um tom mais positivo. Ele pergunta: O que lhe dá esperanças?

NC O que me dá esperanças são algumas das coisas das quais falei. Da América Latina, por exemplo. Há uma significância histórica no que acontece ali. Estamos prestes a ver isso se confirmar na Cúpula das Américas (a entrevista aconteceu antes da reunião de chefes de Estado – NT) que acontecerá no Panamá. Em encontros hemisféricos recentes, os Estados Unidos ficaram completamente isolados. É uma mudança radical em relação a 10 ou 20 anos atrás, quando os Estados Unidos impunham (os assuntos latino americanos). De fato, a razão pela qual Obama fez gestos de amizade em direção a Cuba, foi uma tentativa de romper o isolamento dos Estados Unidos nas Américas. Ocorre que quem estava isolado não era Cuba. Eram os Estados Unidos. Talvez a tentativa venha a falhar. Vamos ver. Os sinais de otimismo na Europa são os partidos Syriza e PODEMOS. Esperemos que haja, finalmente, uma revolta popular contra as políticas de destruição econômica e esmagamento de direitos sociais que resultam da burocracia e dos bancos, e isto é muito esperançoso. Tem que ser.

IK: Noam Chomsky, muito obrigado por ter estado conosco.

Fonte: Euro News.

Noam Chomsky - é um linguista, filósofo e ativista político norte-americano, professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts . Seu nome está associado à criação da gramática gerativa transformacional. Fonte: wikipedia.
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sábado, 18 de abril de 2015

OGM: A Ucrânia será o portador do veneno que se espalhará pela Europa.



por Ulson Gunnar – NEO
tradução - mberublue

artigo originalmente publicado em

17 de abril de 2015
Ukraine-agriculture

Quando o Washington Post faz a opção de elaborar um condescendente e insultuoso editorial dirigido a nações inteiras defendendo as impropriedades ocidentais, qualquer um pode assumir sem medo de errar que a verdade estará exatamente na direção oposta àquela que o Washington Post quer impor.

No que diz respeito às companhias biotécnicas norte americanas e suas tentativas de infestar o planeta inteiro com organismos geneticamente modificados (OGMs), em particular as suas tentativas de corromper toda a Europa com seus venenos indesejados através de uma porta dos fundos (Ucrânia), isso serviu de motivo para a Rússia a alertar seus vizinhos europeus orientais. Até o golpe armado levado a efeito em 2013/2014, também chamado de “Euromaidan” a Ucrânia sempre rejeitou categoricamente os GMOs.


Resultado de imagem para GMOAgora, com um regime comprado e obediente instalado em Kiev, as decisões políticas, econômicas e militares que foram tomadas levaram a Ucrânia à situação de ser mais ou menos uma nação sem soberania. Acompanhando essa perda de soberania, veio uma completa apatia na vontade ucraniana da própria preservação, e por isso a permissão para que ocorresse a semeadura em seus campos com venenos contaminantes e inseguros, que passaram de categoricamente proibidos para a aceitação total.

Isso nos leva de volta para o Washington Post e a mais um de seus editoriais recentemente publicados. Título: “A Rússia afirma que os investimentos ocidentais nas fazendas ucranianas são um plano para dominar o mundo inteiro” (Russia says Western investiment in Ukraine’s farms is a plot to take over the world). Primeiro, o jornal tenta desclassificar as acusações russas de que a Monsanto está atualmente em movimento para a Ucrânia com planos de fazer do país uma enorme fazenda de grãos geneticamente modificados, afirmando que tais acusações são infundadas. Quer dizer, isso até que o próprio Washington Post admite que é exatamente o que a Monsanto está fazendo. A peça assevera:

Há muito tempo que a Ucrânia tenta mostrar-se para a Europa como o futuro celeiro de comida para o continente, afirmando que os investimentos ocidentais são a chave para que se faça a exploração adequada de suas terras negras, hoje impropriamente exploradas. Mas o governo russo insiste em fazer do conhecimento geral que essas conversas de desenvolvimento agrícola não passam de um plano para ajudar companhias como a Monsanto a dominar o mercado mundial.

Então, o jornal admite:

Há muito tempo está proibido na Ucrânia o cultivo de organismos geneticamente modificados, assim como a venda de terras agricultáveis.

Em seguida, admite:

Mas o acordo de associação recentemente assinado entre a Ucrânia e a União Europeia no último ano pode ter criado um novo espaço que potencialmente permita o cultivo de culturas geneticamente modificadas na Ucrânia.

Finalmente, o Post menciona a Monsanto:

A Monsanto – talvez a companhia mais associada com os produtos geneticamente modificados – já declarou seu interesse em investir na Ucrânia ano passado (de se notar que a companhia também opera na Rússia, mas não com organismos geneticamente modificados como o faz na Ucrânia).

Em que mais estaria investindo a Monsanto na Ucrânia, além de organismos geneticamente modificados, coisa que não podia fazer antes? A Ucrânia é a vítima perfeita para hospedar a Monsanto e outras companhias semelhantes com seus organismos infectados diretamente no coração da Europa.

Com própria Europa já relaxando alguns de seus regulamentos contra OGMs, provavelmente sem o consentimento da população, que fica a cada dia mais consciente dos perigos e procurando alternativas orgânicas, as companhias como a Monsanto esperam produzir grãos organicamente modificados que se espalharão pelo continente a partir dos campos totalmente desregulados da Ucrânia até que se tornem onipresentes na Europa, como já o são nos Estados Unidos.


Em outros lugares do mundo a agricultura de massa tem tentado usar outras “portas dos fundos” para introduzir seus produtos em regiões onde eles são peremptoriamente rejeitados, incluindo a Ásia, onde o Arroz Dourado foi proposto como uma solução para a luta contra a “deficiência de vitamina A” mesmo quando se sabe que basta plantar um pouco de cenouras para conseguir esse objetivo de forma muito mais fácil e barata e sem o risco de introduzir uma cepa de arroz que contaminaria irremediavelmente as espécies de arroz asiático, além de serem rejeitadas de pronto pelos consumidores.

Já em outras ocasiões, como por exemplo na implantação dos interesses ocidentais no Afeganistão, a “ajuda” foi usada como uma maneira de introduzir o agronegócio intensivo e os Organismos Geneticamente Modificados na região.

Então, pela admissão do próprio Washington Post e pelo simples exame do que a Monsanto e companhias semelhantes já fizeram por todo o mundo, eles mesmos não podem deixar de admitir que a Federação Russa está certa ao expor as intenções óbvias da Monsanto na Ucrânia e no resto da Europa.

O jornal Washington Post, assim como muitos outros jornais através da Europa e dos Estados Unidos há muito tempo serve os interesses da elite endinheirada, entre os quais muitos estão no agronegócio intensivo e na biotecnologia agrícola. O Post e outros jornais confundem e ofuscam as intenções da Monsanto até que já seja tarde demais para nulificar a corrupção genética que suas espécies vegetais modificadas infligem aos campos da Ucrânia, até então protegidos por uma soberania que não mais existe.

Resultado de imagem para puppet government in UkraineComo muitas outras coisas na Ucrânia atualmente, o assim chamado “Euromaidan”, que supostamente deveria impulsionar o país na conquista de mais liberdade e auto determinação, claramente arrancou da Ucrânia as duas coisas. Sua liberdade e sua capacidade de determinar por si mesma o que mais lhe convêm. Partindo de um militarismo imposto a seu povo, para uma economia saqueada por interesses estrangeiros, até um governo direta e literalmente presidido por estrangeiros e finalmente chegando agora a seus campos que serão envenenados por organismos geneticamente modificados, a ruína da Ucrânia está próxima de completar-se, e será vista como um testemunho perene do que quer dizer na realidade o ocidente quando fala em “democratização”.

Ninguém comprará as espécies envenenadas pela modificação genética.

Ainda nos comentários feitos pela Rússia sobre a iminente espoliação da indústria agrícola da Ucrânia pela Monsanto e outras congêneres, o Post relata:

Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança russo disse em um encontro na terça feira com seus congêneres na Organização de Cooperação de Shangai, que o ocidente tem planos de cultivar “espécies geneticamente modificadas” na Ucrânia. Sugeriu que isso seria um erro crasso, porque, “para não dizer outra coisa, a Europa jamais aprovará tais produtos”.

Como colaborador e lobista do agronegócio intensivo, o Washington Post tenta subestimar este fato. Mas em outros locais, mesmo dentro da mídia ocidental, existem reportagens mostrando que mesmo os Estados Unidos, indubitavelmente uma potência agrícola, tem que importar milho orgânico porque os consumidores norte americanos se recusam a comer os produtos oriundos de organismos geneticamente modificados que são cultivados nos EUA.

Em sua reportagem “Como os consumidores exigem comida orgânica, os Estados Unidos são forçados a importar milho” – “U.S. forced to import corn as shoppers demand organic food”  a Bloomberg (famosa agência de notícias de finanças e mercado, com abrangência mundial – NT) assevera:

Uma demanda crescente por orgânicos e a recente dependência total dos agricultores norte americanos dos produtos geneticamente modificados, nomeadamente milho e soja, tornaram inevitável um aumento de importações de outras nações nas quais as espécies, em grande parte, ainda estão livres de bioengenharia. Importações como o milho da Romênia e a soja da Índia estão em expansão, de acordo com uma análise de dados do comércio dos Estados Unidos realizada quarta feira pela Organização de Comércio de Produtos Orgânicos e a Universidade Estatal da Pennsylvania.

A humilhação que representa o fato de um país historicamente auto suficiente ter que importar um grão tão básico como o milho porque a sua produção doméstica está totalmente envenenada é uma lição que qualquer ucraniano deveria anotar e observar atentamente para o bem não apenas de sua dignidade, mas de seu próprio senso de sobrevivência. Mesmo quando o “milagre” dos organismos geneticamente modificados se tornou pó no esperto mercado norte americano, as corporações estadunidenses estão subornando o infinitamente servil regime que tomou lugar na Ucrânia, para colocar o pescoço daquele país na mesma forca.

Porém em uma coisa o Washington Post está correto. A Rússia está louca se pensa que a Monsanto está para dominar o mundo inteiro. A corporação, apesar de incontáveis bilhões de dólares gastos em lobbies, propaganda, subornos e outras formas de persuasão de massa, está falhando miseravelmente em convencer as pessoas a ingerir seus venenos, mesmo naqueles países onde está firmemente estabelecida. No entanto, a Rússia tenta lançar alguma luz sobre o que a Monsanto está tentando fazer na Ucrânia, obviamente contra os próprios interesses do país. Trata-se apenas de mais um exemplo de como o golpe levado a efeito no assim chamado “Euromaidan” nada tinha a ver com liberdade, e tudo a ver com o sequestro de mais um país por Washington e Wall Street, e da pilhagem de seus recursos, em detrimento do próprio povo, tudo em nome da “democracia”.



por Ulson Gunnar – NEO – Ulson Gunnar é um jornalista e escritor baseado em Nova Yorque, especialista em geopolítica. Escreve especialmente para NEO – New Eastern Outloock.

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quarta-feira, 18 de março de 2015

O Exército Comum Europeu reduzirá a influência dos EUA na Europa? É o fim da OTAN?


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por Mahdi Darius Nazemroaya

tradução mberublue.

Proteção frente à Rússia seria a justificativa para a criação da Força Militar da União Europeia, mas também estaria no cenário a redução da influência dos Estados Unidos, agora que houve desencontros entre a União Europeia e Alemanha frente a OTAN e EUA, em relação à Ucrânia.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em declarações ao jornal alemão Welt am Sonntag, afirmou ter chegado o tempo da criação de uma força militar unificada da União Europeia. A retórica de Juncker versou sobre “a defesa dos valores da União Europeia”, insinuando que a criação de uma força armada europeia teria sido pensada como consequência de polêmicas com a Rússia, como maneira de enviar uma mensagem à Moscou.

Apesar da vontade, argumentação e polêmica da criação de uma tal força estar baseada na Rússia, a ideia real está dirigida diretamente contra os Estados Unidos. Nas entrelinhas estão as tensões que se desenvolveram entre os Estados Unidos, de um lado, e a União Europeia e a Alemanha, de outro. É por isso que a Alemanha reagiu de maneira estusiástica à proposta, dando total apoio para a confecção de um acordo que permita a criação de uma força armada  da União Europeia.

Anteriormente a Força Militar da União Europeia já havia sido pensada de forma mais séria durante os desenvolvimentos da invasão ilegal contra o Iraque em 2003, quando a Alemanha, França, Bélgica e Luxemburgo reuniram-se para discutir a possibilidade da criação de tal força como alternativa à OTAN, dominada pelos Estados Unidos. A ideia é recorrente quando situações similares acontecem. Em 2003, o atrito foi causado pela invasão liderada pelos EUA contra o Iraque. Em 2015, a vontade da criação da força armada da UE ocorre porque aumenta a polêmica entre Alemanha e Estados Unidos, relacionada à crise ucraniana.

Berlim e Paris estão repensando?

Para entender os últimos acontecimentos que fazem com que surja mais uma vez a vontade de criação de um exército comum para a União Europeia, temos que voltar os olhos para os eventos que ocorreram entre novembro de 2014 e março de 2015. Começaram quando Alemanha e França começaram a dar sinais de que estavam pensando melhor sobre as intenções belicistas que OTAN e EUA estavam evidentemente desenvolvendo e levando a efeito na Ucrânia e Europa Oriental.

As divergências entre Estados Unidos e França/Alemanha surgiram depois que Tony Blinken, antigo Vice Conselheiro para a Segurança Nacional de Barak Obama e atualmente Vice Secretário de Estado, o número dois da diplomacia do Departamento de Estado dos EUA anunciou que o Pentágono ia enviar armas para a Ucrânia durante uma inquirição do Congresso dos Estados Unidos sobre sua nomeação, que se realizou em 19 de novembro de 2014. Como colocou o Fiscal Times, “ao revelar que está pensando em armar a Ucrânia, Washington golpeia ao mesmo tempo a Rússia e os europeus”.

A resposta russa a Blinken veio através do Ministro de Relações Exteriores da Rússia, por meio de declaração de que se o Pentágono derramasse armas na Ucrânia, seria não apenas uma escalada perigosa do conflito, mas um sério sinal enviado pelos Estados Unidos de que a dinâmica do conflito ucraniano estaria mudando.

Percebendo que as coisas poderiam e na realidade já estavam saindo do controle, França e Alemanha reagiram através de uma iniciativa para a paz por meio de conversações diplomáticas levadas a efeito em Minsk, Belarus, que eventualmente conduziram a um novo acordo de cessar fogo, sob a coordenação do “Formato da Normandia”, que consistiu dos representantes da França, Alemanha, Rússia e Ucrânia. Os pessimistas podem argumentar que França e Alemanha só optaram pelas vias diplomáticas em fevereiro de 2015 porque os rebeldes do leste ucraniano, ou Novorussia como eles se denominam, derrotaram as forças de Kiev. Em outras palavras, a motivação primária pela diplomacia teria ocorrido apenas para salvar o governo de Kiev de ruir completamente mesmo antes de encontrar uma solução justa para o conflito no leste da Ucrânia. Em certa medida isso é bem verdade, mas a dupla Franco/Germânica também teve a motivação de não ver a Europa transformada em um inferno que transformaria a tudo e todos em cinzas escaldantes.

Tornaram-se visíveis as diferenças transatlânticas durante a Conferência de Segurança de Munique, em fevereiro. Roberto Corker, senador dos Estados Unidos e presidente do Comitê do Senados dos Estados Unidos para Relações Exteriores comentou durante uma sessão de pergunta e resposta com a Chanceler alemã Angela Merkel que hoje se acredita no Congresso dos EUA que Berlin se empenhava em impedir que Washington publicamente aumentasse a ajuda militar dos Estados Unidos e da OTAN para as autoridades em Kiev.

Na resposta ao senador Corker, a chanceler Merkel foi muito explícita ao afirmar que a crise aguda pela qual passa atualmente a Ucrânia não poderia ser resolvida por meios militares e que a abordagem dos Estados Unidos não seria proficiente e ainda teria o condão de tornar as coisas muito piores do que já estão. Quando Merkel foi pressionada pelo membro do Parlamento Britânico Malcom Rifkind, presidente do Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento Britânico, ela afirmou que mandar mais armas a Kiev era irreal, além de inútil. Merkel exortou o britânico a “encarar a realidade”. Salientou ainda a chanceler que não há perspectiva de segurança para a Europa sem a Rússia.

Os esforços dos Estados Unidos, que queriam levar seus aliados europeus para a crescente militarização do conflito na Ucrânia foram contrariados pela posição assumida publicamente pela Alemanha. Enquanto o Secretário de Estado americano John Kerry teve que se abalar na tentativa de convencer a mídia e o público de que não havia qualquer ruptura ou estremecimento entre Washington e as posições da França e Alemanha, o rompimento foi largamente anunciado quando o senador norte americano John McCain, notório fomentador de guerras perdeu mais uma vez as estribeiras enquanto visitava a Bavária. Conforme relatado ele chamou a iniciativa de paz da França e Alemanha, de “palhaçadas de Moscou”. Passou então à crítica aberta contra Angela Merkel em uma entrevista para o canal alemão Zweites Deutsches Fernsehen – ZDF, o que levou o membro do parlamento alemão Peter Tauber, secretário geral da União Democrática Cristã (CDU) a exigir um pedido de desculpas do senador McCain.

O ressentimento alemão com o controle da OTAN pelos EUA

Bloomberg escreveu em fevereiro:
“Mesmo levando em conta a retórica alarmista sobre os bárbaros russos no portão, os países da OTAN estão relutantes em gastar dinheiro com base apenas em falatório. Aumento real de gastos militares neste ano, apenas nos países que fazem fronteira com a Rússia. Quanto aos demais, na maioria houve cortes. Independentemente do que dizem seus líderes sobre Vladimir Putin, eles não parecem acreditar que ele seja uma ameaça real para o ocidente”.

No entanto, Washington não desiste. Quando da ofensiva da França e da Alemanha pela paz teve início em fevereiro, o general Philip Breedlove – que é o supremo comandante das forças militares da OTAN – disse em Munique que “penso que não devemos deixar de lado a possibilidade da opção militar” na Ucrânia. Ora, o general Breedlove é um oficial da Força Aérea dos Estados Unidos, de cujo governo recebe ordens, o que faz com que a estrutura militar da OTAN esteja sob o comando dos Estados Unidos. Enquanto Paris e Berlim tentam desescalar o conflito, Washington sobe a aposta na guerra, usando Breedlove e o Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg.

Depois de falar com o Comitê das Forças Armadas do Congresso, o general Breedlove voltou a alegar que cresce a agressão russa na Ucrânia. A Alemanha, no entanto, refutou Breedlove classificando suas afirmações como uma “propaganda perigosa”.

O jornal Der Spiegel noticiou em 06 de março: “Os líderes alemães ficaram estupefatos. Não conseguiam entender sobre o que diabos falava Breedlove. E não era a primeira vez. Mais uma vez, o governo da Alemanha, apoiado pelas informações reunidas pelo Bundesnachrichtendienst (BND), a agência de inteligência externa da Alemanha não compartilhou a visão do Supremo Comando Aliado na Europa (SACEUR), da OTAN”.
Enquanto Berlim tentava abafar os relatos sobre as rachaduras nas relações com a OTAN sobre os comentários desastrados de Breedlove, o Ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Steinmeier, candidamente admitiu que era real o desacordo entre a Alemanha, Estados Unidos e OTAN, durante visita à Letônia em 07 de março. Na verdade, o que Steinmeier fez foi rebater e desmentir tanto as declarações dos Estados Unidos, quanto as da OTAN sobre a “agressão russa” na Ucrânia.

Na Letônia, a Alta Representante da União Europeia para Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, deu anuência às declarações de Steinmeier. Em Riga, declarou aos repórteres que a União Europeia buscará uma abordagem realística com Moscou e que não forçará nem será forçada por ninguém na direção de uma relação de confrontação com a Rússia. Trata-se de uma mensagem tácita para Washington: A União Europeia já entendeu que não há paz possível na Europa sem a Rússia e não será posicionada como mero peão dos Estados Unidos contra Moscou.

A própria Alemanha é a cereja do bolo, o prêmio principal para os Estados Unidos no que tange ao conflito na Ucrânia, pela sua grande influência nos rumos da União Europeia. Assim, os Estados unidos continuarão a jogar lenha na fogueira na Ucrânia para desestabilizar a Europa e a Eurásia. Faz isso porque pode perfeitamente prever que Rússia de Europa caminhando juntos e formando um “Mercado Comum” de Lisboa a Vladivostok é o pesadelo presente nos sonhos das aspirações geopolíticas de Washington.

O Fiscal Times apresenta realisticamente a série de comunicados de altos oficiais americanos sobre o envio de armas dos Estados Unidos para a Ucrânia: “Dada a coreografia ensaiada repetidamente os analistas em Washington dizem que a probabilidade mais alta é a de que tudo não passa de um exercício de relações públicos para assegurar apoio para um programa de entrega de armas que já estaria além dos estágios iniciais de planejamento”, conforme notícia veiculada em 09 de fevereiro.

Na realidade, depois da Conferência de Segurança de Munique, revelou-se que carregamentos clandestinos de armas já estavam sendo feitos para Kiev. O presidente russo Vladimir Putin tornou o fato de conhecimento público durante uma conferência de imprensa conjunta com o Primeiro Ministro Húngaro Viktor Orban em Budapeste quando disse que “armas já estão sendo entregues secretamente para as autoridades em Kiev”.

No mesmo mês, um artigo intitulado “O que devem fazer os Estados Unidos e a OTAN para preservar a Independência da Ucrânia e resistir à agressão russa”, foi publicado discutindo a necessidade de enviar armas para a Ucrânia – suprimentos estes que variariam desde peças sobressalentes até mísseis de grosso calibre – como uma forma de finalmente lutar contra a Rússia. O artigo foi elaborado por um triunvirato dos principais think-thanks dos Estados Unidos, O Brookings Institute, O Atlantic Council e o Chicago Council on Global Affairs – os dois últimos fazem parte da torre de marfim do “think-tankistan” que faz parte dos círculos de Washington. Trata-se da mesma gangue que advogou pela invasão do Iraque, da Líbia, da Síria e do Irã.

OTAN, presta atenção! Um exército europeu unificado no horizonte?

O apelo pela formação de uma força militar da União Europeia tanto pela Alemanha quanto pela Comissão Europeia vem no contexto das divisões entre Europa e Washington.

A união Europeia e a Alemanha já entenderam plenamente que não há muito o que fazer para impedir as ações de Washington enquanto os EUA tiverem algo a dizer em relação à segurança europeia. Tanto Berlim quanto uma larga porção da Europa estão furiosos pela maneira pela qual os Estados Unidos estão usando a OTAN para cuidar de seus interesses e influenciar os acontecimentos dentro da Europa. Se não uma maneira de pressionar nas negociações entre a UE com Washington, os apelos pela formação de uma força militar europeia destinam-se a reduzir a influência de Washington na Europa e talvez, extinguir a OTAN.

Um exército que tornasse possível dispensar a OTAN teria um enorme peso estratégico negativo para os Estados Unidos. Neste contexto, Washington perderia seu apoio ocidental na Eurásia. O que “automaticamente representaria o fim do jogo na participação americana no tabuleiro do xadrez geopolítico da Eurásia”, nas palavras do antigo Conselheiro para a Segurança Nacional dos Estados Unidos Zbigniev Brzezinski. Os serviços de inteligência nos Estados Unidos já estão em alerta em relação aos riscos que um exército europeu representaria para a influência norte americana. A influente revista mensal Comissão de Judeus Americanos – que é filiada aos noecons do circulo de Washington pergunta no título de artigo elaborado por Seth Mandel: “Por que a Alemanha está enfraquecendo a OTAN?”. Enquanto isso, o Washington Examiner repica com outra pergunta impertinente, no título do artigo de Hoskingson: “O que está acontecendo com a influência dos Estados Unidos?”

 

É por isso que os fantoches mais abjetos dos Estados Unidos na Europa – especificamente Inglaterra, Polônia e os três Estados Bálticos fazem um alarido oposicionista à ideia de uma força militar comum. Enquanto Paris está ainda relutante de juntar-se aos apelos pelo exército da Europa, a sempre oportunista líder política de direita Marine Le Pen já afirmou ter chegado o tempo em que a França deve sair da sombra dos Estados Unidos.

 

O Primeiro Ministro inglês David Cameron retrucou a Jean-Claude Juncker afirmando que a ideia não passa de uma fantasia escandalosa, declarando que a segurança é atribuição nacional de cada país e não responsabilidade da União Europeia. Polônia e Letônia também reagiram ceticamente à proposta. Essas declarações só servem aos interesses dos Estados Unidos na preservação da OTAN como um instrumento de sua influência na Europa e na Eurásia.

 

10 Downing Street (endereço da residência oficial e gabinete do primeiro ministro da Inglaterra – NT) se contradiz quanto a ser o exército um assunto nacional e não assunto coletivo. Recentemente, em 2010, Londres assinou um tratado que na essência criou uma força militar naval conjunta com a França, compartilhando porta aviões, o que se tornou na prática uma força militar conjunta. Além disso o exército Britânico e os setores industriais militares da Inglaterra se encontram integrados com os dos Estados Unidos em vários graus.

 

Aqui há várias questões a serem examinadas. Serão os apelos para a formação de um exército europeu apenas uma forma de pressionar os Estados Unidos ou uma tentativa real para conter a influência de Washington na Europa? Mais: terão os movimentos efetuados por Berlim e seus parceiros nessa direção o objetivo de extinguir a influência de Washington na Europa através da desativação da OTAN pela criação de um exército comum europeu?

 

 


Por Mahdi Darius Nazemroaya é cientista social, escritor premiado, colunista e pesquisador. Suas obras são reconhecidas internacionalmente em uma ampla série de publicações e foram traduzidas para mais de vinte idiomas, incluindo alemão, árabe, italiano, russo, turco, espanhol, português, chinês, coreano, polonês, armênio, persa, holandês e romeno. Seu trabalho em ciências geopolíticas e estudos estratégicos tem sido usado por várias instituições acadêmicas e de defesa de teses em universidades e escolas preparatórias de oficiais militares. É convidado freqüente em redes internacionais de notícias como analista de geopolítica e especialista em Oriente Médio.   

Recentemente, em viagem pela América Central, contactou a Frente Sandinista de Libertação Nacional, em sua base em León, na Nicarágua. Como Observador Internacional esteve em El Salvador no primeiro turno das eleições.
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