domingo, 4 de maio de 2014

UCRÂNIA- FMI: perdendo o leste
para ganhar ainda mais dinheiro.



Pergunto aos meus botões qual funcionário ou político dos Estados Unidos visitou a Ucrânia ontem. Depois que Brennan, diretor da CIA, fez uma visita, o governo golpista da Ucrânia lançou uma ofensiva “anti terror” contra os federalistas do leste. Deu rapidinho com os burros n’água. Em seguida, o vice presidente Biden também visitou Kiev e no dia seguinte outra campanha “anti terror” foi lançada e detida apenas depois de ter a Rússia movido algumas tropas na fronteira, ameaçando invadir. Agora, foi lançada a terceira campanha “anti terror” e nesta, algumas forças da segurança ucraniana cercaram e tentaram invadir e tomar a cidade de Slavyansk. Desta vez, quem deu início?

Esta tentativa também encontrou problemas rapidamente. A movimentação das tropas foi bloqueada ou detida por civis. Porém, apoiados por helicópteros, algumas tropas conseguiram dominar algumas barricadas em estradas. Dos helicópteros, pelo menos dois foram abatidos por MANPADs (1). Não era esperado que os federalistas tivessem muitas armas prontas para o uso, mas também não é surpreendente. Com a dissolução da URSS, a Ucrânia acabou na posse de um exército totalmente equipado de 700.000 homens. Hoje, 23 anos depois, as forças militares ucranianas atingem meros 70.000 combatentes. O que aconteceu com todo o equipamento? Muito foi vendido a outros países em negócios obscuros, mas outro tanto foi simplesmente roubado ou vendido por oficiais corruptos a qualquer um que pagasse um preço razoável. Não me causaria nenhuma surpresa ver que alguns desses equipamentos bélicos de nível mais elevado estão em mãos de federalistas, entre os quais se incluem alguns veteranos da campanha soviética no Afeganistão, ex soldados e antigas forças policiais bem treinadas.

O ataque a Slavyansk parou nos portões da cidade, permanecendo estas em mãos dos federalistas. Por enquanto a situação parece calma. Entretanto, em Odessa houve choques violentos entre manifestantes contra e pró Kiev.

O FMI, que aprovou um enorme empréstimo de 17 bilhões de dólares para a Ucrânia, lançou um alerta trágico: julguem vocês mesmos o que se pode esperar que façam os governantes oligárquicos da Ucrânia, que já consideravam embolsar parte significativa desse empréstimo. O que você faria ao ler isso:

Até equacionar as tensões com a Rússia e o crescimento da instabilidade no leste, a Ucrânia pode precisar de uma extensão do empréstimo de 17 bilhões de dólares já concedido, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI).
...

“uma longa interrupção das relações com a Rússia prejudiciais ao desenvolvimento, crescimento, investimentos e exportações, ou a perda do controle econômico do leste do país, com o efeito da redução da receita orçamentária, tornariam necessária uma reordenação do programa de ajuda, com financiamentos adicionais, inclusive dos parceiros bilaterais da Ucrânia”, disse.

Transcrevemos: “queridos oligarcas, joguem no lixo as relações com a Rússia e percam o leste ucraniano e vocês terão ainda mais dinheiro grátis.” Este tipo de declaração do FMI certamente não será ajuda nenhuma para qualquer tipo de desescalada.

Eu não esperava que os movimentos do governo golpista em Slavyansk fossem bem sucedidos, de qualquer forma. Ainda maior apoio aos federalistas e a crescente alienação do leste serão os únicos ganhos que o governo golpista terá com estas medidas. Relatos anedóticos de jornalistas que visitam os postos de controle do governo dão conta de que as tropas do Ministério do Interior, usadas nas operações governamentais, questionam se é realmente uma ajuda ao país lutar contra uma parte significativa de sua população. Por outro lado, NUNCA receberam qualquer comunicação do FMI.

Acrescento que Zbigniev Brzezinski, mentor do Obama e russófobo, parece pressionar para uma escalada das tensões, prevendo que os EUA armariam uma “resistência urbana” incrementada no caso de uma (improvável) invasão russa. Seu discurso inclui ainda essa pérola de hipocrisia:

O presidente precisa, acima de tudo, deixar bem claro que não podemos tolerar um sistema internacional no qual um país é invadido por bandidos e desestabilizado por estrangeiros.

Então tá.

Digno de nota: The Washington Post e a BBC começaram ambos a usar o termo “rebeldes” para designar os federalistas.

(1) MANPAD - sistema portátil de mísseis antiaéreos terra-ar, normalmente lançados a partir do ombro do operador.

Tradução: mberublue