domingo, 18 de maio de 2014

Rússia e China estão prestes
a anunciar o fim da era do dólar americano?


 
Jeffrey Berwick
Publicado em The Daily Bell em 16 de maio de 2014.

Estão acontecendo reuniões de países do mundo inteiro com uma meta comum que tem muito a ver com você, seja você ou não um cidadão dos EUA. Abandonar o Dólar americano. O fim do dólar americano está cada vez mais perto desde o início da crise da Ucrânia. Movimento após movimento, a Rússia e a China estreitaram relações e se tornaram aliados mais próximos. Os exemplos disso são numerosos. Para ser breve, dois exemplos recentes chamam a atenção. A Gazprom (maior empresa russa, décima maior do mundo e a maior exportadora mundial de gás natural – controlada pelo Estado, embora tenha ações no mercado [NT]) acaba de lançar títulos na moeda chinesa, o Yuan. A Rússia e China assinaram um acordo para a venda de gás. 40 bancos centrais têm apostado que no futuro, a moeda de reserva será o Yuan.

Até o início de 2014, as histórias sobre o colapso do dólar pareciam apenas maluquices conspiratórias, e essa aparente realidade pouco efeito tinha sobre a geopolítica. Este ano, tudo mudou. Parece que as nações-estados pelo mundo afora estão se movendo na direção de um mundo pós dólar americano. Já não é uma questão de “se”, mas de “quando” e se você não é capaz de entender o passo-a-passo do que virá, pode brevemente ficar chocado e... assombrado.

Pode ficar certo de que, assim que a Rússia, juntamente com seus numerosos aliados, fizer o movimento fatal, será seguida por muitas outras nações. Elas já estão a tentar. Por quê? Porque a força mais destrutiva do planeta atende pelo nome de Estados Unidos, e seu calcanhar de Aquiles é o “privilégio exorbitante” conhecido como “dólar americano” pela maioria, e pelo Federal Reserve Note (1) como “estou sabendo”. (2)

O significado será hiperinflação, caos social, guerra civil entre outras desarticulações. Pensa que isso é uma hipérbole? Pois não é. Para saber o quanto isso pode ser ruim, pense estar acontecendo com uma república socialista “de bananas” e depois imagine que pode ficar muito, mas muito pior. Por quê muito pior? Porque nenhuma dessas repúblicas é a emissora da moeda de reserva mundial. Os Estados Unidos nada produzem a não ser o dólar americano, que é muito fácil de ser produzido, como provou a ação de apenas um homem no Canadá. Em uma operação muito simples, ele emitiu milhões de dólares americanos e os colocou em circulação. Mais: o Canadá preferiu não extraditá-lo e ele ainda é um homem livre.

Agora, grandes nações-estados pretendem sair juntas do sistema do dólar americano. Um mundo “desdolarizado” como o chama a Rússia, pode vir a afetar a vida de milhões de norte americanos.

A ASCENSÃO DA RÚSSIA & CHINA

De acordo com “A Voz da Rússia”, o Ministro russo das Finanças pretende um aumento significativo do papel do rublo russo nas operações de exportação, reduzindo dessa forma as transações firmadas em dólar em seu comércio exterior. Acredita-se na Rússia que o setor bancário do país está “pronto para lidar com um maior número de transações assinadas em rublo”.

A agência Prime News relata que em abril de 2014 o governo realizou uma reunião dedicada a encontrar soluções para tirar o dólar das operações russas de exportação. Especialistas de ponta de bancos, governo e setor energético elaboraram nestas reuniões uma série de propostas que poderiam responder de forma efetiva às sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra a Rússia.


A reunião de “desdolarização” foi presidida pelo Vice Primeiro Ministro da Federação Russa, Igor Shuvalov, o que vem demonstrar quão sério é a movimentação russa para descartar o dólar. Uma reunião subsequente onde foram discutidas as formas de elevar o número de operações recebíveis em rublo foi levada a efeito pelo vice Ministro das Finanças, Alexey Moiseev. De acordo com ele, nenhum dos especialistas e representantes de bancos viram qualquer problema nos planos governamentais de incrementar o comércio com pagamento em rublos. Claro, o dólar já vem em queda livre desde a invocação do Federal Reserve e a lei relativa ao imposto sobre a renda em 1913.

Parece que até o pouco a restar está por um fio.

A RÚSSIA NÃO ESTÁ SÓ.

Se não tivesse apoio, a Rússia não estaria tão audaciosa. Outras nações pelo mundo afora querem aderir a um movimento de desdolarização. China e Irã, por exemplo, tem demonstrado seu interesse em levar tal plano avante. Líderes de outros países também já se manifestaram nesse sentido, apenas para darem de cara com os já famosos projéteis dos EUA, que os levam à eternidade.

Já se especula que na próxima visita de Vladimir à China em 20 de maio os contratos de petróleo e gás a serem firmados o serão em rublos e yuans e não em dólares americanos.

Dentro de apenas uma semana poderemos estar vivendo em um mundo significativamente diferente.

Com russófobos controlando a política externa dos Estados Unidos, o ocidente está fora de controle. A consequência disso é que os EUA vão cada vez mais hostilizar a Rússia e outras nações, o que tornará ainda mais forte e rápida a tendência de abandono do dólar americano pela Rússia, pela China e pelo mundo.

O mundo está trabalhando para criar uma nova infraestrutura econômica e financeira que simplesmente ignorará os Estados Unidos. Em relação a isso, o que faz os Estados Unidos? Bombardeia mais países. Não estou tão certo assim que atualmente os Estados Unidos sejam tão capazes disso quanto eram há apenas uma década. A humanidade mal começa a despertar para esse estado de coisas e uma guerra já foi interrompida pela indignação popular (Síria). A oposição popular certamente fará cessar outras guerras. Uma coisa está comprometendo as posições assumidas pelos Estados Unidos: a Rússia e a China, ao fazer seus movimentos, jogam xadrez. Obama joga damas.


A China já queria uma nova moeda de reserva em 2013.
O Japão e a Índia já tem um acordo para sua própria moeda de reserva desde 2011.
No Golfo Pérsico os árabes, junto com China, Japão, Rússia e França, estão planejando findar as negociações de petróleo usando o dólar americano, colocando em seu lugar uma cesta de moedas que incluiria o iene japonês, o Yuan chinês, ouro, o euro e uma nova moeda unificada especialmente pensada para uso das nações do Conselho de Cooperação do Golfo, o que incluiria a Arábia Saudita, Abu Dhabi, Kuaite e Qatar.




 
 


O FIM DO SISTEMA MONETÁRIO COMO O CONHECEMOS

Estamos na iminência de uma mudança massiva nos parâmetros do sistema monetário mundial e parece que ninguém faz a menor ideia. Os empresários americanos fazem planos e gastam como se estivéssemos em plena recuperação econômica. Cidadãos dos Estados Unidos continuam gastando dinheiro e poupando pouco, talvez com a mesma expectativa que os empresários. Os investidores continuam a investir como se tudo estivesse às mil maravilhas. Aparentemente, eles têm dificuldade de contextualizar e apreender a verdade sobre a economia dos EUA, que é a seguinte: os EUA estão frente a tanta dívida que se torna difícil para a mente humana compreender sua real extensão.


O capital passível de ser perdido está na ordem de trilhões de dólares. O mundo ocidental corre o risco de entrar em uma era sombria que será conhecida historicamente durante séculos como o Grande Colapso. Incrivelmente os cidadãos dos Estados Unidos que estão minimamente cientes disso poder ser contados um em cada cem e talvez nem isso.

Apenas essa minoria consciente de que está acontecendo, no entanto, e que tem seus ativos através de bens tangíveis e internacionalizados, tais como metais preciosos fora do sistema financeiro, terão a melhor chance de sobreviver bem às mudanças que certamente virão. Mais que nunca, tornou-se importante ignorar a televisão, fazer suas próprias leituras da situação e assumir o controle da sua situação financeira. Aconteça o que acontecer, estaremos aqui cobrindo tudo em tempo real.
(1)
Em explicação muito resumida, o dinheiro (divisa) americano não é emitido pelo governo americano e sim pelo Federal Reserve Note (que o empresta ao governo dos EUA) e que na realidade é um banco PRIVADO, propriedade de um poderosíssimo grupo de banqueiros internacionais que o manejam conforme seus interesses [NT]. Para entender melhor acesse http://resistir.info/eua/divida_eua.html
(2)
A expressão da língua inglesa “in the know” corresponde aproximadamente à expressão “estou sabendo” ou “tô sabendo” em português do Br., e é uma expressão idiomática irônica emitida por quem tem conhecimento de alguma situação, mas não lhe dá a devida atenção e importância.

Jeffrey Berwick
Se define como Anarco-Capitalista, Libertário. Lutador livre contra o que considera dois dos maiores inimigos da humanidade, que sejam o Estado e os Bancos Centrais. Fundador do site The Dollar Vigilante, CEO da TDV Mídia e Serviços. Mais sobre o articulista pode ser encontrado em http://www.thedaylybell.com/editorials/35309-Jeffrey-Bervick

Tradução: mberublue