terça-feira, 27 de maio de 2014

Porque a guerra é inevitável


 
por Paul Craig Roberts


O Memorial Day (1) é o dia no qual comemoramos nossos mortos na guerra. Como o Quatro de Julho, o Memorial Day está se transformando numa glorificação da guerra.

As pessoas que perderam familiares ou seus amigos queridos para a guerra não conseguem suportar a ideia de que essas mortes foram em vão. Então a guerra torna gloriosos os atos daqueles nossos nobres soldados, que sacrificaram a própria vida lutando pela verdade, pela justiça e pelo modo americano de ser. Inflamados, patrióticos discursos nos reafirmam o quanto devemos àqueles que deram suas vidas para que os Estados Unidos possam permanecer livres!

Apesar da boa intenção das falas, esse tipo de discurso apenas cria uma realidade falsa que apoia o surgimento de cada vez mais guerras. Digam o que disserem os discursos, nenhuma das guerras travadas pelos Estados Unidos teve nada a ver com nos manter livres. Ao contrário, essas guerras têm acabado com nossas liberdades civis, nos tornando escravos.

Jornalistas e editores do norte do país foram detidos e encarcerados por uma ordem executiva emitida pelo então presidente Lincoln. Além disso, fechou 300 jornais do norte e ordenou a prisão de 14.000 prisioneiros políticos. Clement Vallandigham, representante dos Estados Unidos por Ohio e crítico da guerra, foi preso e exilado para a Confederação. A 1ª Guerra Mundial foi o pretexto usado pelo presidente Woodrow Wilson para cercear a liberdade de expressão. Já a 2ª Guerra Mundial serviu para que o presidente Franklin Delano Roosevelt prendesse em campos de concentração 120.000 descendentes de japoneses, sob o argumento de que a raça os tornava automaticamente suspeitos. O maior perigo já enfrentado pela liberdade americana, segundo conclusão do professor Samuel Walker, foi o uso pelo presidente George W. Bush da “guerra ao terror” para tomar de assalto todas as liberdades civis dos Estados Unidos.


Os direitos dos Estados foram destruídos por Lincoln para todo o sempre, mas a suspensão do direito de habeas corpus e da liberdade de expressão, que foram usados da mesma forma nas três maiores guerras enfrentadas pelos Estados Unidos durou apenas até a finalização dos conflitos. Acontece que a revogação pura e simples da constituição promovida por George W. Bush não apenas foi ampliada pelo presidente Barak Obama, como foi codificada e transformada em lei pelo através do Congresso e de Ordens Executivas. Os nossos bravos soldados que morreram na “guerra ao terror”, longe de defender nossas liberdades, morreram para que o presidente do país possa prender por tempo indefinido os cidadãos americanos, sem processo legal, ou assassiná-los por meras suspeitas sem responsabilização através da lei ou da constituição.

Conclusão inevitável: as guerras travadas pelos Estados Unidos não protegem nossas liberdades. Em vez disso, as destroem. Como disse Alexander Solzhenitsyn, “o estado de guerra serve apenas como desculpa para a tirania doméstica.”

A secessão do Sul ameaçou o império de Washington? Certamente sim, mas não ameaçou o povo americano. Os alemães da antiga Primeira Guerra Mundial ou os alemães e japoneses da antiga Segunda Guerra Mundial também não representaram qualquer risco para os Estados Unidos. Qualquer historiador pode afirmar claramente que a Alemanha não começou a Primeira Guerra Mundial nem a lutou com ambições de expansão territorial. A Ásia era a ambição japonesa na guerra. Hitler absolutamente não queria travar a guerra contra a França ou a Inglaterra. A ambição territorial de Hitler era principalmente a restauração das províncias tomadas da Alemanha como forma de saque, violando as garantias dadas pelo presidente Wilson. Todas as demais ambições de Hitler eram com relação ao leste. Nenhum dos dois países tinha qualquer intenção, por mais remota, de atacar os Estados Unidos. O ataque dos japoneses a Pearl Harbour deu-se mais para remover um obstáculo aos seus planos para a Ásia que como preparação para uma invasão dos Estados Unidos.

Os países devastados por Bush e Obama no século 21 – Iraque Afeganistão, Líbia, Somália, Síria, Paquistão e Iêmen – certamente não representavam qualquer tipo de ameaça para os Estados Unidos. Na verdade, essas guerras foram usadas como pretexto para que se instalasse nos Estados Unidos um “Estado Stasi” que hoje está em plena existência nos EUA, implantado por um executivo tirano.

É duro encarar a verdade, mas os fatos são muito claros. O motivo que levou o EUA a travar as guerras foi aumentar o poder de Washington, o lucro dos banqueiros e dos fabricantes de armamentos e a fortuna das suas companhias corporativistas. Smedley Butler, General da Marinha disse: “eu servi em todos os postos, desde segundo tenente até General. Durante todo esse tempo passei a maior parte dele como um leão de chácara musculoso para as grandes negociatas, para Wall Street e para os banqueiros. Resumindo, nunca passei de um delinquente a serviço do capitalismo.”

Não dá para comemorar os mortos na guerra sem glorificá-los. Não dá para glorificá-los sem glorificar as guerras que travaram.

Na totalidade do século 21 os Estados Unidos estão empenhados em alguma guerra, mas não se trata da guerra convencional, contra outros exércitos ou contra as “ameaças à nossa liberdade”, mas guerras contra civis, contra mulheres e crianças, contra anciãos de aldeias e contra nossa própria liberdade. As elites, que têm um enorme interesse nessas guerras querem nos convencer que as guerras devem continuar por pelo menos mais 20 ou 30 anos, antes de ser possível derrotar a “ameaça terrorista”.

Isso é evidentemente uma imbecilidade, falta de senso. As ameaças terroristas só começaram depois que Washington começou a criar terroristas (grifo nosso [NT]) através de seus ataques militares insanos contra as populações de muçulmanos, baseados em mentiras.

Washington teve tanto sucesso em suas guerras de mentiras, até ao ponto em que a audácia, a húbris arrogante de Washington lhe fez fazer mais que a própria vontade.

Com a derrubada do governo democraticamente eleito na Ucrânia, os EUA se colocaram em confronto com a Rússia. Essa confrontação pode acabar mal para todos. Talvez para Washington e talvez para o mundo inteiro. Por que Washington pensa que a Rússia se renderá a Washington se Kadafi e Assad não o fizeram? Só porque deram uns tapas em um moleque no jardim de infância, pensam agora que podem encarar um zagueiro de time de várzea.

Os regimes de Bush e Obama destruíram a reputação dos Estados Unidos com suas incessantes mentiras e a violência recorrente contra outros povos. A visão que tem o mundo é a de que Washington é a principal ameaça contra todos.

A maioria das pessoas ao redor do mundo consideram como as maiores ameaças à paz mundial, os EUA e Israel, como mostram consistentes pesquisas já realizadas:

Os países declarados pelos Estados Unidos como sendo “Estados Párias” e o “eixo do mal”, como Irã e Coréia do Norte, estão muito distantes e bem abaixo na lista para os povos do mundo. O mundo claramente não acredita mais na auto propaganda de Washington. Quem o mundo vê como os reais Estados párias são: Israel e Estados Unidos.

São eles os dois únicos países do mundo atual que estão dominados por uma ideologia. Nos Estados Unidos é a ideologia neoconservadora, que fez com os EUA se declarassem um “país excepcional, indispensável” supostamente escolhido pela história para exercer sua hegemonia sobre todos os outros. Essa ideologia é sustentada pelas doutrinas de Brzezinski e Wolfowitz, que se tornaram a base da política externa dos Estados Unidos.


A ideologia sionista domina completamente o governo israelense.  O sionismo prega o “grande Israel”, que parte do Nilo e vai até o Eufrates. Muitos israelenses mesmo não aceitam essa ideologia, mas ela é a dos “colonos” e dos homens que controlam o governo de Israel.

Entre as causas importantes de guerras, está inclusa a ideologia. A mesma ideologia de superioridade manifestada na ideia neoconservadora de supremacia dos norte americanos era pregada pela ideologia nazista de Hitler. A ideologia comunista diz que a classe trabalhadora é superior à classe capitalista. A ideologia sionista advoga a superioridade israelense face os palestinos. Sionistas nunca ouviram falar sobre “direitos de invasores”, mas dizem que os imigrantes judeus, invasores recentes da Palestina têm mais direito à terra que os que a ocupam por milênios.

O presidente Putin respondeu que “Deus nos criou todos iguais” quando Obama declarou em um discurso que os norte americanos são “excepcionais”, superiores a todos os outros. Ora, é evidente que todos os “outros” não gostam nem se sentem bem com esse tipo de declaração ou doutrina.

Enquanto isso, o governo israelense colecionou inimigos por todos os lados, com prejuízo de sua própria população. Conseguiu de forma muito competente isolar totalmente o país. A existência de Israel depende servilmente da capacidade e vontade de Washington em protegê-lo. Assim, o poder de Israel deriva diretamente do poder dos Estados Unidos.

O poder de Washington tem história bem diferente. Como se tornou a púnica economia em boa situação logo após o término da Segunda Grande Guerra, o dinheiro americano, o dólar, se tornou a moeda mundial. Esse poder do dólar deu aos Estados Unidos a hegemonia financeira global, a origem principal de seu poder. Se outros países adquirem poder, colocam em perigo essa hegemonia de Washington.

Pois é através da invocação das doutrinas de Brzezinski e Wolfowitz que os Estados Unidos justificam usar todos os meios para impedir que outros países adquiram poder. Sintetizando, a doutrina de Brzezinski advoga que para que continue a ser a única potência hegemônica, Washington tem que dominar a Eurásia. Ele até concede fazer isso de forma pacífica, através do suborno aos governantes russos, subordinando a Rússia ao Império Americano. “Uma Rússia vagamente confederada ... descentralizada, seria menos suscetível à movimentação imperial.” Falando cruamente, despedaçar a Rússia em pequenos pedaços de administráveis estado semi autônomos com políticos abjetamente atrelados ao dinheiro de Washington.

Brzezinski já propôs uma “Geoestratégia para a Eurásia”. Nela, a China e a tal ”Rússia Confederada” fazem parte de uma “estrutura transcontinental de segurança”, administrada, claro, por Washington, que permita perpetuar o papel dos Estados Unidos como a única superpotência mundial.

Certa vez perguntei a meu amigo Brzezinski que, se todos já estão aliados a nós e aos nossos esforços, contra quem nos organizávamos? Ele ficou surpreso com a pergunta, porque penso que Brzezinski ainda está preso aos protocolos de uma estratégia da Guerra Fria, mesmo com a derrocada da União Soviética. Na guerra fria, era importante ter sempre a melhor mão, ou seria eliminado como jogador. A importância de prevalecer em qualquer situação se tornou tão intensa que acabou por permanecer mesmo após a queda da União Soviética. Hoje, a única política que Washington conhece ainda é prevalecer sobre todos os outros.

A derrubada do governo democraticamente eleito na Ucrânia e que acabou por colocar os Estados Unidos em uma crise que levará fatalmente a um conflito direto com a Rússia, teve origem nessa mentalidade de que os Estados Unidos deve prevalecer em qualquer cenário, convicção dos neoconservadores para armar suas guerras no século 21.

Eu conheço bem os institutos de estratégia que oferecem serviços a Washington. Eu ocupava a Cadeira E. Simon William de Economia Política, Centro de Estudos Internacionais de Estratégia, por cerca de uma dúzia de anos. A idéia é a seguinte: Washington tem que prevalecer sobre a Rússia, na Ucrânia ou onde for, ou perderá prestígio e consequentemente o status de superpotência.
A ideia de que se deve prevalecer sempre, leva à guerra a cada vez que um poder pensa prevalecer.


Wolfowitz
A doutrina Wolfowitz reforça ainda mais o caminho para a guerra. Paul Wolfowitz, intelectual neoconservador que formulou a doutrina militar e de política externa dos Estados Unidos, entre outras passagens semelhantes, escreveu:

“Nosso objetivo número um deve ser a prevenção contra o ressurgimento de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética, seja em outros territórios (China), que representem ameaças tão fortes quanto representou a antiga União Soviética. Essa consideração deve ser dominante para a nova estratégia de defesa regional e requer nosso esforço no sentido de evitar que qualquer potência hostil domine determinada região e tenha sob controle consolidado o acesso a recursos que possam representar a geração de um poder global.”

Para a Doutrina de Wolfowitz, todo e qualquer país forte é definido como “uma ameaça e um poder hostil” e não importa que o outro país tenha o desejo de conviver em paz e para o benefício mútuo.

Entre Brzezinski e os neoconservadores, a diferença é que Brzezinski quer subornar a China e a Rússia incluindo-os no império como importantes elementos que podem até ser eventualmente ouvidos, mesmo que por meras razões diplomáticas, enquanto os neoconservadores preferem confiar na subversão manipulada pelas ONGs financiadas e orquestradas pelos EUA e até mesmo em terroristas, além da força militar pura, é claro.

Nem Israel nem Estados Unidos estão embaraçados ou envergonhados com a reputação de países que representam as maiores ameaças à paz mundial. Estão orgulhosos de serem reconhecidos como grandes ameaças. Não há esforço diplomático em suas políticas de relações externas. A violência pura é a base onde se assenta a política externa de Israel e dos Estados Unidos. A conversa de Washington com outros países é a seguinte: “obedeçam ou serão bombardeados até voltarem à idade da pedra”. Israel declara terroristas todos os palestinos, até mesmo mulheres e crianças, e age de acordo com isso, matando-os a tiros pelas ruas, declarando depois que Israel está apenas se protegendo contra o terrorismo. Embora Israel não reconheça a existência da Palestina como país, encobre seus próprios crimes dizendo que os Palestinos não aceitam a existência de Israel.

“Não precisamos nenhuma diplomacia fedorenta. Nós temos poder”.

Exatamente a atitude que garante a guerra e é para esse caminho que os Estados Unidos estão levando o mundo. O Primeiro Ministro da Grã Bretanha, a Chanceler da Alemanha e o Presidente da França são meros instrumentos de Washington. Fornecem cobertura. Em vez de ser acusado de crimes de guerra, Washington maquina “coalizões de vontades”, que produzem invasões militares que levam “a democracia e os direitos das mulheres” para os países desobedientes.

A China terá tratamento muito pior. É um país com quatro vezes a população dos Estados Unidos, mas sua população carcerária é menor. Mesmo assim é criticada constantemente por Washington por ser supostamente um “Estado autoritário”. A China é acusada de abusar dos direitos humanos, enquanto a polícia dos Estados Unidos brutaliza a própria população diariamente.

Para a humanidade como um todo, o problema é que a China e a Rússia não são a Líbia e o Iraque. Os dois países possuem armas nucleares estratégicas. Seu tamanho é muito maior que o dos Estados Unidos. Os Estados Unidos, que não foram sequer capazes de invadir com sucesso Bagdá ou o Afeganistão, não tem a menor chance de vencer uma guerra convencional contra a Rússia e a China. Washington apertará o botão nuclear. O que mais poderemos esperar de um governo sem moral?

Estados párias por Estados párias, o mundo nunca viu dois como Estados Unidos e Israel. Matarão a todos e qualquer um, ambos. Pense nos perigos criados com a crise provocada pelos Estados Unidos na Ucrânia. Em 23 de maio de 2014, o presidente russo, Putin, falou no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, uma reunião de três dias entre delegações de 62 países e CEOs de 146 grandes corporações do ocidente.

Putin não falou da formalização dos acordos comerciais que estavam em curso, no valor de milhões de dólares. Em vez disso, discorreu sobre a crise artificialmente criada por Washington contra a Rússia, criticando também a vassalagem da Europa para com os Estados Unidos, dando apoio à propaganda de Washington contra a Rússia e ainda sobre a interferência dos Estados Unidos em interesses vitais para a Rússia.

Diplomático em sua linguagem, Putin não deixou de passar a sua mensagem, de que se a Rússia, seus interesses vitais e suas preocupações continuarem sendo ignorados, se os EUA e União Europeia continuarem a agir como se a Rússia não existisse, os problemas serão levados de volta até atingir os interesses econômicos dos Estados Unidos e da Europa. A mensagem foi recebida.

A mensagem, devidamente anotada pelos chefes das grandes corporações ali presentes, será entregue para Washington e para as capitais européias. Putin deixou bem claro que a falta de diálogo com a Rússia poderia fazer o ocidente cometer o erro de filiar a Ucrânia à OTAN e instalar mísseis na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia. Putin sabe muito bem que não pode contar com a boa vontade do ocidente e deixou bem claro, mesmo sem ameaças, que a instalação de bases militares ocidentais na Ucrânia é inaceitável.

É certo que Washington continuará ignorando a Rússia. As capitais européias, no entanto, devem decidir se querem ser empurradas a um conflito com a Rússia, mesmo contra seus próprios interesses. Putin precisa descobrir se há inteligência e independência suficientes na Europa para tentar uma reaproximação com a Rússia e está testando os seus políticos.

Caso Washington em seu autoritarismo cego e húbris arrogante obrigar Putin a descartar o ocidente, a aliança estratégica entre Rússia e China, que ainda está em seus primórdios, se fortalecerá para a contenção dos atos políticos hostis de Washington, cercando os dois países de bases militares, e eles se prepararão para uma guerra inevitável.

Se houver sobreviventes nessa guerra, poderão agradecer aos neoconservadores, à doutrina Wolfowitz e à estratégia de Brzezinski pela destruição da vida na Terra.
A população dos Estados Unidos está cheia de gente que, apesar de desinformada, pensa que sabe tudo. Esse pessoal foi dirigido pela propaganda dos Estados Unidos e de Israel a encarar o Islã como se fosse uma ideologia política. Eles sinceramente crêem que o Islã, uma religião, não é religião e sim uma doutrina militarista que busca a derrubada da civilização ocidental, como se restasse ainda alguma coisa da “civilização” ocidental.

Muita gente acredita nessa propaganda, mesmo que lhes esfreguem na cara as inúmeras provas existentes de que sunitas e xiitas se odeiam entre si muito mais que aos invasores e ocupantes ocidentais de suas terras. Os Estados Unidos fatiaram o Iraque, mas mesmo assim a carnificina hoje é ainda maior que durante o tempo de invasão e ocupação pelas forças da coalizão. São extraordinariamente altos os números de mortes diárias no conflito entre sunitas e xiitas. A desunião que reina na religião não representa ameaça a mais ninguém que aos próprios muçulmanos. Washington usou essa desunião como alavanca para derrubar Gadafi e a está usando nos seus esforços para derrubar o governo da Síria. Os muçulmanos não têm sequer a capacidade de unir-se para se defender das contínuas agressões do ocidente. Não há esperança de uma união entre os muçulmanos para lutar contra o ocidente.

Mesmo que pudesse fazê-lo, o esforço do Islã para derrubar o ocidente seria inútil. O ocidente está derrubando a si mesmo. A constituição dos Estados Unidos foi morta a pauladas pelos regimes de Bush e Obama. Nada restou. Como sempre se soube que os Estados Unidos SÃO a constituição, então o que já foi chamado de “Estados Unidos” não existe mais. Não se sabe o que é a entidade que lhe tomou o lugar.

Já a Europa, esta morreu com o nascimento da União Europeia, cujo simples surgimento traz em seu bojo o fim da soberania de todos os países membros. Um grupo de burocratas irresponsáveis em Bruxelas coloca-se acima dos desejos do povo francês, alemão, britânico, italiano, holandês, espanhol, grego e português, para mencionar apenas alguns.

A civilização ocidental hoje é apenas um esqueleto. Não há vida nela, embora esteja ainda em pé. O seu princípio vital, a liberdade, não mais existe. Quando o povo do ocidente olha para seus governantes o que vê são inimigos.  Por qual outro motivo Washington tem armado e militarizado forças locais, dando-lhes equipamentos militares como se exércitos de ocupação fossem? Por qual outro motivo a Segurança Interna, o Departamento de Agricultura e até o Serviço de Correios e a Administração da Segurança Social encomendaram armas, bilhões de cartuchos de munição e até metralhadoras? Para que serve todo esse armamento, a não ser para reprimir o povo dos Estados Unidos?

Como bem explica o proeminente analista de tendências Gerald Clement no atual Trends Journal “há revoltas nos quatro cantos do Globo”. Na Europa inteira, povos zangados, desesperados e indignados marcham contra as políticas financeiras da União Europeia que está jogando o povo na sarjeta. Apesar de todos os esforços de Washington, através de suas quintas colunas bem pagas, também conhecidas como ONGs, para desestabilizar a Rússia e a China, o governo desses dois países tem muito mais apoio popular hoje, que a Europa ou os Estados Unidos.

Ao descobrir no século 20 o que é a tirania, Rússia e China a rejeitaram.

A tirania entrou nos Estados Unidos pela porta falsa do “combate ao terror”, uma farsa usada para amedrontar os idiotas e convencê-los a abandonar suas liberdades civis, liberando Washington de prestar contas à lei por seus atos, e permitindo que erguesse um Estado militarista. Com o intento de trazer a Europa para dentro do Império de Washington, este tem usado, desde a segunda guerra mundial, a sua hegemonia financeira e a “ameaça soviética” agora transmutada em “ameaça russa”.

A esperança de Putin é que os interesses dos países europeus prevaleça sobre a sua subserviência a Washington. Essa é a sua aposta, hoje. Também é a razão pela qual a Rússia continua a não aceitar as provocações quase diárias das ações de Washington na Ucrânia.

Se a Europa falhar com a Rússia, Putin e a China vão se preparar para uma guerra inevitável causada pela busca desenfreada de Washington pela hegemonia.

Paul Craig Roberts
(nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

(1)  Dia em memória, literalmente, mas entendido como “Dia do Combatente” [NT]

Tradução: mberublue