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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

OBAMA E O LEGADO DO “LADO OBSCURO”

              
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Conflicts Forum
             
Tradução pelo Coletivo Vila Vudu                   




"Temos também de trabalhar – alguma coisa como 'o lado obscuro' –, 
se quiserem dizer assim" [Dick Cheney]


Quando, no início de agosto, o ex-funcionário de mais alto escalão da inteligência do Pentágono, tenente-general Michael Flynn, disse que fora "decisão deliberada" do "ocidente" apoiar a criação de um "principado salafista declarado ou não declarado no leste da Síria" com o objetivo de pressionar o governo sírio e, na sequência, confirmou o que se sabia do relatório "2012 US Defence Intelligence Agency então recentemente liberado do sigilo, sobre o surgimento do ISIS na Síria, e explicitamente alertou para a possibilidade de ser declarado "um Estado Islâmico", "mediante a união com outras organizações terroristas no Iraque e na Síria" – houve silêncio praticamente absoluto em todos os veículos da mídia-empresa. Ninguém queria pôr a mão no 'fio desencapado' de uma possível colusão dos EUA, com forças do 'califato'.



Mas o que o general norte-americano dizia já estava suficientemente claro: a jihadização do conflito sírio fora decisão política "deliberada". E dado que Al-Qaeda e aquele embrião do ISIS eram os dois únicos movimentos capazes de estabelecer 'califato' daquele tipo na Síria e no Iraque, evidentemente se tinha de concluir que o governo dos EUA e seus aliados tacitamente aceitavam aquele resultado – com vistas sempre a enfraquecer, ou derrubar, o estado sírio.


Muitos no ocidente acharam difícil crer nos comentários do general Flynn, por mais que todos soubessem que o general tinha conhecimento direto dos eventos. Como seria possível? Para muitos telespectadores e leitores a ideia deve ter soado contraintuitiva demais. E é algo que toca numa ferida que ainda supura na psique ocidental: o 11 de setembro. 


Mas agora, com a intervenção militar de Rússia e Irã, a confusão em que o ocidente se vê é evidente demais: a Rússia está dando cobertura aérea ao exército sírio, com o objetivo de interromper as linhas de suprimento que vêm da Turquia para os terroristas, por um lado; e de interromper a linha de suprimento de Mosul para Alepo, por outro lado – movimentos precursores da derrota estratégica do ISIS.


Mas diante dessas ações, o que se vê é a mais descarada prevaricação pelos 'líderes' das maiores nações do mundo, que parecem até querem 
impedir, e infligir dor direta aos russos e a quaisquer outros que tentem derrotar as forças do 'califato' radical – e apoiando que chegue à Síria, saída dos fornecedores no Golfo, uma onda de mísseis TOW e de MANPADS. Assim sendo, onde, exatamente o ocidente se posiciona?


As forças que a Aliança 4+1 tem de derrotar às vezes são o ISIS, mas às vezes são os grupos Frente al-Nusrah e Arhrar al-Sham, forças jihadistas do 'califato', em resumo, que absolutamente não têm interesse algum em qualquer acerto político que não seja a vitória delas mesmas. Então, os líderes ocidentais gritam 'Alto!', o que implica(ria) que aqueles são 'nossos rapazes' e não podem ser atacados. 


A 'confusão' em que está o ocidente é perfeitamente visível em toda a região: os EUA e aliados estão ostensivamente 'em guerra' contra as forças sunitas radicais dos degoladores. E, ao mesmo tempo, estão 'na cama' com os mesmos salafistas degoladores. Como tal coisa pode ter acontecido? Como resolver essa confusão?


As raízes da ambivalência dos EUA em relação ao Islã sunita radicalizado (como já comentamos 
aqui) estão fincadas, primeiramente, no grupo de neoconservadores norte-americanos que constituíram uma influente rede de 'guerreiros da Guerra Fria' em torno do vice-presidente Dick Cheney, e que eram obcecados com fazer retroceder a influência soviética no Oriente Médio e com derrubar estados e governos socialistas-nacionalistas árabes, considerados simultaneamente estados-clientes dos soviéticos e ameaças a Israel.


David Wurmser, conselheiro de Cheney para o Oriente Médio, 
destacou (em 1996) que "limitar e apressar o colapso caótico" do Ba'athismo deve ser a grande prioridade dos EUA na região. O nacionalismo árabe-secular não pode ser tolerado, nem mesmo, disse ele, em nome de fazer aumentar a maré do fundamentalismo islamista. Ao definir a destruição do nacionalismo secular como sua grande prioridade, os EUA viram-se, por padrão, compelidos a aliar-se com os reis e emires do Golfo, que tradicionalmente recorreram ao jihadismo sunita como vacina contra a democracia.


Mas o uso pelos EUA (e pelos britânicos) dos movimentos sunitas jihadistas radicais para seus próprios 'superiores objetivos geopolíticos' já estava bem incorporado muito antes de 1996. Quando perguntado se lamentava que a CIA desse apoio clandestino a jihadistas no Afeganistão, seis meses antes da intervenção militar dos soviéticos (a pedido de Cabul), o assessor de segurança do presidente Carter, Zbig Brzezinski, 
respondeu:



"De fato, o presidente Carter assinou, dia 3/7/1979, a primeira diretiva para ajuda secreta a opositores do regime pró-soviéticos em Cabul [os soviéticos intervieram dia 24/12/ 1979]. E naquele mesmo dia, escrevi uma nota ao presidente, na qual lhe explicava que, em minha opinião aquela ajuda [a forças islamistas radicais] induziria uma intervenção militar soviética [no Afeganistão]".


Pergunta: Apesar do risco, o senhor defendia essa ação sigilosa. Mas talvez o senhor desejasse essa entrada dos soviéticos na guerra e procurou provocá-la?


Brzezinski: Não é isso. Não queríamos empurrar os russos a intervir, mas aumentamos conscientemente a probabilidade de que interviessem.


Pergunta: Quando os soviéticos justificaram sua intervenção afirmando que visavam a combater um envolvimento secreto dos EUA no Afeganistão, as pessoas não acreditaram neles. Mas havia um fundamento verdadeiro. O senhor hoje lamenta alguma coisa?


Brzezinski: Lamentar o quê? Aquela operação secreta foi ideia excelente. Teve o efeito de arrastar os russos para a armadilha afegã, e você quer que eu lamente?! No dia em que os soviéticos oficialmente atravessaram a fronteira, escrevi ao presidente Carter: Temos agora a oportunidade de dar à União Soviética a guerra do Vietnã dela…


Pergunta: E o senhor também não lamenta ter apoiado os mujahidin islamistas, ter dado armas a eles e aconselhamento a futuros terroristas?


Brzezinski: O que é mais importante para a história do mundo? Os Talibã ou o colapso do império soviético? Alguns muçulmanos agitados, ou a libertação da Europa Central e o fim da guerra fria?


Pergunta: Alguns muçulmanos agitados? Mas é coisa que se diz e repete-se: o fundamentalismo islamista é hoje uma ameaça mundial.


Brzezinski: Nonsense!…


Embora o princípio de usar o jihadismo sunita incendiário para objetivos geopolíticos dos EUA já estivesse bem estabelecido, as raízes do imbróglio de hoje dos EUA na Síria tem mais a ver com os eventos de 2006 e 2007: a guerra de 2003 no Iraque não gerou o bloco regional pró-Israel, pró-EUA que os neoconservadores tinham em vista, mas, em vez disso, estimulou um poderoso "Crescente Xiita" de resistência, que se estendeu do Irã até o Mediterrâneo –, e os líderes do Golfo ficaram assustados. Os estados sunitas "ficaram apavorados ante uma possível ressurgência xiita, e houve ressentimento crescente contra nosso uso dos xiitas moderados no Iraque", disse à época um consultor do governo dos EUA. "Não podemos reverter o ganho xiita no Iraque, mas podemos contê-lo."


O fracasso de Israel na sua guerra de 2006, quando não conseguiu ferir gravemente o Hezbollah, foi a gota d'água que fez transbordar o copo – e irritou os líderes de Israel e do Golfo. E também provocou debate feroz em Washington: "Parece que houve um debate dentro do governo sobre qual seria o perigo maior – o Irã ou os sunitas radicais," 
disse Vali Nasr, veterano membro do Conselho de Relações Exteriores, a Seymour Hersh: "Os sauditas e alguns dentro do governo diziam que a maior ameaça é o Irã; e os sunitas radicais seriam inimigos menores. Foi uma vitória para a linha saudita."


Também foi, em certo sentido, vitória da liderança sunita do Líbano, intimamente associada ao sauditas, a qual, ao longo de anos anteriores, havia aprofundado sua conexão com grupos sunitas extremistas que abraçavam uma visão militante do Islã (como o Fatah al-Islam), e eram hostis aos EUA e simpáticos à Al-Qaeda. Esses aliados clandestinos do [movimento] 14 de Março foram vistos pela elite sunita libanesa como sua infantaria putativa – 'experimentados' no conflito do Iraque – que podiam ser alimentados e eventualmente cresceriam suficientemente nas próprias capacidades, para derrota militarmente o Hizbullah no Líbano: seriam a tropa de choque dos sunitas do 14 de Março, em outras palavras, conteriam a influência xiita e talvez, até, derrotariam os xiitas.


Essa experiência libanesa foi apresentada ao governo dos EUA por gente como Jeff Feltman (então embaixador dos EUA em Beirute) como a estratégia 'piloto' para o que seria possível alcançar na Síria. Líderes do Movimento 14 de Março afirmavam que poderiam administrar com segurança aqueles elementos radicais, os quais, apesar de inclinados na direção da al-Qaeda, permaneceram, de algum modo, sob a ampla 'tenda' sunita erguida e comandada por Saad Hariri e a Arábia Saudita. A queda da Síria trazia a possibilidade de enfiar-se uma cunha entre o Irã e a nêmese de Israel: o Hizbullah. A possibilidade seduziu o governo dos EUA: "Dessa vez, disse-me o consultor do governo dos EUA" – 
escreveu Seymour Hersh –, "Bandar e outros sauditas garantiram à Casa Branca que "manteriam olho atento sobre os fundamentalistas religiosos. A mensagem deles para nós foi 'Criamos esse movimento, e podemos controlá-lo'. Não é que não queiramos que os salafistas ponham-se a bombardear; o problema é quem eles bombardeiam – [devem bombardear] o Hezbollah, Moqtada al-Sadr, o Irã e os sírios [caso os sírios] continuem a trabalhar com Hezbollah e Irã."


Mas nem todos os sauditas tinham tanta certeza: um ex-diplomata saudita, 
em conversa com Hersh, acusou o líder do Hizbullah, Sayyed Nassan Nasrallah, de tentar "sequestrar o estado", mas também fez objeções a libaneses e sauditas patrocinarem jihadistas sunitas no Líbano: "Salafistas são pervertidos, doentes de ódio, e oponho-me firmemente à ideia de flertarmos com eles" – disse o saudita, que continuou: – "Eles odeiam os xiitas, mas muito mais odeiam os norte-americanos. Se alguém tentar ludibriar aquela gente, eles passam a perna em nó. Será horrível."


Cheney e sua equipe continuaram, mesmo assim, curiosos quanto às ideias de Bandar para a Síria, mas com cautela: "Temos de fazer todo o possível para desestabilizar o governo sírio e explorar cada momento em que eles deem passos estratégicos maiores que as próprias pernas." Em entrevista ao jornal Telegraph em 2007, David Wurmser (ex-conselheiro de Cheney e John Bolton) confirmou que "nisso se incluiria a disposição para escalar, se precisássemos derrubar o regime [sírio]." 
Disse também que "um fim do poder Baathist em Damasco dispararia um efeito dominó que na sequência poria abaixo o regime de Teerã."


Bandar 
vangloriou-se da habilidade para manobrar os jihadistas: 'Esse aspecto deixem comigo'. John Hannah, então Conselheiro de Segurança Nacional de Cheney, observou mais tarde o consenso que havia naquele momento: "Bandar trabalhando sem qualquer referência aos interesses dos EUA é claramente motivo de preocupação. Mas Bandar operando como parceiro (...) contra um inimigo iraniano comum é ativo de alto valor estratégico." Esse ponto – a entrada da Arábia Saudita em iniciativa mais ampla contra a Síria – também marcou o início da aliança estratégica entre Israel e a Arábia Saudita, unidas na hostilidade comum ao Irã.


De fato, o ex-diplomata saudita acertara. Nem Hariri, nem o príncipe Bandar, conseguiram controlar as inflamadas forças do Califato com as quais trabalhavam. 'Moderados' que ali houvesse continuaram simplesmente a migrar politicamente para o campo da al-Qaeda e do califato do ISIS – e com eles migraram também as armas fornecidas pela CIA. O conflito sírio ia-se tornando, em caráter, cada vez mais jihadista, exatamente como o general Flynn já alertava – em 2012! – que aconteceria.


O presidente Obama sempre disse claramente, desde o início, que jamais acreditou na noção de 'moderados'. Em 2012, 
Obama disse a Jeffry Goldberg: "Quando você tem um exército profissional bem armado e patrocinado por dois grandes estados que têm altas apostas nele, e o exército luta contra um pequeno sitiante, um fazendeiro, um carpinteiro, um engenheiro que começaram como manifestantes e agora repentinamente se veem no centro de um conflito civil – a noção de que nós poderíamos, de forma limpa [orig. clean way], que não comprometesse forças militares dos EUA, ter mudado a equação em campo, jamais foi verdadeira" (itálicos de Conflitcs Forum).

Obama não acreditava nos moderados, mas estava sob pressão dos 'falcões', inclusive de seus próprios enviados, Fred Hof e o General Allen, para que apressasse a derrubada do presidente Assad. Mas o presidente continuou firme: "Não vamos simplesmente entrar lá e nos envolver numa guerra civil que, de fato, envolve alguns elementos do povo que estão lutando genuinamente por uma vida melhor, mas também envolve elementos que, no longo prazo, causarão danos aos EUA." A resposta – como acontece tão frequentemente – foi passar a usar meios sigilosos e clandestinos para 'amolecer' os 'falcões', aumentando as operações clandestinas em apoio à oposição – inclusive aos jihadistas:


Presidente Obama: E entendemos que os dias dele [do presidente Bashar al-Assad] estão contados. Não é questão de 'se', mas de 'quando'. Ora, podemos acelerar isso? Estamos trabalhando com a comunidade internacional para tentar fazer isso. (…)



Goldberg: Há algo que o senhor possa fazer para que a coisa ande mais depressa?


Presidente Obama: Bem... Nada que eu possa dizer a você, porque suas credenciais para acesso a informação sigilosa não são muito boas (Risos).



Mas claramente o governo estava vendo como outros – não de "forma limpa" – estavam mudando "a equação em campo". Em 2014, o vice-presidente Biden foi ainda bem mais sincero:



"O que complica é a habilidade para identificar o que seria um centro moderado na Síria. Não havia centro moderado, porque no centro moderado só havia comerciantes, não soldados (...)


E o que sempre disse e repeti é que nosso maior problema é os nossos aliados – nossos aliados na região são nosso maior problema na Síria. Os turcos (...) os sauditas, os dos Emirados etc. O que fizeram eles? Estavam tão determinados a derrubar Assad e fazer lá uma guerra por procuração entre sunitas e xiitas, o que fizeram? Fizeram chover centenas de milhões de dólares e dezenas, centenas de toneladas de armas, sobre qualquer um que dissesse que lutaria contra Assad. Problema é que o pessoal que estava recebendo as armas eram a Frente Al-Nusra e a al-Qaeda e todos os tipos de elementos extremistas, de jihadista que chegavam de outras partes do mundo
 …

(…) e não conseguimos convencer nossos colegas a parar de abastecê-los. E o que aconteceu então? Agora, de repente – não quero parecer leviano – mas agora eles viram o Senhor [quer dizer, os Estados do Golfo disseram que vão unir-se numa coalizão contra o ISIS]. Agora temos – o Presidente foi capaz de formar uma coalizão de nossos quatro vizinhos sunitas, porque os EUA não podem outra vez entrar numa nação muçulmana e serem vistos como agressor –, terá de ser liderada pelos sunitas para ir lá e atacar uma organização sunita.
"


Paradoxalmente, John Hannah – talvez já com o benefício da experiência – dizia o seguinte sobre a política de Obama para a Síria, referindo-se à reunião de Obama, de junho de 2015, com os líderes do Golfo em Camp David. Hannah observou que, "depois de destacar que compreendia a ameaça que o Irã representa para a região":


…[Obama] saiu-se com uma pequena pérola. Os árabes, segundo o presidente dos EUA, têm de aprender com o exemplo do Irã. De fato, precisam arrancar  uma página do manual da Força Qods – com o que o presidente quis dizer que precisam desenvolver seus próprios 'procuradores' locais capazes de combater de perto, frente a frente, os agentes do Irã, e de derrotá-los. O presidente parecia maravilhado ante o fato de que, do Hezbollah aos Houthis e às milícias iraquianas, o Irã tenha tantos e tão efetivos procuradores, com alta profundidade, dispostos a promover os interesses iranianos. Onde, perguntou o presidente, estão os equivalentes no lado sunita? Por quê – Obama queria saber especialmente –, os sauditas e parceiros não conseguem seduzir iemenitas suficientes para que carreguem o peso da luta contra os Houthis? Os árabes, Obama sugeriu, precisam muitíssimo desenvolver recursos [uma caixa de ferramentas] que vá além da força bruta da intervenção direta. Em vez disso, precisam ser mais sutis, mais espertos e mais efetivos –, quer dizer, mais parecidos com o Irã".


Ao que, refletiu John Hannah (claramente agora com o benefício da experiência):




"Pensem bem. Sentindo-se ameaçados, desesperados, sem confiança no apoio dos EUA, e em luta de vida ou morte contra um Irã xiita intensamente sectário, para quem os wahhabistas mais provavelmente se virarão, como aliados potenciais em momento de necessidade? À Al-Qaeda na Península Árabe no Iêmen? À Frente al-Nusra na Síria? Ao Estado Islâmico no Iraque? Impossível, você dirá? Talvez sim, talvez não. O passado não é prólogo, mas com certeza é motivo para agir com muita, muita cautela. O presidente Obama parece especialmente vaidoso das ferramentas clandestinas, dos agentes vestidos de preto, de custo relativamente baixo, e das atividades paramilitares. Também parecia ansioso, desesperado, mesmo, para aliviar o peso da liderança global dos EUA, empurrando aliados em dificuldades para que eles mesmos cuidem de melhorar e policiar as suas próprias vizinhanças. Combine juntos todos esses impulsos e a coisa parece excelente, em teoria, como ferramenta para conter o Irã. Mas estamos falando de Oriente Médio, e a conflagração que se aproxima, de sectarismo jihadista contra sectarismo jihadista, está só começando. Muito cuidado, portanto, com o que você deseja!"


Daí a natureza do conflito na Síria: frequentemente não é possível 'tornar quadrado um círculo' cortando só um pouco em todos os lados – de 'falcões' domésticos à indústria das Operações Especiais e aos aliados no Golfo – ao mesmo tempo em que não se arreda pé da linha de não promover intervenções militares norte-americanas diretas. 


Semântica e '
contrabando de cavalos' à parte, não importa quantas vezes os nomes mudem, Al-Qaeda/Al-Nusra e o bando todo (Ahrar Al-Sham, etc.) simplesmente não podem ser tradados como se fossem 'moderados', nem em algum sentido peculiarmente britânico à moda "Weybridge", nem em qualquer outro sentido.


Tom Friedman diz 
bem: "Obama tem acertado em sua ambivalência quanto a qualquer envolvimento profundo na Síria. Mas nunca teve coragem para expor seu próprio raciocínio ambivalente ao povo dos EUA. Deixa-se empurrar de um lado para outro, diz coisas que as próprias entranhas dizem a ele que jamais funcionarão e, assim, só consegue o pior de todos os mundos: a retórica de Obama excede sua política; e a política de Obama não funciona".


Não surpreendentemente, assim, alguns nos EUA já começam (
cautelosamente) a ver a iniciativa militar do presidente Putin como o único modo de cortar o nó górdio e libertar o presidente Obama de seu 'nó' de ambivalência: deixe que Rússia e aliados derrotem o ISIS, e que um "pequeno sitiante, um fazendeiro, um carpinteiro, um engenheiro que começaram como manifestantes e agora repentinamente se veem no centro de um conflito civil" – nas palavras do próprio Obama – sejam de algum modo assimilados no processo político. Isso, sim, afinal, pode vir a ser um 'grande feito'.




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terça-feira, 10 de novembro de 2015

EUA: Grande mudança política na Síria (1 e 2)


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Andrei AKULOV, Strategic Foundation (1 e 2)
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Parte 1

Finalmente o presidente Obama definiu sua estratégia de segundo mandato para o Oriente Médio. A linha vermelha está sendo ultrapassada – pela primeira vez os EUA enviarão soldados de solo para a Síria para assessorar e aconselhar terroristas [ditos "rebeldes moderados"] que combatem o ISIS (?!) disse o porta-voz Josh Earnest, da Casa Branca, dia 30 de outubro. 

Os EUA mandarão para a Síria "menos de 50" forças das Operações Especiais, que serão mandados para o território controlado por curdos no norte da Síria. Os soldados norte-americanos ajudarão forças curdas e árabes locais, com logística, no combate contra o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico; e visam a amplificar o efeito de seus esforços. A Casa Branca insistiu que absolutamente não é caso de "superdistender a missão". "A missão não mudou", disse Josh Earnest, secretário de imprensa da Casa Branca. "Essas forças", acrescentou ele, "não têm missão de combate". 

Mesmo assim, o envio de soldados para a Síria é a escalada mais significativa de toda a campanha militar dos EUA contra o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico até o presente. O primeiro grupo de coturnos das Forças Especiais sairá dos EUA e poderá já estar no norte da Síria ainda em novembro, segundo alto funcionário da Defesa. Uma vez lá, os soldados serão baseados principalmente num quartel-general não oficial, onde estão representantes de árabes sírios (sic), curdos e outros grupos. Por razões de segurança, o local não foi revelado. Esses coturnos norte-americanos permanecerão na Síria por períodos que podem variar de semanas a meses de cada vez, disse o funcionário.

Pode acontecer de serem mandados mais coturnos. Espera-se que esses soldados não entrem em combate, mas têm direito de se autodefender e podem requerer autorização, se forem necessários em campo. Haverá mais forças de Operações Especiais disponíveis para ataques na Síria e no Iraque quando se identificarem alvos do ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico, de alto valor. Além do envio de soldados das Operações Especiais, o presidente Obama autorizou o envio de aviões de combate A-10 e F-15 para a base aérea de Incirlik, na Turquia. Os A-10s podem prover apoio aéreo próximo, aos combatentes em solo. Os F-15s podem executar grande variedade de missões de combate ar-terra.

Os EUA também consideram estabelecer uma força-tarefa de Operações Especiais no Iraque, para ampliar os esforços dos EUA na luta contra o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico e seus líderes, informou o secretário do governo Obama. 

Obama autorizou aumentar a ajuda militar à Jordânia e ao Líbano para enfrentarem o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico. Os EUA também aumentaram a ajuda militar aos grupos locais, com entrega por ar de armas, munições e outros itens para as forças "rebeldes moderadas" dentro da Síria. O número de soldados dos EUA no Iraque já inchou para mais de 3.500, desde que Obama anunciou que estava mandando para lá os primeiros 300 conselheiros/instrutores militares norte-americanos, em junho de 2014.

O Pentágono quer construir uma barreira por trás das forças aliadas aos EUA – curdos e a coalizão sírio-árabe que o governo Obama apoia –, para permitir que esses combatentes conservem o território que tomaram. Um dos modos para conseguir isso, disse um funcionário do Departamento de Defesa, é garantir que o equipamento e outros suprimentos entregues cheguem rapidamente até essas forças.

No momento, disseram funcionários, não há planos para mandar soldados dos EUA para além do 'quartel-general' improvisado da oposição no norte da Síria. Eles não patrulharão nem viajarão com grupos de oposição. Mas os funcionários também disseram que isso pode mudar, se a situação assim exigir. 

A 'notícia' de que esses soldados não participarão de missões de combate não conforma o que diz o chefe da Defesa dos EUA. Antes de essa notícia aparecer, o secretário de Defesa dos EUA Ashton Carter declarara perante a Comissão de Serviços Armados do Senado, dia 24 de outubro, que o Pentágono estaria ampliando os ataques contra o ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico – inclusive mediante "ação direta em campo" no Iraque e na Síria. 

O secretário anunciou que "os EUA iniciarão" "ação direta em campo" contra forças de ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico no Iraque e na Síria, com o objetivo de aumentar a pressão sobre os militantes [sic], enquanto o progresso contra eles permanecer difícil. "Não deixaremos de garantir apoio a parceiros capazes, em ataques oportunistas contra o ISIL, ou de conduzir diretamente tais missões seja por ataques aéreos ou ação direta em campo" – disse Carter. 

Ora... O que ninguém sabe é como soldados "conduzem" ação direta "em campo" sem entrar em combate! Evidentemente, é só mais e mais conversa, para confundir. É possível que o secretário Carter da Defesa e Ernst, de Imprensa, saibam mais do que dizem.   

Dia 4 de novembro, o The Wall Street Journal noticiou que os EUA e aliados regionais combinaram aumentar os embarques de armas e outros suprimentos para ajudar os rebeldes sírios "moderados" a defender os próprios avanços e impedir qualquer progresso da ação dos russos e iranianos em defesa do presidente sírio Bashar al-Assad.

As entregas feitas pela CIA, pela Arábia Saudita e por outros serviços de inteligência aliados aprofundaram os combates entre as forças que combatem na Síria – apesar das muitas promessas feitas pelo presidente norte-americano Obama de que não permitiria que o conflito se convertesse em guerra à distância dos EUA contra a Rússia. 

O artigo do WSJ diz que no mês de outubro, ante a intensificação dos ataques russos, a CIA e seus parceiros aumentaram o fluxo de suprimento militar para "os rebeldes" no norte da Síria, incluindo mísseis TOW antitanques de fabricação norte-americana – segundo informação daqueles funcionários. Esses suprimentos continuarão a aumentar nas semanas vindouras, para recompor os estoques consumidos na crescente ofensiva militar do governo sírio. O diretor da inteligência nacional, James Clapper, alertou essa semana que a atual intervenção na Síria "arrisca-se a converter-se no que se tornou a intervenção no Afeganistão, nos anos 1980s, para os soviéticos. Pergunto-me se [os russos] têm alguma estratégia para decolar logo de lá, e se conseguirão evitar outro atoleiro" – disse Clapper.

É declaração que finge que não vê o fato de que os EUA, não a Rússia, é que anunciam a decisão de enviar coturnos em solo para a Síria, arriscando-se a converter a Síria no que foi a invasão dos EUA ao Vietnã em 1961-1974.  Lá também, os EUA começaram por mandar conselheiros das Operações Especiais. 

Some-se tudo isso, e vê-se claramente que a presença militar dos EUA na região está aumentando. Passo a passo, os EUA vão metendo os pés pelas mãos e empurrando seus próprios soldados para o fundo de mais uma guerra sem fim. É a primeira vez que os EUA mandam forças para a Síria e informam o mundo sobre o que estão fazendo, expandindo o alcance geográfico das operações militares norte-americanas no Oriente Médio. 

Com a presença dos EUA mantida no Iraque, e a decisão recém tomada de manter as tropas norte-americanas também no Afeganistão até no mínimo o próximo ano, o próximo presidente dos EUA herdará, no mínimo – e só até agora – três grandes conflitos militares! 


Parte 2

Quando os soldados de operações especiais dos EUA chegarem à Síria poderão aplicar lá as lições que aprenderam dos cerca de 1.400 soldados e apoiadores das Operações Especiais, que trabalham "à distância de hálito de café" [orig. coffee-breath close] com parceiros em 23 países africanos, disse dia 2 de novembro o comandante do Comando Africano da Operações Especiais dos EUA, brigadeiro-general  Donald Bolduc. 

"Entendo que operações das Forças Especiais na África abrem oportunidade única para examinar como aconselhar e ajudar, treinar e equipar e conduzir um pleno espectro de operações de Forças Especiais (...), para compreender como operar uma força letal que pode efetivamente desenvolver-se e operar dentro da própria população" – disse o brigadeiro-general Donald Bolduc na conferência Defense One Summit em Washington, D.C.

Bolduc disse que os operadores especiais dos EUA têm obtido grande sucesso no serviço de treinar e equipar forças de segurança africanas para que enfrentem as ameaças de muitos grupos terroristas, inclusive do Estado Islâmico.

Nos termos do que determina(ria) a chamada Lei Leahy – que leva o nome do senador por Vermont, Patrick Leahy –, os EUA são proibidos de prover assistência a unidades "de forças de segurança de país estrangeiro, se o secretário de Estado tiver informação confiável de que aquelas unidades tenham cometido violações graves de direitos humanos." 

Sim, mas nada disso impediu os EUA de conduzir exercícios de treinamento conjuntos com militares de países africanos que têm currículos genuinamente apavorantes quanto a esse quesito. A lista inclui Mauritânia, Mali, Chade, Burkina Faso, Níger, Nigéria, Senegal, Marrocos, Argélia e Tunísia (os países da Parceria Trans-Sahara para Contraterrorismo [orig. Trans-Sahara Counter Terrorism Partnership]).

Os EUA treinaram militares nigerianos durante anos. Resultado? O grupo Boco Haram passou, de pequeno grupo de uma seita radical do norte da Nigéria, para furioso e crescente grupo terrorista regional. Grupos terroristas, incluindo a Al-Qaeda no Maghreb Islâmico, al-Murabitun, o Movimento pela Unidade e Jihad na África Ocidental e Ansaru, grupo que surgiu de uma divisão do Boko Haram, estão todos em crescimento e expandido o objetivo de suas operações. Há casos também, de militares treinados pelos EUA que rapidamente chegam ao poder mediante golpe. Ano passado, o governo de Burkina Faso, como antes dele o governo do Mali, foram derrubados por militar treinado nos EUA – ex-aluno da Universidade de Operações Especiais Conjuntas do Departamento da Defesa [orig. Defense Department’s Joint Special Operations University]. Também houve golpes liderados por militares apoiados pelos EUA na Mauritânia em 2005 e novamente em 2008 e no Níger em 2010; e houve também a revolução que, em 2011, derrubou o governo que os EUA apoiavam na Tunísia, depois que o exército tunisiano, apoiado pelos EUA, omitiu-se de qualquer resistência. 

Apesar dos esforços das operações especiais dos EUA, nações africanas continuam a padecer sob a ação de uma pletora de grupos terroristas ou insurgentes e de membros das próprias respectivas forças armadas, numa sequência sem fim de conflitos.

Declarações do Comando Africano sobre 2015 admitem que, passada já uma década de intervenções militares, "No norte da África e na África Ocidental, a insegurança na Líbia e na Nigéria ameaçam crescentemente a interesses dos EUA. Apesar dos esforços multinacionais de segurança, redes de terroristas criminosas estão ganhando força e interoperabilidade." 

Lá se lê também que "Al-Qaeda nas Terras do Maghreb Islâmico, Ansar al-Sharia, al-Murabitun, Boko Haram, Estado Islâmico no Iraque e Levante [ing. ISIL] e outras organizações extremistas violentas estão explorando a fraqueza do governo, as lideranças corruptas e as fronteiras porosas por todo o Sahel e o Maghreb para treinar e movimentar militantes e combatentes e distribuir recursos."

Nem a insistente repetição dessas ações dos EUA, de usar forças das Operações Especiais para dar treinamento e cumprir missões de combate, conseguiu virar a maré na África, onde senhores da guerra e terroristas continuam a expandir suas operações. As mesmas ações também fracassaram no Oriente Médio.

Matéria do canal ABC diz que Republicanos no Congresso já criticaram o anúncio do envio de soldados para a Síria, questionando se o presidente não estaria simplesmente tentando 'segurar o jogo', empurrando qualquer desenlace para depois do fim de seu governo.

Os EUA consumiram cerca de 10 anos para treinar forças de segurança afegãs e o exército do Iraque. Sabe-se de sobra em que deu todo esse trabalho. Earnest já admitiu que não cabe esperar qualquer mudança dramática na luta contra ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico, sem solução diplomática na Síria. Parece correto. A via para solução pacífica na Síria depende de processo de negociações em Viena, não de 'envio' unilateral de forças das Operações Especiais dos EUA.

Andrei Akulov -


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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

EUA suspenderam todos os ataques aéreos, enquanto terroristas montavam ataque contra rota de suprimentos do governo sírio          

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Moon of Alabama         

Tradução pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu         

Nos últimos dias, aconteceu um grande ataque contra a linha de suprimentos do governo sírio para a cidade de Aleppo, realizado pela Frente al-Nusra ("Al-Qaeda na Síria") e o Estado Islâmico (EI), ao que tudo indica coordenado com os militares dos EUA.


Durante todo o mês de setembro as forças da coalizão dos EUA fizeram uma média de 4,2 ataques aéreos contra o EI, predominantemente no leste da Síria. Isso, depois de uma média de 6,8 ataques/dia em agosto. Em outubro a taxa era quase a mesma de setembro, até a 5ª-feira, dia 22 de outubro. Então, o número de ataques, segundo do U.S. Military Times, caiu acentuadamente:


~4 ataques/dia até 20 de outubro

4 - Out. 20 3ª-feira

8 - Out. 21 4ª-feira

1 - Out. 22 5ª-feira

0 - Out. 23 6ª-feira

0 - Out. 24 Sábado

0 - Out. 25 Domingo 

1 - Out. 26 2ª-feira 

0 - Out. 27 3ª-feira

0 - Out. 28 4ª-feira

O Estado Islâmico usou o período de ataques zero no leste da Síria para mover centenas de combatentes e equipamento pesado para perto da linha de suprimento que conecta Damasco e as áreas controladas pelo governo em Aleppo (em verde no mapa).


Depois de dois dias sem nenhum ataque dos EUA no leste da Síria, o Estado Islâmico (vermelho no mapa) atacou pelo leste a via de suprimentos do governo, enquanto no mesmo ponto, a Frente al-Nusra (laranja) atacou o corredor de suprimentos pelo oeste. Os ataques começaram com carros bomba contra pontos de controle do exército sírio, que no mesmo momento estavam tendo de defender-se pela frente e pela retaguarda.


No sábado, 24 de outubro, Almasdar News noticiou:


Pela primeira vez em três meses, a principal via de suprimentos do Exército Árabe Sírio ao longo da rodovia Khanasser foi fechada por obstrução ali implantada pelo Estado Islâmico do Iraque e al-Sham [Levante] (ing. ISIL); essa situação caótica forçou as forças pró-governo a convocar centenas de reforços do Governorado de Aleppo, para fazer retroceder os terroristas ali plantados


Inicialmente, as forças armadas da Síria conseguiram repelir os dois grupos, ISIS e a Frente al-Nusra, da al-Qaeda na Síria, depois que atacaram de diferentes eixos no Governorado de Hama; mas o ISIS reagrupou-se perto da fronteira do Governorado de Al-Raqqa para lançar outro ataque massivo contra a rodovia Khanasser.


O segundo ataque do ISIS contra as posições defensivas das forças armadas sírias foi bem-sucedido, e interromperam a Autoestrada Khanasser e avançaram mais para o oeste em direção à cidade estratégica de Ithriyah a leste de Hama.


Os terroristas do Estado Islâmico mataram cerca de uma dúzia de soldados do governo e capturaram vários veículos armados (fotos terríveis).


O exército sírio mandou reforços da milícia Liwaa Al-Quds da resistência palestina, para ajudar a limpar a estrada. A operação foi só parcialmente bem-sucedida, porque o mau tempo e uma tempestade de areia dia 25 impediu a ação do apoio aéreo.


A sala de operações em Damasco não ficou totalmente insatisfeita com a situação, apesar de a estrada continuar interrompida. A ideia é que com os terroristas do EU e da Frente Nusra sendo reunidos em área rural aberta é mais fácil eliminá-los. Dias 26 e 27, as forças aéreas russas e sírias voaram cerca de 90 missões de ataque em 24 horas contra as partes da estrada que o inimigo ainda controla.

Esses ataques limparam as partes que o EI controlada da estrada, mas o EI concentrou mais forças em outro ponto da estrada, mais ao norte, e dia 27/10 houve ataque de suicida-bomba contra outro ponto de controle do estado sírio na mesma estrada, que voltou a bloquear a passagem. Mais reforços chegaram, dessa vez do Hizbullah, nos dias seguintes. No momento a estrada está desimpedida, mas ainda está ameaçada.


O fechamento da via de suprimento levou a grave desabastecimento para cerca de dois milhões de pessoas nas partes de Aleppo controladas pelo governo, com os preços de alimentos e gasolina explodindo.


As salas de operação em Damasco, onde Síria, Irã, Rússia e Hizbullah coordenam inteligência e operações na Síria suspeitam de que o ataque ao corredor de suprimentos tenha sido coordenado em nível mais alto, não só entre Nusra e Estado Islâmico.


A total cessação de ataques aéreos norte-americanos no leste da Síria permitiu que o Estado Islâmico movesse para lá centenas de terroristas e equipamento pesado (tanques e canhões), que estavam no quartel-general terrorista, na cidade de Raqqa, no oeste da Síria. Ao mesmo tempo, a Frente al-Nusra trouxe centenas de combatentes de outros fronts no sul-leste, para essa parte do ataque. Difícil acreditar que todos esses movimentos seriam coincidência, sem qualquer conexão uns com os outros.

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