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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Orwell na ONU:

Para Obama, só há "democracia" em país que apoia a política dos EUA 
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 Resultado de imagem para Michael Hudson, Counterpunch
Tradução do Coletivo de Tradutores da Vila Vudu
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Em seu discurso Orwelliano de 28/9/2015 na ONU, o presidente Obama disse que, se houvesse democracia na Síria, nunca teria havido revolta contra Assad. Por "revolta contra Assad", Obama entende: o ISIL. Onde há democracia, disse ele, não há violência ou revolução. Foi a mais violenta, embora velada, ameaça, feita dentro da ONU, de que os EUA continuarão a promover revoluções, golpes e violência contra qualquer país que não seja... "democracia". 


Nessa ameaça, afinal nem tão velada assim, Obama redefiniu o vocabulário da política internacional.


"Democracia" existe onde a CIA derrube Mossadegh, no Irã, para lá instalar o Xá. "Democracia" há onde os EUA patrocinem os Talebã, contra a Rússia, para derrubar o governo secular do Afeganistão. "Democracia" há na Ucrânia do golpe para pôr no poder "Yats" e Poroshenko. "Democracia" é os EUA instalando Pinochet no governo do Chile. Democráticos, só "os nossos felás-da-puta", como disse Lyndon Johnson referindo-se aos ditadores que a política externa dos EUA instalou no poder na América Latina.


Há um século, a palavra "democracia" aplicava-se a nação cujas políticas fossem delineadas por representantes eleitos. Sempre, desde a antiga Grécia, "democracia" foi o contrário de oligarquia e aristocracia. 


Mas depois da Guerra Fria, os políticos norte-americanos passaram a usar a palavra de outro modo. Quando um presidente dos EUA diz "democracia", está falando de país que siga cegamente as políticas neoliberais dos EUA, não importa se é ditadura militar ou governo que chegou ao poder por golpe (sempre chamados de "revolução colorida") como na Georgia e na Ucrânia. 


Para que um governo seja "democrático", na novilíngua dos políticos norte-americanos, basta que apoie sem reclamar o Consenso de Washington, a OTAN e o FMI. 


"Democrático", nesse caso, é governo que transfere o direito de construir e aplicar políticas, das mãos de políticos eleitos, para algum "banco central independente", cujas políticas são ditadas diretamente pela oligarquia encastelada em Wall Street, na City de Londres e em Frankfurt.


Por artes dessa operação orwelliana de redefinir o vocabulário político, quando o presidente Obama diz que esses países jamais conhecerão golpes, revolução violenta ou terrorismos, ele está dizendo que países que se mantenham bem-comportadamente dentro da órbita diplomática dos EUA não correm risco de serem desestabilizados (processo patrocinado pelo Departamento de Defesa e Departamento do Tesouro dos EUA). 


E países cujos eleitores elejam democraticamente governo ou regime que aja com independência (ou que apenas reivindique o poder de agir com independência, sem ter de seguir cegamente diretivas dos EUA), esses, sim, serão desestabilizados – à moda do que foi feito na Síria, do que foi feito na Ucrânia, do que foi feito no Chile do general Pinochet. Como Henry Kissinger 'argumentou': só porque um país elege comunistas não significa que tenhamos de aceitar. É a cara das "revoluções coloridas" patrocinadas pelo National Endowment for Democracy [Dotação Nacional para a Democracia, órgão do Congresso dos EUA, que mantém incontáveis ONGs e grupos de ativistas pelo planeta, todos "democráticos"].


Na sua fala na ONU, o presidente Putin da Rússia alertou contra a "exportação de 'revolução democrática'",
[1] referindo-se aos EUA em apoio aos seus factótuns locais. O ISIL é armado com armas dos EUA e seus soldados foram treinados por instrutores das forças armadas dos EUA.


E caso houvesse ainda alguma dúvida, o presidente Obama reiterou diante da ONU que até que o presidente Assad da Síria seja substituído por alguém mais submisso à política militar e do petróleo dos EUA, o principal inimigo é Assad, não o ISIL.


"É impossível tolerar por mais tempo essa situação" – Putin respondeu. E o mesmo se aplica à Ucrânia: "O que me parece absolutamente inaceitável" – disse Putin, em entrevista ao programa 60 Minutes da CBS
[2] –, "é impor a resolução de questões políticas internas nas repúblicas que formaram a URSS, com 'revoluções coloridas', com golpes de estado, pela remoção inconstituicional de quem esteja no poder. Isso é totalmente inaceitável. Nossos parceiros nos EUA apoiaram os que derrubaram Yanukovych. (...) Sabemos quem e onde, quando, quem falou com quem, quem trabalhou com quem para derrubar Yanukovych, como foram pagos, como foram treinados, onde, em que países e quem foram os instrutores. Sabemos de tudo. É inaceitável." 


O que significa tudo isso, para as relações EUA-Rússia? Por um momento, cheguei a ter esperanças de que talvez aquela conversa anti-Rússia de Obama seria alguma espécie de 'cobertura' para proteger algum acordo que estivesse em preparação para a reunião das 17h, com Putin. Falar de um modo, para conseguir (tentar) agir na direção oposta, tem sido o modus operandi de Obama, como de tantos políticos. Mas, não. Obama continua sob total domínio dos neoconservadores.


A que tudo isso levará? Há muitos modos de pensar fora da caixa. 


E se Putin propõe transportar por avião e navios os refugiados sírios – 1/3 da população do país – para a Europa, entregando-os na Holanda e Inglaterra, países que, pelas regras Shengen, são obrigados a aceitá-los?


E se resolver levar para a Rússia os melhores especialistas em computação e inúmeros outros tipos de trabalho altamente especializado, para os quais o sistema educacional sírio forma mão de obra respeitada em todo o planeta, para assim suplementar o rio de emigração que sai da Ucrânia "democratizada" por Victoria Nuland?


E o que acontecerá se os planos conjuntos já anunciados no domingo entre Iraque, Irã, Síria e Rússia para dar combate aos terroristas do ISIS – coalizão à qual EUA/OTAN recusaram-se a se unir – resultarem em ataques a soldados dos EUA ou, mesmo, ao principal financiador do ISIS, a Arábia Saudita?


Agora, o jogo já não está nas mãos dos EUA. Tudo que os EUA sabem fazer é ameaçar com golpes e mais golpes, que para eles seriam "democratizar" – enquanto vão convertendo países recalcitrantes em Líbias, Iraques e Sírias.



[1] Putin fez esse alerta, num comentário no qual equiparou a 'exportação' de 'revoluções' que os EUA fazem hoje, à exportação do modelo, como os soviéticos faziam: "Todos devemos lembrar o que nosso passado nos ensinou. Também recordamos alguns episódios da história da União Soviética. “Experimentos sociais" para exportação, tentativas de impor mudanças dentro de outros países baseadas em preferências ideológicas, quase sempre levaram a consequências trágicas e à degradação, não ao progresso. Parece, contudo, que longe de aprender com os erros dos outros, tantos agora se põem, exatamente, a repeti-los. Por isso continua a exportação de revoluções, agora chamadas "democráticas" [NTs].
[2] "All eyes on Putin," CBSNews.com, 27/9/2015.


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terça-feira, 8 de julho de 2014






7/7/2014, [*] Michael Hudson (entrevistado), “Truthseeker”, RT TV
Entrevista traduzida pelo pessoal da Vila Vudu



Os alfarrábios pós-bolha assumem que chegamos ao “fim da história”, no que tenha a ver com grandes problemas. Mas ainda falta desmascarar e criticar o grande quadro: o modo pelo qual Wall Street financeirizou o domínio público para inaugurar uma economia neofeudal de pagar pedágio [orig. toll-booth] aos rentistas, ao mesmo tempo em que privatizou o próprio governo que, nos EUA, passou a ser governado pelo Tesouro e pelo Federal Reserve.


A história em que ninguém toca é a história de como o [vaidoso, presunçoso, “ético”, moralista, metido a besta] capitalismo industrial [liberal] sucumbiu a um capitalismo financeiro insaciável e insustentável, o qual – perfeito neo “estágio final”! – é jogo de soma zero (só um ganha e, esse, leva tudo) jogado pelo capitalismo-de-cassino baseado em trocas de papéis “derivativos” e fundos hedge, as mais novas “inovações” da jogatina e da agiotagem.

Michael Hudson, 20/5/2009, Counterpunch, em: The Toll Booth Economy trecho aqui traduzido e acrescentado [NTs].



Michael Hudson no "Truthseeker" da RT
O “apoio” ocidental permitirá novos empréstimos pelo FMI e pelos europeus para segurar a moeda ucraniana, até que os oligarcas ucranianos possam transferir com segurança o dinheiro deles para bancos britânicos e norte-americanos – explica o economista Michael Hudson a RT.

RT: senhor pode resumir para nós as etapas tentadas e testadas que resultarão dos empréstimos pelo FMI à Ucrânia, com o melhor do patrimônio público da Ucrânia sendo transferido para proprietários privados ocidentais – a função “quebra-joelho” do FMI, como o senhor a definiu memoravelmente?

Michael Hudson: O princípio básico a ter em mente é que a finança hoje é guerra, por meios não militares. O objetivo de empurrar o país até que se perca no endividamento, é conseguir arrancar dele o superávit econômico, apossando-se, logo depois, da propriedade nacional. A principal propriedade nacional a ser “obtida” é aquela que gere exportações e divisas (moeda estrangeira). No caso da Ucrânia, significa a manufatura concentrada no leste e as empresas de mineração – itens que, hoje, estão em mãos dos oligarcas. Para os investidores estrangeiros, o problema é como transferir para mãos estrangeiras esses bens e a renda que eles geram – numa economia cujos pagamentos internacionais estão presos em déficit crônico, resultado da fracassada “restruturação” pós-1991. É onde o FMI entra.

O FMI não foi criado para “consertar” déficits domésticos de governos. Os empréstimos que o FMI faz têm destino definido: têm de ser usados para pagar credores externos, sobretudo para manter a taxa de câmbio do país. O efeito, quase sempre, é subsidiar capital especulativo que voa para fora do país – com juros cambiais maiores; para os depositantes e credores sobram menos dólares ou euros. No caso da Ucrânia, entre os credores estrangeiros estaria a Gazprom, que já recebeu alguma coisa. O FMI transfere um crédito para sua “conta Ucrânia”, a qual então paga credores estrangeiros. O dinheiro realmente jamais chega à Ucrânia ou a outros países que tomam empréstimos do FMI. É depositado em contas de estrangeiros, inclusive governos estrangeiros tomadores, como no caso dos empréstimos do FMI à Grécia. Esses empréstimos vêm com “condicionalidades”, condições impostas para obter o empréstimo. Uma dessas “condicionalidades” é a que impõe a “austeridade”.  Esse processo de novos empréstimos aumenta o endividamento – o que força o governo a apertar cada vez mais o orçamento, trabalhar com déficits orçamentários menores e vender patrimônio público. 

RT: A Ucrânia deve esperar o chamado “efeito-FMI”, com 1/5 da população empurrada para emigrar. Quais as consequências de o país ver partir a parte de melhor formação educacional e profissional da população?

MH: A Ucrânia já depende do dinheiro que os emigrados mandam para casa, que já chega a 4% do PIB (cerca de US$ 10 bilhões/ano.) A maior parte desse dinheiro vem da Rússia, o restante da Europa Ocidental. O efeito dos planos de austeridade do FMI é forçar maior número de ucranianos a emigrar à procura de emprego. E eles terão de mandar para as famílias parte do dinheiro que ganhem fora da Ucrânia, o que fortalecerá a moeda ucraniana na relação com o rublo e com o euro.

RT: Em que sentido as ferramentas do FMI são, na realidade, “armas de destruição em massa”, como o senhor escreveu? [1]

MH: Déficits mais baixos de orçamento provocam “austeridade” e desemprego ainda mais profundos. O resultado é uma espiral econômica para baixo. Menos renda, menos arrecadação de impostos. Então os governos são mandados equilibrar os orçamentos... com a venda de patrimônio público – principalmente monopólios existentes, cujos compradores podem aumentar os preços, para fazer aumentar os lucros e o saque econômico. O efeito disso é converter a economia numa economia de “pagar pedágio” aos rentistas. As estradas públicas recebem “postos de [pagar] pedágio”, outros sistemas de transporte, água, esgotos, são privatizados. Isso faz aumentar o custo de vida, e, portanto, o custo do trabalho – mas os salários são reduzidos e reduzidos, sangrados pela austeridade financeira que faz encolher os mercados e eleva o desemprego.

RT: Pode-se dizer que o FMI é “arma de destruição em massa” também em sentido mais literal. A organização ameaçou publicamente e chantageou a Ucrânia; disse que teria de “redesenhar” o pacote de ajuda, a menos que Kiev fizesse guerra contra os ucranianos no leste do país e impedisse os protestos. Essa atitude não converte o FMI em criminoso, literalmente, no mínimo cúmplice ou instigador de guerra e assassinato?

MH: A “condicionalidade” do FMI prevê que assim estaria “pacificando” o leste da Ucrânia. Nessa retórica orwelliana, pode-se pacificar a ferro e fogo; pacificação à bala é a paz dos cemitérios.

O único meio pelo qual se pode alcançar paz econômica e política real é uma federalização da Ucrânia, com unidades independentes, mas coligadas, de modo que cada região consiga ser independente dos cleptocratas em Kiev – a maioria dos quais “nomeados” pelo ocidente.

Quanto às acusações de práticas criminosas, sempre dependem do acusador, do procurador e da corte! Até hoje, nenhum país acusou o FMI por crimes de guerra ou por crime econômico. O máximo que os eleitores podem fazer é rejeitar governos que se rendam às condições que o FMI imponha. Muitos eleitores que podem votarão “com os pés” e andarão para bem longe das urnas eleitorais, simplesmente abandonarão a economia que naufraga. Portanto, o que se deve reconhecer a favor do FMI é que a Ucrânia e outros dos seus “clientes” estão cometendo suicídio voluntariamente. Não se pode dizer que estejam sendo assassinados. A austeridade é uma política. Só raramente os neoliberais armam-se e assassinam governantes que se oponham à austeridade.

Mas, sim, foi exatamente o que aconteceu no Chile, em 1974, no governo de Pinochet. O governo dos EUA estava, então, sim, por trás dos assassinatos. Nesse sentido, pode-se dizer que a Ucrânia é replay do Chile (e do Brasil/1964 [Nrc]) há quarenta anos.

RT: Todos conhecem os efeitos da austeridade na Grécia e em outros países; pesquisas mostram que muitos ucranianos rejeitam a austeridade; hoje, até o FMI já admite que a austeridade não funciona. Por que os governantes da Ucrânia insistem nisso? Será que receberam “garantias” e já têm emprego prometido no ocidente, depois que forem expulsos de seus países, talvez, pelas urnas?

MH: Os líderes ucranianos são, praticamente todos, cleptocratas. O objetivo deles não é ajudar o país, mas ajudar a consolidar o próprio poder. O objetivo deles não é ajudar o país, mas ajudar a consolidar o próprio poder deles. George Soros escreveu que o melhor modo de eles fazerem isso é encontrar sócios ocidentais. Assim os EUA e a Europa terão meios para apoiar os cleptocratas, no processo de fecharem o cerco à economia. Apoio ocidental garantirá mais empréstimo à moda FMI para reforçar a moeda ucraniana, de modo que os ucranianos possam levar seu dinheiro em segurança para o ocidente, para bancos britânicos e norte-americanos.

RT: O senhor entende que a União Europeia chegará a acolher a Ucrânia como membro pleno, para que, nos termos do acordo de associação, os estados-membros possam arrancar do país a melhor parte de seu patrimônio e usar seus trabalhadores como algo bem próximo de mão de obra escrava, pagando-lhes o salário mínimo ucraniano de 91 centavos de dólar por hora de trabalho?

MH: A União Europeia, de fato, nem tem interesse em admitir a Ucrânia como membro. Há uma Política Agrícola Comum [orig.Common Agricultural Policy (CAP)], subjacente à criação entre França e Alemanha, do Mercado Comum em 1957, que define o oeste da Ucrânia como rica terra ocidental; e aquela área ainda é, até hoje, área predominantemente rural. O que os investidores estrangeiros querem é comprar a Ucrânia e “refeudalizar” o país, criando grandes estabelecimentos comerciais rurais, grandes fazendas. Mas a UE dificilmente fornecerá os subsídios necessários para financiar a mecanização e investimentos em capital, para a agricultura na Europa Ocidental.

A União Europeia não precisa integrar formalmente a Ucrânia, para beneficiar-se do trabalho barato. Basta arruinar a economia ucraniana, como arruinaram a economia grega, da Irlanda, da Letônia, para que os trabalhadores ucranianos tenham de partir para o ocidente. E os trabalhadores de maior mobilidade são, tradicionalmente, a geração que está hoje na casa dos 20 anos, a mais bem formada que o país produziu, que fala vários idiomas e tem as competências que mais fazem falta no ocidente.

RT: O senhor escreveu que a Ucrânia “deve ter consultado os EUA”, para explodir aquele gasoduto. O senhor acha que a OTAN apoiará qualquer coisa, até o terrorismo, para tornar o gás russo menos “confiável”, sobretudo num momento em que as gigantes norte-americanas do fracking estão empenhadas em campanha gigante de propaganda & publicidade (“Relações Públicas”) na Europa?

MH: Os EUA pressionaram a Europa para que tornasse ainda mais custosa a economia europeia e dependente das exportações de gás dos EUA. O objetivo principal foi privar a Rússia de divisas. O que a OTAN pensa é, essencialmente, o que o primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk tuitou na 2ª-feira, 16/6/2014: a Ucrânia “não continuará a subsidiar a Gazprom [ao ritmo de] US$5 bilhões/ano, para que a Rússia [com esse dinheiro] consiga armar-se outra vez contra nós”.

A posição dos EUA hoje é a mesma de 1991: sem manufatura a Rússia não pode ser potência militar séria capaz de se autodefender. E sem comprar tecnologia estrangeira e sem vastos subsídios estatais – como os governos de EUA e europeus asseguram às suas respectivas economias nacionais – a Rússia não conseguirá criar manufatura. Assim sendo, a OTAN está hoje dedicada a tentar impedir que a Rússia ganhe dinheiro suficiente para modernizar sua economia, sob o pressuposto de que

(1) qualquer potência industrial sempre é potencialmente potência militar; e de que
(2) qualquer potência militar pode ser usada para construir a própria independência política, que afastará qualquer país da esfera de influência dos EUA.

RT: Algo mais que o senhor queira acrescentar?

MH: O que está em questão é se as economias, em todo o mundo deixarão o poder da finança continuar a desmontar e minar o poder de governos eleitos e, portanto, a minar o poder da própria democracia. Governos são soberanos. Nenhum governo precisa, de fato, pagar sua “dívida externa” ou submeter-se a políticas que minam os três pilares que definem um estado: a capacidade para criar a própria moeda; para impor impostos e para declarar guerra.

O que está em disputa é quem manda no mundo: o 1% que existe como oligarquia financeira, ou os governos progressistas eleitos. Os conjuntos de objetivos de um lado e do outro são antitéticos: melhorar os padrões de vida da população e ampliar a independência nacional; ou render-se a uma economia rentista, à austeridade e a dependência.
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Nota dos tradutores
[1] 13/5/2014, Michael Hudson, The New Cold War’s Ukraine Gambit, cap. do livro Flashpoint in Ukraine (Stephen Lendman, Ed.).
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[*] Michael Hudson (nascido em 1939, Chicago, Illinois, EUA) é professor e pesquisador de economia na Universidade de Missouri–Kansas City (UMKC) e pesquisador associado do Bard College. É ex-analista e consultor em Wall Street;  presidente do “Instituto para o Estudo de Tendências Econômicas de Longo Termo” (Institute for the Study of Long-term Economic Trends - ISLET) e um membro-fundador da "Conferência Internacional de Pesquisadores de Economias do Antigo Oriente Próximo" (International Scholars Conference on Ancient Near Eastern Economies - (ISCANEE).



Postado por Roberto Pires Silveira, via Vila Vudu e Redecastorphoto. 
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