terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Washington fez ressurgir a ameaça de uma Guerra nuclear.

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por Paul Craig Roberts
tradução mberublue

Foreign Affairs é a publicação do elitista Conselho de Relações Exteriores, um conjunto de antigos e atuais altos funcionários do governo, aliados a executivos corporativistas e financeiros que tem a pretensão de ser o guardião e elaborador da política externa dos Estados Unidos. Suas publicações carregam o peso da autoridade e não se espera encontrar nelas quaisquer resquícios de humor, mas eu pessoalmente me peguei rindo às gargalhadas ao ler um artigo online publicado em 05 de fevereiro assinado por Alexander J. Motyl, intitulado “Adeus Putin: porque os dias do Presidente estão contados”.

É claro que eu tinha a certeza de estar lendo uma paródia espertinha da propaganda contra Putin patrocinada por Washington. Declarações absurdas parecem sair de uma linha de montagem. É melhor que Colbert (comediante satírico que ridiculariza a política norte americana – NT). Eu simplesmente não conseguia parar de rir.

Para minha tristeza, descobri que aquele amontoado de besteiras não era uma paródia da propaganda de Washington. Motyl, um ardente nacionalista ucraniano, leciona na Universidade Rugers e não está brincando quando escreve que Putin roubou 45 bilhões de dólares, que Putin pretende reerguer o Império Soviético, que Putin tem tropas e tanques na Ucrânia e que foi ele quem começou a guerra naquele país, que Putin é um homem  autoritário  cujo regime é extremamente frágil e sujeito à derrocada a qualquer tempo pelo povo assim que Putin não puder controlar o preço do petróleo em queda, ou através de uma “revolução laranja” orquestrada pelas ONGs financiadas  por Washington e que derrubaria Putin como aconteceu na Ucrânia ou ainda por um golpe de estado perpetrado pela guarda pretoriana de Putin. Se nada disso puder despachar Putin para o inferno, a vontade de Washington se cumprirá através do Cáucaso Norte, Chechênia, Inguchétia, Daguestão e dos tártaros da Criméia, que já estariam totalmente fora de controle. Apenas a relação amistosa do ocidente com a Ucrânia, Belarus e Cazaquistão podem livrar “o resto do mundo do desastroso legado da ruína deixada por Putin”.

Ao ser confrontado com esse nível de incoerência e ignorância em uma publicação supostamente respeitável, tenho uma medida de degradação sofrida pela elite da mídia política ocidental. Toda argumentação insensata é inútil.

O que se vê em Motyl é a mais pura expressão das desavergonhadas propagandas mentirosas que fluem constantemente de órgãos como as “notícias” da Fox News, Sean Hannity (comentarista político de tom fortemente conservador – NT), neocons militaristas, a Casa Branca, poder executivo e o pessoal do Congresso, todos com o rabo preso ao complexo Exército/Segurança Nacional e suas indústrias.

É um bocado de mentiras, mesmo comparando-se com Henry Kissinger.

Como declarou honestamente Stephen Lendman, que documenta uma crescente propaganda anti Rússia: “A guerra dos Estados Unidos contra o mundo é raivosa. O maior desafio da humanidade é deter o monstro antes que ele nos destrua a todos”.

Tudo isso é tão absurdo! Qualquer idiota sabe que se a Rússia realmente colocasse seus tanques e tropas dentro da Ucrânia seria o suficiente para terminar o serviço. A guerra duraria alguns dias, se não algumas horas. O próprio Putin disse alguns meses atrás que se os militares russos entrassem na Ucrânia as notícias não seriam sobre o destino de Donetsk ou Mariupol, mas sobre a queda de Kiev e Lviv.

O antigo embaixador dos Estados Unidos para a União Soviética (1987-91) Jack Matlock pede cuidado contra o ataque propagandístico louco contra a Rússia em seu discurso no Clube Nacional da Imprensa em 11 de fevereiro. Matlock ficou estupefato com o erro estratégico de considerar a Rússia como sendo meramente um “poder regional” incapaz de causar maiores problemas para o poder militar dos Estados Unidos. Nenhum país, disse Matlock, armado com ICBMs numerosos, acurados e móveis tem poder limitado a qualquer região. Isso é um tipo de erro de cálculo arrogante cujo resultado pode ser a destruição do mundo.

Da mesma forma, observou Matlock que toda a Ucrânia, assim como a Crimeia, já foram parte da Rússia por séculos e que nem Washington nem a OTAN tem que meter o nariz em assuntos da Ucrânia.

Também salientou as violações de promessas feitas para a Rússia de que não haveria expansão da OTAN para o leste e que não apenas este, mas outros atos agressivos dos Estados Unidos contra a Rússia acabaram por minar a confiança entre os dois países que Reagan construíra com sucesso.
A educação com que Reagan tratava os líderes soviéticos e a recusa de personalizar as diferenças criaram uma era de cooperação que os imbecis que sucederam a Reagan destruíram, fazendo voltar a ameaça de uma guerra nuclear que Reagan e Gorbachov tinham eliminado.

Matlock disse que a política praticada por Washington é autista, na medida de sua interação social insuficiente, falha em comunicar-se com os demais países e o comportamento restritivo e repetitivo dos Estados Unidos. Você pode ler o discurso (em inglês) de Matlock em:


Não se incomode com o completo imbecil que se revelou Motyl:



Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street JournalBusiness Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.