sábado, 18 de abril de 2015

OGM: A Ucrânia será o portador do veneno que se espalhará pela Europa.



por Ulson Gunnar – NEO
tradução - mberublue

artigo originalmente publicado em

17 de abril de 2015
Ukraine-agriculture

Quando o Washington Post faz a opção de elaborar um condescendente e insultuoso editorial dirigido a nações inteiras defendendo as impropriedades ocidentais, qualquer um pode assumir sem medo de errar que a verdade estará exatamente na direção oposta àquela que o Washington Post quer impor.

No que diz respeito às companhias biotécnicas norte americanas e suas tentativas de infestar o planeta inteiro com organismos geneticamente modificados (OGMs), em particular as suas tentativas de corromper toda a Europa com seus venenos indesejados através de uma porta dos fundos (Ucrânia), isso serviu de motivo para a Rússia a alertar seus vizinhos europeus orientais. Até o golpe armado levado a efeito em 2013/2014, também chamado de “Euromaidan” a Ucrânia sempre rejeitou categoricamente os GMOs.


Resultado de imagem para GMOAgora, com um regime comprado e obediente instalado em Kiev, as decisões políticas, econômicas e militares que foram tomadas levaram a Ucrânia à situação de ser mais ou menos uma nação sem soberania. Acompanhando essa perda de soberania, veio uma completa apatia na vontade ucraniana da própria preservação, e por isso a permissão para que ocorresse a semeadura em seus campos com venenos contaminantes e inseguros, que passaram de categoricamente proibidos para a aceitação total.

Isso nos leva de volta para o Washington Post e a mais um de seus editoriais recentemente publicados. Título: “A Rússia afirma que os investimentos ocidentais nas fazendas ucranianas são um plano para dominar o mundo inteiro” (Russia says Western investiment in Ukraine’s farms is a plot to take over the world). Primeiro, o jornal tenta desclassificar as acusações russas de que a Monsanto está atualmente em movimento para a Ucrânia com planos de fazer do país uma enorme fazenda de grãos geneticamente modificados, afirmando que tais acusações são infundadas. Quer dizer, isso até que o próprio Washington Post admite que é exatamente o que a Monsanto está fazendo. A peça assevera:

Há muito tempo que a Ucrânia tenta mostrar-se para a Europa como o futuro celeiro de comida para o continente, afirmando que os investimentos ocidentais são a chave para que se faça a exploração adequada de suas terras negras, hoje impropriamente exploradas. Mas o governo russo insiste em fazer do conhecimento geral que essas conversas de desenvolvimento agrícola não passam de um plano para ajudar companhias como a Monsanto a dominar o mercado mundial.

Então, o jornal admite:

Há muito tempo está proibido na Ucrânia o cultivo de organismos geneticamente modificados, assim como a venda de terras agricultáveis.

Em seguida, admite:

Mas o acordo de associação recentemente assinado entre a Ucrânia e a União Europeia no último ano pode ter criado um novo espaço que potencialmente permita o cultivo de culturas geneticamente modificadas na Ucrânia.

Finalmente, o Post menciona a Monsanto:

A Monsanto – talvez a companhia mais associada com os produtos geneticamente modificados – já declarou seu interesse em investir na Ucrânia ano passado (de se notar que a companhia também opera na Rússia, mas não com organismos geneticamente modificados como o faz na Ucrânia).

Em que mais estaria investindo a Monsanto na Ucrânia, além de organismos geneticamente modificados, coisa que não podia fazer antes? A Ucrânia é a vítima perfeita para hospedar a Monsanto e outras companhias semelhantes com seus organismos infectados diretamente no coração da Europa.

Com própria Europa já relaxando alguns de seus regulamentos contra OGMs, provavelmente sem o consentimento da população, que fica a cada dia mais consciente dos perigos e procurando alternativas orgânicas, as companhias como a Monsanto esperam produzir grãos organicamente modificados que se espalharão pelo continente a partir dos campos totalmente desregulados da Ucrânia até que se tornem onipresentes na Europa, como já o são nos Estados Unidos.


Em outros lugares do mundo a agricultura de massa tem tentado usar outras “portas dos fundos” para introduzir seus produtos em regiões onde eles são peremptoriamente rejeitados, incluindo a Ásia, onde o Arroz Dourado foi proposto como uma solução para a luta contra a “deficiência de vitamina A” mesmo quando se sabe que basta plantar um pouco de cenouras para conseguir esse objetivo de forma muito mais fácil e barata e sem o risco de introduzir uma cepa de arroz que contaminaria irremediavelmente as espécies de arroz asiático, além de serem rejeitadas de pronto pelos consumidores.

Já em outras ocasiões, como por exemplo na implantação dos interesses ocidentais no Afeganistão, a “ajuda” foi usada como uma maneira de introduzir o agronegócio intensivo e os Organismos Geneticamente Modificados na região.

Então, pela admissão do próprio Washington Post e pelo simples exame do que a Monsanto e companhias semelhantes já fizeram por todo o mundo, eles mesmos não podem deixar de admitir que a Federação Russa está certa ao expor as intenções óbvias da Monsanto na Ucrânia e no resto da Europa.

O jornal Washington Post, assim como muitos outros jornais através da Europa e dos Estados Unidos há muito tempo serve os interesses da elite endinheirada, entre os quais muitos estão no agronegócio intensivo e na biotecnologia agrícola. O Post e outros jornais confundem e ofuscam as intenções da Monsanto até que já seja tarde demais para nulificar a corrupção genética que suas espécies vegetais modificadas infligem aos campos da Ucrânia, até então protegidos por uma soberania que não mais existe.

Resultado de imagem para puppet government in UkraineComo muitas outras coisas na Ucrânia atualmente, o assim chamado “Euromaidan”, que supostamente deveria impulsionar o país na conquista de mais liberdade e auto determinação, claramente arrancou da Ucrânia as duas coisas. Sua liberdade e sua capacidade de determinar por si mesma o que mais lhe convêm. Partindo de um militarismo imposto a seu povo, para uma economia saqueada por interesses estrangeiros, até um governo direta e literalmente presidido por estrangeiros e finalmente chegando agora a seus campos que serão envenenados por organismos geneticamente modificados, a ruína da Ucrânia está próxima de completar-se, e será vista como um testemunho perene do que quer dizer na realidade o ocidente quando fala em “democratização”.

Ninguém comprará as espécies envenenadas pela modificação genética.

Ainda nos comentários feitos pela Rússia sobre a iminente espoliação da indústria agrícola da Ucrânia pela Monsanto e outras congêneres, o Post relata:

Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança russo disse em um encontro na terça feira com seus congêneres na Organização de Cooperação de Shangai, que o ocidente tem planos de cultivar “espécies geneticamente modificadas” na Ucrânia. Sugeriu que isso seria um erro crasso, porque, “para não dizer outra coisa, a Europa jamais aprovará tais produtos”.

Como colaborador e lobista do agronegócio intensivo, o Washington Post tenta subestimar este fato. Mas em outros locais, mesmo dentro da mídia ocidental, existem reportagens mostrando que mesmo os Estados Unidos, indubitavelmente uma potência agrícola, tem que importar milho orgânico porque os consumidores norte americanos se recusam a comer os produtos oriundos de organismos geneticamente modificados que são cultivados nos EUA.

Em sua reportagem “Como os consumidores exigem comida orgânica, os Estados Unidos são forçados a importar milho” – “U.S. forced to import corn as shoppers demand organic food”  a Bloomberg (famosa agência de notícias de finanças e mercado, com abrangência mundial – NT) assevera:

Uma demanda crescente por orgânicos e a recente dependência total dos agricultores norte americanos dos produtos geneticamente modificados, nomeadamente milho e soja, tornaram inevitável um aumento de importações de outras nações nas quais as espécies, em grande parte, ainda estão livres de bioengenharia. Importações como o milho da Romênia e a soja da Índia estão em expansão, de acordo com uma análise de dados do comércio dos Estados Unidos realizada quarta feira pela Organização de Comércio de Produtos Orgânicos e a Universidade Estatal da Pennsylvania.

A humilhação que representa o fato de um país historicamente auto suficiente ter que importar um grão tão básico como o milho porque a sua produção doméstica está totalmente envenenada é uma lição que qualquer ucraniano deveria anotar e observar atentamente para o bem não apenas de sua dignidade, mas de seu próprio senso de sobrevivência. Mesmo quando o “milagre” dos organismos geneticamente modificados se tornou pó no esperto mercado norte americano, as corporações estadunidenses estão subornando o infinitamente servil regime que tomou lugar na Ucrânia, para colocar o pescoço daquele país na mesma forca.

Porém em uma coisa o Washington Post está correto. A Rússia está louca se pensa que a Monsanto está para dominar o mundo inteiro. A corporação, apesar de incontáveis bilhões de dólares gastos em lobbies, propaganda, subornos e outras formas de persuasão de massa, está falhando miseravelmente em convencer as pessoas a ingerir seus venenos, mesmo naqueles países onde está firmemente estabelecida. No entanto, a Rússia tenta lançar alguma luz sobre o que a Monsanto está tentando fazer na Ucrânia, obviamente contra os próprios interesses do país. Trata-se apenas de mais um exemplo de como o golpe levado a efeito no assim chamado “Euromaidan” nada tinha a ver com liberdade, e tudo a ver com o sequestro de mais um país por Washington e Wall Street, e da pilhagem de seus recursos, em detrimento do próprio povo, tudo em nome da “democracia”.



por Ulson Gunnar – NEO – Ulson Gunnar é um jornalista e escritor baseado em Nova Yorque, especialista em geopolítica. Escreve especialmente para NEO – New Eastern Outloock.

tradução mberublue