domingo, 10 de agosto de 2014

Técnicas de punição dolorosa



Nikolay Starikov p/Vzgiad, via The Saker
Traduzido (para o inglês) pela equipe russa

Tradução (para o português): mberublue

O ocidente está tão acostumado ao seu joguinho de um lado só que ficou realmente surpreso com a resposta russa às sanções que o ocidente impôs contra o país.

Tudo bem. Deixe lá que se acostumem com isso. Seja quem for que contra nós vier com uma espada, pela espada perecerá. Isto serve apenas quando estivermos a falar de uma batalha onde se usará a espada, uma “guerra quente”. No entanto, se esta é uma guerra de sanções e proibições, o agressor terá mais do que pediu, certamente.

Apoio em gênero, número e grau a introdução de sanções retaliatórias contra os países que por sua vez sancionaram a Rússia. Por muitas razões:

- é bom para nossa economia e nossos produtores;
- é importante para a autoestima de nosso povo, que nunca deixou de punir o infrator que tenha perdido o senso de realidade;
- é necessário para que se tenha respeito pela Rússia, não apenas no interior do país mas também além de suas fronteiras.

A Rússia é uma superpotência. Recuperamos o status depois da reunificação da Criméia. Portanto não adianta, é futilidade tentar tratar a Rússia como se fosse uma criança birrenta que deve ser punida e aprender uma lição.

Pois a partir de agora qualquer agressor deve ter em mente o fato de que pagará caro por sua agressividade. A retribuição acontecerá na mesma medida e grau da agressão.

Se a agressão for econômica, o agressor pagará caro através de sua própria economia e renda. Pagará igualmente caro em vidas de seus soldados e com a perda de liberdade de manobra na esfera internacional por qualquer agressão militar.

Como já aconteceu por várias vezes no decorrer da história, nós não começamos a confrontação.  Acontece que a Rússia está sendo “punida” porque... uma guerra está em curso nos arredores de suas fronteiras, depois de apoio explícito e ostensivo ao golpe de estado na Ucrânia pelo ocidente. Ocorre que a OTAN ameaça expandir sua infraestrutura nas proximidades de nossas fronteiras. O nosso território está sendo bombardeado pela zona de conflito.

O ocidente, em si mesmo, não está em perigo. A Rússia jamais tomou qualquer atitude agressiva contra o ocidente a partir de suas fronteiras. No entanto, estamos sendo punidos. Muito bem, também podemos puni-los. Vocês precisam de nós muito mais do que precisamos de vocês.

Imperatriz Elizabeth Petrovna
A partir de agora nenhum canhão tem permissão de disparar perto de nossas fronteiras sem a nossa explícita permissão. Além de entender, o mundo deve recordar. Acontece dessa forma desde os tempos da Imperatriz Elizabeth Petrovna até os tempos de Leonid Brezhnev.

Ninguém tem o direito de disparar perto de nossas fronteiras e especialmente, através delas. É bom que nossos gentis “parceiros” se acostumem com o fato de que toda a parte eurasiana da Europa é território de nossos interesses vitais.

Sempre foi assim e assim deve continuar agora. Entretanto, nesse meio tempo, armas não só militares, mas também econômicas estão disparando não sem nossa permissão, mas em nós. A seu tempo, os atiradores devem ser e serão punidos.

Severamente punidos. Chega! O ocidente equivocadamente interpreta nossa bondade como sendo fraqueza. Está na hora de responder a todas as agressões contra a Rússia com técnicas de punição dolorosa.

Há apenas uma semana atrás, no artigo “Técnicas para infligir a dor para proteger a Rússia”, escrevi o seguinte:

“Já está na hora da Rússia mudar para uma política de técnicas de fazer sentir dor. Ademais, a continuação de nossa política de tentar promover a paz apenas faz nossos inimigos aumentarem suas forças. Temos que parar de sorrir e começar a responder aos ataques desfechados contra nós. Nossas ações tem que ser mais rápidas e proporcionar maior dano que os golpes de nossos inimigos. Como em um ringue, na luta contra um boxeador de maior peso, o atleta mais leve tem apenas uma vantagem: a velocidade.

E distribuir golpes dolorosos aos pontos mais sensíveis de nosso forte adversário. Quais são os pontos que mais doem em nossos “parceiros” geopolíticos? É necessário avaliar, escolher e golpear”.

Então, aconteceu exatamente isso. Entendemos, reconhecemos, fizemos nossas escolhas. E respondemos aos golpes.

De acordo com as medidas para implementação da Ordem Executiva Presidencial nº 560, de 06 de agosto de 2014 “Adoção de Medidas Econômicas Especiais para Proporcionar Segurança para a Federação Russa” foi introduzida a proibição, por um ano, das importações de produtos agrícolas, matérias primas e alimentares dos seguintes países:

Estados Unidos da América;
União Europeia;
Canadá;
Austrália;
Reino da Noruega.

A lista inclui:

01-) Carne, porco, aves, salgados, secos ou defumados, peixes e frutos do mar, frescos, refrigerados ou congelados.

02-) Leite e produtos dele derivados, vegetais, frutos e nozes, embutidos e produtos assemelhados e outras variedades de carnes (incluindo produtos alimentícios acabados com base em carne).

03-) Alimentos processados, queijos, requeijão e outros produtos lácteos, baseados em gordura vegetal.

Necessário se faz enfatizar que os embargos da Federação Russa em relação aos produtos dos países ocidentais não se estendem à comida importada para bebês nem para compras individuais de bens originários de países sancionados pela Rússia.

Adicionalmente, a Rússia impôs a proibição de vôos de companhias aéreas ucranianas em seu espaço aéreo. “Esta foi uma resolução acordada pelo governo. Refere-se à suspensão do trânsito de aeronaves ucranianas sobre o espaço aéreo russo para certo número de países – Azerbaijão, Geórgia, Armênia e Turquia,” disse o Primeiro Ministro Medvedev.

Sanções que ainda podem vir a ser implementadas:

01-) Uma proibição de vôo contra aeronaves da Europa e dos Estados Unidos que voem sobre o nosso espaço aéreo para a Ásia Oriental, que seja, a região Ásia/Pacífico.

02-) Alterar as chamadas de entrada e pontos de saída no espaço aéreo russo para qualquer vôo regular ou charter da Europa, o que vai acarretar aumento de custos de transporte e tarifas para transportadores aéreos ocidentais.

“Nosso país está pronto para revisar as regras de uso da rotas transsiberianas, quer dizer, denunciar os princípios acordados de modernização do sistema existente na atualidade – declarou o Primeiro Ministro Medvedev – a revisão será aplicável em sua plenitude aos países europeus. Interromperemos também as conversações com as autoridades aéreas dos Estados Unidos sobre o uso das rotas transsiberianas.”

A resposta às agressões não somente é justificada, como também é a única iniciativa correta para a Rússia. Entretanto, a Rússia sempre estará pronta para cessar a confrontação e reiniciar uma pacífica e mútua cooperação benéfica.

Contra esses países que declararam suas sanções econômicas contra nós, a Rússia foi forçada a introduzir suas próprias sanções. Para todo o mundo, o sinal é muito claro: nem tente! Tem um custo. Leve-se em consideração que nossas sanções tem um período de duração de um ano. É o suficiente para que nossos “parceiros” também sintam a dor das sanções e mudem seu modo de pensar. Se nada disso ajudar, o período pode ser estendido à vontade. Apresentaremos aos nossos “parceiros” novos setores nos quais serão ainda mais machucados, e mais apropriados para nós.

Este é o nosso país e o país é nosso, portanto as regras serão as nossas. Já jogamos por suas regras o tempo suficiente. Agradecemos a vocês, parceiros queridos que já desistiram das próprias regras. Claro que esse fato nos livra da necessidade de nos retirarmos unilateralmente.

Surpreso? Não esperava por isso?

Acostume-se. Estamos de volta...


Nikolay Starikov é o presidente adjunto do partido político para toda a Rússia “Partido da Grande Pátria” (POF) – escritor e publicitário.

Tradução: mberublue